Rev Bras Oftalmol.2020;79(5):315-319

Manejo de ceratites fúngicas em centro de referência no Brasil

Fernanda Machado , Ana Luisa , Lauro Augusto de

DOI: 10.5935/0034-7280.20200067

Resumo

Objetivo:

Descrever diagnósticos etiológicos, fatores de risco, estratégias
terapêuticas e resultados visuais de pacientes com ceratite fúngica tratados
no Departamento de Oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo.

Métodos:

Trata-se de um estudo retrospectivo, descritivo e observacional, a partir da
análise de prontuários médicos e laboratoriais do Departamento de
Oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo, incluindo todos os
pacientes com ceratite fúngica comprovada por cultura no período de outubro
de 2012 a outubro de 2017.

Resultados:

Foram realizadas 2260 solicitações de testes microbiológicos. Destas, 140
amostras apresentaram culturas positivas para fungos, e 66 pacientes foram
acompanhados em nosso serviço. Quarenta e cinco pacientes (68,2%) eram do
sexo masculino, e a média de idade foi de 48,06 (± 17,39) anos.
Fusarium spp. foi o fungo mais freqüentemente isolado (32 casos; 48,5%),
seguido por Candida parapsilosis (12 casos; 18,2%). Trinta e quatro
pacientes (51,5%) foram submetidos à injeção intracameral de anfotericina B
(5 µg por 0,1 ml). Destes, 11 pacientes (32,3%) tiveram a infecção
erradicada. Nos outros 23 pacientes (67,7%), o transplante terapêutico foi
necessário. Nenhuma complicação relacionada à injeção intracameral de
anfotericina B foi observada neste estudo. No total, 43 pacientes (65,1%)
evoluíram para transplante terapêutico, e 3 pacientes (4,5%) foram
submetidos à evisceração ou enucleação. Cinquenta e três pacientes (80,3%)
apresentaram acuidade visual final pior que 20/200.

Conclusões:

Apesar dos diversos medicamentos antifúngicos atuais e vias de
administração, o tratamento das ceratites fúngicas permanece desafiador. O
atraso no início do tratamento adequado pode justificar o desfecho clínico
desfavorável de grande parte dos pacientes. A injeção intracameral de
anfotericina B mostrou-se uma alternativa terapêutica segura para ceratites
fúngicas refratárias. Mas outras estratégias de tratamento devem ser
formuladas, visando melhorar os resultados visuais dos pacientes.

Manejo de ceratites fúngicas em centro de referência no Brasil

Comentários (0)