Rev Bras Oftalmol.2025;84(Supl. 3):ex0006
Atualizações na prevenção e tratamento da vitreorretinopatia proliferativa
DOI: 10.37039/1982.8551.2025S3ex0006
RESUMO
A vitreorretinopatia proliferativa (PVR) continua sendo a principal causa de insucesso anatômico após a cirurgia para descolamento de retina regmatogênico, afetando de 5 a 12% dos casos primários e até 75% das recidivas. Apesar dos avanços na cirurgia vitreorretiniana — como a vitrectomia de gauge reduzido, uso de corantes (cromovitrectomia), sistemas de visualização intraoperatória em alta definição e exames de imagem pré-operatórios sofisticados, a incidência de PVR não diminuiu significativamente nas últimas duas décadas. A condição representa uma resposta de cicatrização desadaptativa, em que vias inflamatórias e fibrogênicas promovem a formação de membranas contráteis preretinianas, intrarretinianas e subrretinianas. Esse processo geralmente ocorre entre 6 a 8 semanas após a cirurgia, tornando a profilaxia precoce essencial. O tratamento cirúrgico da PVR estabelecida exige remoção cuidadosa a hialoide posterior, do vítreo residual e das membranas tracionais epirretinianas e subrretinianas. O uso de perfluorcarbono e dissecção bimanual com auxílio de endoiluminação tipo “chandelier” melhora a visualização e o controle das proliferações. O corante azul brilhante facilita a identificação da membrana limitante interna (MLI), especialmente quando aplicado sob ar, permitindo visualização por coloração negativa. Sistemas de vitrectomia de pequeno calibre (23 a 27G) proporcionam acesso menos invasivo, melhor dinâmica de fluidos e menor inflamação pós-operatória. Em casos complexos, técnicas adjuvantes como introflexão escleral, retinotomia e tamponamento com óleo de silicone são frequentemente necessárias para o sucesso anatômico da cirurgia e prevenção de recidivas. Terapias profiláticas que visam os mediadores moleculares da PVR — como corticosteroides, agentes anti-inflamatórios, drogas antiproliferativas e biológicos contra citocinas, incluindo o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) — estão em investigação. A combinação de técnicas cirúrgicas aprimoradas, uso adequado de adjuvantes intraoperatórios e profilaxia farmacológica emergente tem o potencial de melhorar significativamente os desfechos anatômicos e funcionais em pacientes com PVR ou de alto risco.
Palavras-chave: Descolamento da retina; Vitreorretinopatia, proliferative

