Rev Bras Oftalmol.2020;79(2):89-90
Lentes de (não) contato
DOI: 10.5935/0034-7280.20200018
Para mudar é preciso conhecer, e a ciência tem por base a curiosidade. A partir do que entendemos, construímos, modificamos e fazemos propostas, e então a tecnologia toma por base o saber, e denomina nossas ações. Nas tentativas altruístas de melhorar o mundo, criamos. Aviões lunares, carros autônomos, drones submarinos, roupas com fios térmicos guiados por sensores corpóreos, atuadores que nos fazem experimentar sensações dos outros. Tudo começa na inquietação lúdica que o desconhecido promove, sustentada pelo meio, que cada vez oferece e exige mais e mais rápido. Neste contexto, cabe o conceito de funcionalização, que é o ato de modificar algo, tornando-o possuidor de propriedades distantes das originais. E assim, funcionalizamos não apenas materiais inicialmente inertes como também corpos, órgãos e células.
Nós, médicos, aprendemos e exercitamos a fisiopatologia, como base do entendimento e tratamento baseado em evidências, e temos nos desvios do esperado nossa centralidade de formação, apesar de que filosófica e teoricamente, prevenir doenças é mais natural do que remediá-las. E se a medicina se ocupasse não apenas em curar e manter a vida saudável, mas em efetivamente melhorar suas funcionalidades? Nesta idéia, tratar de funções fisiológicas, aprimorando-as, poderia trazer melhor qualidade e performance. Afinal, a maioria das pessoas não têm doenças o tempo todo, mas sim saúde a maior parte do tempo.
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