Rev Bras Oftalmol.2020;79(4):225-226
COVID-19 e a política
DOI: 10.5935/0034-7280.20200048
Hoje o mundo vive um dos mais sérios problemas de saúde pública internacional dos últimos 100 anos, desde a grande pandemia da pneumónica (gripe espanhola) de 1918-1919. Em finais de dezembro de 2019, o Dr. Li Wenliang, oftalmologista no Hospital Central de Wuhan na China, através das redes sociais, relatou a possibilidade de estar a surgir um novo surto de infeção por coronavírus.() As autoridades chinesas, depois de uma tentativa infrutífera de descredibilização do médico, impuseram rapidamente uma quarentena obrigatória a 60 milhões de chineses. O surto provocado pelo coronavírus SARS-CoV-2 que, no seu início, estava confinado apenas aos mercados locais da cidade de Wuhan, depressa se alastrou pela cidade e por toda a província de Hubei. Em pouco mais de 3 meses, o vírus propagou-se, passando as fronteiras da China para todo o mundo, obrigando a Organização Mundial de Saúde (OMS) a decretar o estado de pandemia. Agora, os seus epicentros estão na Europa e nos Estados Unidos. A maioria dos países encerra fronteiras e entra em lockdown.
Em 2015, o multimilionário Bill Gates alertou para o excesso de gastos em armamento e planos de contingência militar em detrimento da saúde.() Anteviu que o mundo não estaria preparado para enfrentar uma pandemia. A profecia tornou-se agora realidade! A atual crise de saúde pública internacional está a ser um desafio colossal para os Países, ao nível político, económico e dos respetivos sistemas nacionais de saúde. Lívidos, assistimos diariamente à monstruosa carência de camas, ventiladores e equipamentos de proteção individual, nomeadamente material simples como batas, máscaras e luvas. E os Países mais ricos não são exceção. Já há evidência de escassez de recursos humanos entre os profissionais de saúde que estão na linha da frente no tratamento de doentes infetados, devido ao facto de uns estarem contaminados, mais de 6.400() em Itália e 3.400 na China,() outros em quarentena profilática e, muito em breve, vários em exaustão. Lamentavelmente, dezenas de mortes de médicos foram já notificadas em Espanha e em Itália.
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