Rev Bras Oftalmol.2026;85:e0010

Epidemiologia e resolubilidade das urgências e emergências oftalmológicas em um hospital de referência no Paraná

Pedro Affonso , Luís Henrique , Jonathan José , Ana Paula Herrera de , Luiz Miguel Guimarães de , Pedro Henrique de Lara Pires Batista , Giuliana , Luciane Bugmann

DOI: 10.37039/1982.8551.20260010

RESUMO

Objetivo:

Avaliar o perfil epidemiológico, clínico, desfechos e retornos de pacientes atendidos no setor de emergência do pronto atendimento de um hospital oftalmológico de referência.

Métodos:

Trata-se de um estudo observacional, transversal e retrospectivo, realizado por meio da análise de prontuários do setor de pronto atendimento de um hospital oftalmológico de referência, em Curitiba (PR), entre 21 de dezembro de 2021 e 20 de março de 2022.

Resultados:

A amostra total foi composta de 8.072 prontuários, dos quais analisaram-se 6.565 prontuários abertos por novas queixas, 620 retornos e 887 prontuários preenchidos de forma incompleta. Houve discreta predominância do sexo feminino (50,9%). A idade média foi de 38,6 anos. Referente aos motivos das consultas, destacou-se o olho vermelho (35,9%), seguido da dor ocular (20,3%). O principal exame foi a biomicroscopia (99%). Dentre os diagnósticos, evidenciou-se perfil típico de doenças de baixa complexidade, exemplificados pela conjuntivite (20,1%), hordéolo (15,6%), ceratite (14,9%) e blefarite (14,3%). A principal conduta foi clínica (97,3%), e o desfecho mais prevalente foi a alta (83,1%). A análise de 620 consultas por retorno foi separada para indicar o Índice de Retornos Desnecessários, demonstrado pelo cálculo: número de retornos apresentando melhora ou resolução (398) divididos pelo valor total de retornos (620). Este estudo indicou um Índice de Retornos Desnecessários de 64,2%.

Conclusão:

A maioria dos prontuários apresentou condições oculares não complicadas, provavelmente pela interpretação superestimada dos pacientes em relação à gravidade dos quadros. Nesse sentido, tais patologias poderiam ser tratadas em ambulatórios ou consultas eletivas, evitando o uso inapropriado dos serviços especializados de emergência. Além disso, 64,2% das consultas abertas por retorno foram desnecessárias, o que poderia ser resolvido se houvesse mais encaminhamentos ambulatoriais, apontando a necessidade de estruturar melhor as indicações e setores de reavaliação dos pacientes.

Epidemiologia e resolubilidade das urgências e emergências oftalmológicas em um hospital de referência no Paraná

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