Rev Bras Oftalmol.2025;84:e0027
Midríase farmacológica em pacientes diabéticos do tipo 2. estudo comparativo entre diferentes níveis de retinopatia diabética
DOI: 10.37039/1982.8551.20250027
RESUMO
Objetivo:
Analisar a neuropatia autonômica diabética por meio da comparação entre a midríase farmacológica em pacientes não diabéticos e em pacientes diabéticos do tipo 2.
Métodos:
Este é um estudo observacional, transversal, caso-controle. Os pacientes foram dilatados com colírios de fenilefrina a 10% e tropicamida a 1%. Eles foram divididos em pacientes sem diabetes mellitus (Controle ou Grupo Zero) e pacientes com diabetes mellitus tipo 2 (grupo caso). Esses pacientes diabéticos foram alocados em seis grupos de acordo com a classificação internacional do estudo de retinopatia diabética (sem retinopatia diabética ou Grupo 1; retinopatia diabética não proliferativa leve ou Grupo 2; retinopatia diabética não proliferativa moderada ou Grupo 3; retinopatia diabética não proliferativa grave ou Grupo 4; retinopatia diabética proliferativa sem fotocoagulação a laser retiniano ou Grupo 5; e retinopatia diabética proliferativa com fotocoagulação a laser panretiniana ou Grupo 6). Cada grupo incluiu 20 pacientes. A variável principal foi o diâmetro pupilar após dilatação farmacológica, e as variáveis secundárias foram sexo, idade e estágios de retinopatia diabética. O diâmetro pupilar vertical e horizontal foram medidos. O teste de análise de variância F, o teste t de Student e o teste do qui-quadrado foram utilizados para a análise estatística. A significância estatística foi definida como 0,05.
Resultados:
Este estudo incluiu 140 pacientes (280 olhos). A maioria dos olhos tinha pupila arredondada (240 de 280). A análise estatística identificou o menor diâmetro médio e desvio-padrão pupilar em olhos com RDNP (Retinopatia Diabética Proliferativa) grave (6,4 ± 0,53 mm, vertical, e 6,0 ± 0,84 mm, horizontal). Os olhos com RDNP grave (p=0,00) e RDP (Retinopatia Diabética Proliferativa) tratada com PFC (Pan Fotocoagulação a Laser) (p=0,02) demonstraram significância estatística. Quando o grupo não diabético foi comparado com o diabético, os pacientes não diabéticos apresentaram diâmetro pupilar maior (média e desvio-padrão de 1,0 ± 0,2 mm) após midríase farmacológica, principalmente em pacientes com RNPG grave.
Conclusão:
A neuropatia autonômica diabética pode influenciar a dilatação farmacológica pupilar em estágios avançados de retinopatia diabética, principalmente em olhos com retinopatia diabética não proliferativa grave.
Palavras-chave: Fenilefrina; Midríase; Neuropatias diabéticas; Retinopatia diabética; Tropicamida

