Rev Bras Oftalmol.2025;84:e0033
Perfil clínico-epidemiológico, fatores de risco e qualidade de vida de pacientes com disfunção das glândulas de meibomius
DOI: 10.37039/1982.8551.20250033
RESUMO
Objetivo:
Investigar perfil clínico-epidemiológico, fatores de risco e qualidade de vida de pacientes com disfunção das glândulas de meibomius.
Métodos:
Foram estudados prospectivamente 108 pacientes. Sintomas de olho seco, alterações palpebrais e função secretora foram analisados. Exames laboratoriais incluíram glicemia, hemoglobina glicada, colesterol e triglicérides. A qualidade de vida foi estudada por meio do Ocular Surface Disease Index©.
Resultados:
A média de idade foi 53,6 ± 17,9 anos, a maioria era do sexo feminino (69,4%), com antecedentes ginecológicos (82,7%), cardiovasculares (46,3%) e histórico de doença cardiovascular (80,6%). Os sintomas eram leves (28,7%) ou moderados (38%); a maioria dos pacientes tinha margem palpebral espessada grau leve (44,4%) e todas as glândulas funcionantes (50,9%). A gravidade clínica foi leve (34,3%), moderada (34,3%) e grave (31,4%). Em 11,3 e 19,6% dos pacientes, níveis de glicemia e hemoglobina glicada, respectivamente, estavam elevados. Houve associação entre gravidade clínica e antecedentes ginecológicos (p = 0,001), cardiovasculares (p = 0,006) e qualidade de vida (p < 0,001).
Conclusões:
A disfunção das glândulas de meibomius prevalece no sexo feminino e na quinta década de vida. A maioria dos pacientes apresentou todas as glândulas de meibomius funcionantes. Níveis de glicemia e perfil lipídico podem se mostrar alterados nesses pacientes. A maioria deles apresentou pior qualidade de vida. Houve associação entre gravidade clínica e antecedentes ginecológicos, cardiovasculares e qualidade de vida.
Palavras-chave: Disfunção da glândula tarsal; Epidemiologia; Fatores de risco; Qualidade de vida; Síndromes do olho seco
