Rev Bras Oftalmol.2025;84:e0051
Relação entre pterígio e erro biométrico no cálculo de lentes intraoculares para cirurgia de catarata
DOI: 10.37039/1982.8551.20250051
RESUMO
Objetivo:
Avaliar o efeito do pterígio em diferentes fórmulas biométricas de cálculo de lente intraocular.
Métodos:
Trata-se de um estudo intervencionista, prospectivo e não randomizado. Foram incluídos pacientes submetidos à cirurgia de pterígio e que realizaram exame biométrico antes e 1 mês após a cirurgia. Comparamos a variabilidade média entre essas medidas em cada fórmula da lente intraocular. Classificamos os pacientes de acordo com o sistema de estadiamento TAN e avaliamos o efeito da magnitude do pterígio na variabilidade biométrica.
Resultados:
Foram incluídos 25 olhos (25 pacientes, 17 mulheres), dos quais 16 apresentavam TAN grau 2 (64%). Houve diferença significativa entre K1 pré e pós-operatório (+0,88D; p < 0,01), astigmatismo (-0,62D; p < 0,01) e comprimento axial (+0,02 mm; p = 0,03). Todas as fórmulas calcularam uma lente intraocular esférica-alvo inferior no pós-operatório em comparação com os cálculos pré-operatórios, e essa variação foi correlacionada com a largura do pterígio. Embora a Barrett Universal II tenha apresentado a menor variância entre as fórmulas biométricas, não houve diferença estatisticamente significativa entre elas (p = 0,172). Pterígios maiores que 1,85 mm apresentaram diferença de pelo menos 0,5 D nos cálculos de potência da lente intraocular.
Conclusão:
O pterígio afeta o cálculo biométrico, e esse efeito está correlacionado com a largura do pterígio. A Barrett Universal II é uma fórmula biométrica com menor alteração após cirurgia de pterígio, sugerindo melhores resultados para cirurgia de catarata. Pterígios maiores que 1,85 mm foram relacionados a pelo menos 0,5 D de variação nos cálculos de potência da lente intraocular. Nesses casos, sugerimos a realização da cirurgia de pterígio antes da cirurgia de catarata.
Palavras-chave: Biometria; Extração de catarata; Lentes intraoculares; Pterígio

