Rev Bras Oftalmol.2025;84:e0002
Prevalência de erros refracionais e fatores associados em crianças no período pré-pandemia da COVID-19 na Região Sul do Brasil
DOI: 10.37039/1982.8551.2025.0002
RESUMO
Objetivo:
Avaliar a prevalência de erros refracionais em crianças e sua associação com faixa etária, sexo cor de pele/raça em período pré-pandemia.
Métodos:
Este estudo retrospectivo transversal analisou dados de 1.086 crianças com idade média de 9,1 (zero a 15 anos) submetidas a exame de refração sob cicloplegia entre os anos de 2015 e 2019. Miopia foi definida como equivalente esférico −0,50 dioptrias (D) ou mais; hipermetropia como +2,0D e astigmatismo −0,50 D. Os equivalentes esféricos ainda foram subdivididos em grupos, conforme valores em dioptrias, e correlacionados com as variáveis coletadas.
Resultados:
Houve maior prevalência de indivíduos do gênero feminino (52,4%), na faixa etária de 6 a 10 anos (63,0%) e de cor de pele/raça branca (54,9%). O astigmatismo foi o erro refracional mais prevalente em todas as faixas etárias (27,3%), a miopia esteve presente em 14,8% da amostra e e a hipermetropia em 6,6%. Houve associação entre a faixa etária > 11 anos e prevalência de miopia e astigmatismo. Não houve associação entre os erros refracionais com as variáveis gênero, cor da pele/raça e queixas clínicas dos participantes.
Conclusão:
A prevalência de astigmatismo e miopia foi maior que em outras regiões do mundo. Os dados foram coletados num período pré-pandemia da COVID-19. Mais estudos poderiam contribuir para análise especialmente da progressão miópica nessa faixa etária, considerando as mudanças comportamentais em relação ao uso de telas e redução de atividades ao ar livre desta população.
Palavras-chave: Brasil; Fatores sociodemográficos; Criança; Erros de refração; Fatores sociodemográficos; Pandemias; Pré-escolar; Prevalência

