Rev Bras Oftalmol.2025;84:e0076
Desafios da formação médica na modernidade: a experiência da Sociedade Brasileira de Oftalmologia
DOI: 10.37039/1982.8551.20250076
Vivemos um momento de inflexão na medicina contemporânea, uma era em que a Inteligência Artificial (IA) promete redefinir os contornos do diagnóstico, da conduta e da própria relação médico-paciente. Porém, como advertia Freud, todo progresso técnico vem acompanhado de perdas simbólicas e novos desconfortos.() Nietzsche, por sua vez, alertava-nos contra os perigos da automatização do pensamento, da ilusão de um saber infalível que desconsidera a experiência humana.() A oftalmologia, especialidade profundamente visual, encontra-se no centro desse debate.
A aplicação da IA na oftalmologia é uma realidade. Algoritmos de aprendizado profundo já demonstraram acurácia comparável à de especialistas no diagnóstico de retinopatia diabética, degeneração macular relacionada à idade (DMRI) e glaucoma. O IDx-DR, por exemplo, é, desde 2018, um sistema aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) a oferecer diagnóstico autônomo em ambiente clínico, sem necessidade de interpretação médica presencial.() O entusiasmo é compreensível, pois essas ferramentas têm o potencial de ampliar o acesso, agilizar fluxos assistenciais e reduzir a cegueira evitável. Esse potencial, porém, ainda esbarra em realidades estruturais complexas, especialmente no Brasil.
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