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<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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	<front>
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			<journal-id journal-id-type="publisher-id">rbof</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Revista Brasileira de Oftalmologia</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. bras.oftalmol.</abbrev-journal-title>
			</journal-title-group>
			<issn pub-type="ppub">0034-7280</issn>
			<issn pub-type="epub">1982-8551</issn>
			<publisher>
				<publisher-name>Sociedade Brasileira de Oftalmologia</publisher-name>
			</publisher>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.37039/1982.8551.20260029</article-id>
			<article-id pub-id-type="other">01004</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Artigo de Revisão</subject>
				</subj-group>
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			<title-group>
				<article-title>Perda da visão adquirida e conceito de autoimagem: experiência segundo o gênero – Uma revisão de escopo</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>Acquired vision loss and self-image concept: lived experience according to gender – A scoping review</trans-title>
				</trans-title-group>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0009-0001-3176-130X</contrib-id>
					<name>
						<surname>Duarte</surname>
						<given-names>Cátia Isabel Marranita dos Santos</given-names>
					</name>
					<role>contribuiu na concepção e delineamento do estudo</role>
					<role>análise e interpretação dos resultados</role>
					<role>redação e revisão crítica do conteúdo do manuscrito</role>
					<role>aprovaram a versão final do manuscrito e são responsáveis por todos os seus aspectos, incluindo a garantia de sua precisão e integridade</role>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>1</sup></xref>
					<xref ref-type="corresp" rid="c1"/>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0009-0000-6540-9956</contrib-id>
					<name>
						<surname>Mesquita</surname>
						<given-names>Isabel Cristina Boavida</given-names>
					</name>
					<role>contribuiram na concepção e delineamento do estudo e revisão crítica do conteúdo do manuscrito</role>
					<role>aprovaram a versão final do manuscrito e são responsáveis por todos os seus aspectos, incluindo a garantia de sua precisão e integridade</role>
					<xref ref-type="aff" rid="aff2"><sup>2</sup></xref>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0009-0009-5247-4594</contrib-id>
					<name>
						<surname>Dias</surname>
						<given-names>Cecília Raquel Cavaco</given-names>
					</name>
					<role>contribuiram na concepção e delineamento do estudo e revisão crítica do conteúdo do manuscrito</role>
					<role>aprovaram a versão final do manuscrito e são responsáveis por todos os seus aspectos, incluindo a garantia de sua precisão e integridade</role>
					<xref ref-type="aff" rid="aff2"><sup>2</sup></xref>
				</contrib>
				<aff id="aff1">
					<label>1</label>
					<institution content-type="orgname">Universidade Católica Portuguesa</institution>
					<institution content-type="orgdiv1">Instituto de Ciências da Saúde</institution>
					<addr-line>
						<named-content content-type="city">Lisboa</named-content>
					</addr-line>
					<country country="PT">Portugal</country>
					<institution content-type="original">Instituto de Ciências da Saúde, Universidade Católica Portuguesa, Lisboa, Portugal.</institution>
				</aff>
				<aff id="aff2">
					<label>2</label>
					<institution content-type="orgname">Unidade Local de Saúde Almada-Seixal</institution>
					<institution content-type="orgdiv1">Centro de Responsabilidade Integrada de Oftalmologia</institution>
					<addr-line>
						<named-content content-type="city">Pragal</named-content>
						<named-content content-type="state">Setúbal</named-content>
					</addr-line>
					<country country="PT">Portugal</country>
					<institution content-type="original">Centro de Responsabilidade Integrada de Oftalmologia, Unidade Local de Saúde Almada-Seixal, Pragal, Setúbal, Portugal.</institution>
				</aff>
			</contrib-group>
			<author-notes>
				<corresp id="c1">
					<label>Autor correspondente:</label> Cátia Isabel Marranita dos Santos Duarte E-mail: <email>catia_marranita@hotmail.com</email>
				</corresp>
				<fn fn-type="coi-statement">
					<label>Conflitos de interesse:</label>
					<p>não há conflitos de interesses.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="edited-by">
					<label>Editor associado:</label>
					<p>Ricardo Augusto Paletta Guedes Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, MG, Brasil. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0002-9451-738X">https://orcid.org/0000-0002-9451-738X</ext-link>
					</p>
				</fn>
			</author-notes>
			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>08</day>
				<month>04</month>
				<year>2026</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<year>2026</year>
			</pub-date>
			<volume>85</volume>
			<elocation-id>e0029</elocation-id>
			<history>
				<date date-type="received">
					<day>21</day>
					<month>07</month>
					<year>2025</year>
				</date>
				<date date-type="accepted">
					<day>26</day>
					<month>12</month>
					<year>2025</year>
				</date>
			</history>
			<permissions>
				<copyright-statement>Copyright ©2026</copyright-statement>
				<copyright-year>2026</copyright-year>
				<copyright-holder>The Author(s)</copyright-holder>
				<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" xml:lang="en">
					<license-p>All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<sec>
					<title>Introdução:</title>
					<p>As imagens visuais desempenham um papel central na organização da cognição social, da autonomia funcional e da identidade pessoal. A perda de visão adquirida constitui uma experiência potencialmente disruptiva, com repercussões que ultrapassam a dimensão sensorial e interferem nos processos de construção e reconstrução da autoimagem.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Objetivo:</title>
					<p>Considerando a relevância deste constructo e a influência dos determinantes socioculturais associados ao gênero, esta revisão de escopo teve como objetivo mapear a evidência científica disponível sobre a relação entre a perda visual adquirida e a perceção da autoimagem em homens e mulheres.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Métodos:</title>
					<p>A revisão foi conduzida de acordo com a metodologia do Joanna Briggs Institute, com protocolo registado na Open Science Framework. A pesquisa bibliográfica incluiu as bases de dados Medline Complete, Scopus e Web of Science, complementada por literatura cinzenta, contemplando estudos publicados em português, inglês e espanhol.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Resultados:</title>
					<p>Após o processo de seleção, cinco estudos foram incluídos na análise. Os resultados indicam que a perda de visão adquirida afeta múltiplas dimensões da vida, nomeadamente a autonomia, as atividades de vida diária, o bem-estar psicossocial e as relações interpessoais. Contudo, a literatura disponível aborda de forma indireta e limitada a perceção da autoimagem no contexto da cegueira, sendo particularmente escassa a análise sensível ao gênero.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Conclusão:</title>
					<p>Esta lacuna evidencia a necessidade de investigação futura que explore, de forma aprofundada, as vivências subjetivas associadas à autoimagem após a perda visual adquirida, contribuindo para o desenvolvimento de intervenções mais humanizadas, integradas e centradas na pessoa, com impacto positivo na qualidade de vida.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Open Science Framework (OSF) registry:</title>
					<p>10.17605/OSF.IO/GD4BU</p>
				</sec>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<sec>
					<title>Introduction:</title>
					<p>Visual images play a fundamental role in social cognition, functional autonomy, and personal identity. Acquired vision loss represents a potentially disruptive experience, with consequences that extend beyond sensory impairment and affect the processes through which self-image is constructed and reconstructed.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Objective:</title>
					<p>Given the relevance of this construct and the influence of sociocultural determinants related to gender, this scoping review aimed to map the existing scientific evidence on the relationship between acquired vision loss and self-image perception in men and women.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Methods:</title>
					<p>The review was conducted in accordance with the Joanna Briggs Institute methodology, with the protocol registered on the Open Science Framework. A comprehensive search was carried out in Medline Complete, Scopus, and Web of Science, complemented by grey literature, including studies published in Portuguese, English, and Spanish.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Results:</title>
					<p>Five studies met the inclusion criteria and were analysed. The findings indicate that acquired vision loss impacts multiple areas of life, particularly autonomy, activities of daily living, psychosocial well-being, and interpersonal relationships. However, the available literature addresses self-image perception only indirectly, and gender-sensitive analyses remain notably scarce.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Conclusion:</title>
					<p>This evidence gap highlights the need for future research exploring the subjective experience of self-image following acquired vision loss. Such knowledge is essential to inform the development of more humanised, integrated, and person-centred interventions, aimed at promoting identity preservation and improving quality of life.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Open Science Framework (OSF) registry:</title>
					<p>10.17605/OSF.IO/GD4BU</p>
				</sec>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Descritores:</title>
				<kwd>Autoconceito</kwd>
				<kwd>Deficiência Visual</kwd>
				<kwd>Cegueira</kwd>
				<kwd>Identidade de gênero</kwd>
				<kwd>Qualidade de Vida</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Self-concept</kwd>
				<kwd>Visual impairment</kwd>
				<kwd>Blindness</kwd>
				<kwd>Gender identity</kwd>
				<kwd>Quality of life</kwd>
			</kwd-group>
			<funding-group>
				<funding-statement><bold>Fonte de auxílio à pesquisa:</bold> trabalho não financiado.</funding-statement>
			</funding-group>
			<counts>
				<fig-count count="2"/>
				<table-count count="4"/>
				<equation-count count="0"/>
				<ref-count count="13"/>
			</counts>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>INTRODUÇÃO</title>
			<p>A visão tem sido destacada como uma das principais áreas de preocupação no <italic>World Report on Vision</italic>, da Organização Mundial da Saúde (OMS).<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>)</sup></p>
			<p>A incidência de condições que culminam em perda de visão – muitas vezes bilateral – aumenta com a idade e apresenta implicações profundas, não só na autonomia do indivíduo, mas também na forma como ele se relaciona com o meio envolvente e consigo próprio.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>)</sup></p>
			<p>Embora o impacto da deficiência visual na autonomia tenha sido amplamente estudado,<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref>)</sup> o modo como os indivíduos reconstroem e reavaliam sua autoimagem após a perda de visão continua a ser pouco explorado.</p>
			<p>Entende-se por autoimagem a &quot;perceção que a pessoa tem de si, sendo definida em termos de uma constelação de pensamentos, sentimentos e ações acerca do relacionamento do indivíduo com outras pessoas, bem como acerca do eu como uma entidade distinta dos outros&quot;.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>)</sup></p>
			<p>Verificar a existência dessa lacuna na literatura motivou a realização de uma revisão de escopo, com o objetivo de compreender de que forma a perda bilateral da visão influencia a construção da autoimagem e se esse impacto difere entre homens e mulheres.</p>
			<p>Aprofundar o conhecimento sobre esse fenômeno é essencial para justificar a necessidade de investigação exploratória futura e para sustentar estratégias de cuidados mais holísticas e centradas na pessoa, capazes de melhorar a qualidade de vida dos indivíduos que vivem com perda de visão irreversível.</p>
			<p>A forma como os indivíduos percecionam e interpretam seu corpo tem assumido um papel central na compreensão da saúde mental e do bem-estar psicológico. A denominada imagem corporal constitui um construto psicológico complexo, dinâmico e multifatorial, englobando dimensões percetivas, cognitivas, emocionais e comportamentais relacionadas com a aparência física. Para além da componente visual, essa vivência é profundamente influenciada por contextos culturais, sociais e históricos, que moldam a forma como o corpo é experienciado ao longo da vida.</p>
			<p>Embora a evidência atual reconheça que homens e mulheres são ambos suscetíveis a dificuldades associadas à imagem corporal, os dados disponíveis continuam a indicar que as mulheres apresentam taxas mais elevadas de insatisfação, frequentemente associadas a impactos significativos na autoestima, nas relações interpessoais e na qualidade de vida. Já nos homens, embora existam preocupações crescentes, estas tendem a manifestar-se com menor intensidade e menor expressão clínica.</p>
			<p>Desse modo, torna-se essencial aprofundar o conhecimento em torno desse fenômeno, sobretudo em contextos de perda de visão adquirida ao longo da vida, uma vez que interfere na perceção corporal. Tal compreensão pode sustentar o desenvolvimento de intervenções integradas e sensíveis ao gênero, capazes de responder de forma mais eficaz às necessidades emocionais e identitárias da pessoa em situação de vulnerabilidade sensorial.</p>
			<p>A realização de uma revisão de escopo ligada a esta problemática teve como objetivos: mapear o conhecimento existente sobre como é afetada a perceção da autoimagem nas mulheres e nos homens face à perda irreversível da visão; e compreender qual o impacto que a alteração da perceção da autoimagem tem na vida da pessoa com défice visual bilateral adquirido.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="methods">
			<title>MÉTODOS</title>
			<p>Tendo como intuito responder à questão de investigação: &quot;Como é afetada a perceção de autoimagem, nas mulheres e nos homens, face à perda total e irreversível da visão?&quot;, foi realizada uma <italic>revisão de escopo</italic> segundo o Protocolo <italic>Joana Briggs Institute</italic> (JBI)<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>)</sup> e registada no <italic>Open Science Framework</italic> (OSF) com o número 10.17605/OSF.IO/GD4BU.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>)</sup></p>
			<sec>
				<title>Critérios de inclusão e exclusão</title>
				<p>Os critérios de inclusão tiveram em conta o tipo de revisão PCC (<italic>População, Conceito e Contexto</italic>):</p>
				<list list-type="bullet">
					<list-item>
						<p>População: gênero; acima dos 18 anos.</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>Conceito: autoimagem.</p>
					</list-item>
					<list-item>
						<p>Contexto: perda de visão bilateral adquirida.</p>
					</list-item>
				</list>
				<p>Nesta revisão, incluíram-se estudos em português, inglês ou espanhol. Como critérios de exclusão foram definidos trabalhos científicos que abordassem condição de défice visual unilateral, reversíveis, ou situações de cegueira congênita.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Estratégia de busca</title>
				<p>Foram definidos os termos livres e descritores <italic>Mesh</italic> associados aos três conceitos centrais da pesquisa, que constam na <xref ref-type="table" rid="t1">tabela 1</xref>.</p>
				<table-wrap id="t1">
					<label>Tabela 1</label>
					<caption>
						<title>Descritores</title>
					</caption>
					<table frame="hsides" rules="groups">
						<colgroup width="33%">
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
							<tr style="background-color:#124C76">
								<th align="left" style="color:#FFFFFF;" valign="middle"><italic>Concepts</italic></th>
								<th align="left" style="color:#FFFFFF;" valign="middle"><italic>Free Terms</italic></th>
								<th align="left" style="color:#FFFFFF;" valign="middle"><italic>MeSH</italic></th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
							<tr style="background-color:#FDF8D9">
								<td align="left" valign="top"><italic>Concept 1</italic></td>
								<td align="left" valign="top"><italic>Self image</italic></td>
								<td align="left" valign="top"><italic>Concept, self</italic><break/><italic>Self-perception</italic></td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#124C76">
								<td align="left" colspan="3" style="color:#FFFFFF;" valign="top"><italic><bold>AND</bold></italic></td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#EDEDED">
								<td align="left" valign="top"><italic>Concept 2</italic></td>
								<td align="left" valign="top"><italic>Blind</italic></td>
								<td align="left" valign="top"><italic>Vision Disorders</italic><break/><italic>Vision, low</italic><break/><italic>Vison disabilities</italic><break/><italic>Blind</italic></td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#124C76">
								<td align="left" colspan="3" style="color:#FFFFFF;" valign="top"><italic><bold>AND</bold></italic></td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#FDF8D9">
								<td align="left" valign="top"><italic>Concept 3</italic></td>
								<td align="left" valign="top"><italic>Adquired</italic></td>
								<td align="left" valign="top"/>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
				<p>A pesquisa bibliográfica foi conduzida com base na identificação dos descritores nos campos de título, resumo e termos indexados. Para a realização desta revisão de escopo, foram selecionadas as bases de dados Medline® <italic>Complete</italic>, Scopus e <italic>Web of Science Complete</italic>, complementadas com a consulta de literatura cinzenta por meio da plataforma Google Scholar (<xref ref-type="table" rid="t2">Tabela 2</xref>).</p>
				<table-wrap id="t2">
					<label>Tabela 2</label>
					<caption>
						<title>Resumo da pesquisa realizada nas bases de dados</title>
					</caption>
					<table frame="hsides" rules="groups">
						<colgroup width="33%">
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
							<tr style="background-color:#124C76">
								<th align="left" style="color:#FFFFFF;" valign="middle"><italic>Databases</italic></th>
								<th align="left" style="color:#FFFFFF;" valign="middle"><italic>Expression</italic></th>
								<th align="left" style="color:#FFFFFF;" valign="middle"><italic>Results</italic></th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
							<tr style="background-color:#EDEDED">
								<td align="left" valign="top">Medline<italic>®</italic> Complete</td>
								<td align="left" valign="top">(TI acquired OR AB acquired) AND (TI (blind* OR &quot;low vision&quot; OR &quot;visual disorders&quot; OR &quot;visual disabilities&quot;) OR AB (blind* OR &quot;low vision&quot; OR &quot;visual disorders&quot; OR &quot;visual disabilities&quot;)) AND (TI (&quot;Self-concept&quot; OR &quot;Self concept&quot; OR &quot;Self-perception*&quot; OR &quot;Self Perception*&quot; OR &quot;Self-image&quot; OR &quot;self image&quot;) OR AB (&quot;Self-concept&quot; OR &quot;Self concept&quot; OR &quot;Self-perception*&quot; OR &quot;Self Perception*&quot; OR &quot;Self-image&quot; OR &quot;self image&quot;))</td>
								<td align="left" valign="top">2</td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#FDF8D9">
								<td align="left" valign="top">Scopus</td>
								<td align="left" valign="top">(TITLE-ABS-KEY (blind* OR &quot;low vision&quot; <italic>OR</italic> &quot;visual disorders&quot; <italic>OR</italic> &quot;visual disabilities&quot; <italic>)) AND (TITLE-ABS-KEY (acquired)) AND (TITLE-ABS-KEY (</italic> &quot;self-concept&quot; <italic>OR</italic> &quot;self concept&quot; <italic>OR</italic> &quot;self perception*&quot; <italic>OR</italic> &quot;Self-perception*&quot; <italic>OR</italic> &quot;self-image&quot; <italic>OR</italic> &quot;self image&quot; <italic>))</italic></td>
								<td align="left" valign="top">24</td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#EDEDED">
								<td align="left" valign="top">Web of Science</td>
								<td align="left" valign="top">(&quot;Self-concept&quot; OR &quot;Self concept&quot; OR &quot;Self-perception*&quot; OR &quot;Self Perception*&quot; OR &quot;Self-image&quot; OR &quot;self image&quot; <italic>(Title) or</italic> &quot;Self-concept&quot; OR &quot;Self concept&quot; OR &quot;Self-perception*&quot; OR &quot;Self Perception*&quot; OR &quot;Self-image&quot; OR &quot;self image&quot; <italic>(Abstract)) AND (blind* OR</italic> &quot;low vision&quot; OR &quot;visual disorders&quot; OR &quot;visual disabilities&quot; <italic>(Title) or blind* OR</italic> &quot;low vision&quot; OR &quot;visual disorders&quot; OR &quot;visual disabilities&quot; <italic>(Abstract)) AND (acquired (Title) or acquired (Abstract))</italic></td>
								<td align="left" valign="top">3</td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#FDF8D9">
								<td align="left" valign="top">Google Scholar</td>
								<td align="left" valign="top">((Title) (&quot;Self-Image&quot; OR &quot;Self-Concept&quot; OR &quot;Self-perception&quot;) AND (&quot;Vision Disorders&quot; OR &quot;low Vison&quot; OR &quot;Vision disabilities&quot; OR &quot;Blind&quot;) AND &quot;Acquired&quot;))</td>
								<td align="left" valign="top">0</td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#EDEDED">
								<td align="left" valign="top">Duplicados</td>
								<td align="left" valign="top"/>
								<td align="left" valign="top">2</td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#FDF8D9">
								<td align="left" valign="top">Total</td>
								<td align="left" valign="top"/>
								<td align="left" valign="top">27</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</sec>
			<sec>
				<title>Seleção dos estudos</title>
				<p>Após a realização da pesquisa nas bases de dados, os artigos identificados foram compilados e inseridos na plataforma de revisões sistemáticas Rayyan, utilizada para otimizar o processo de triagem. Os estudos duplicados foram inicialmente removidos. A triagem dos títulos e resumos foi realizada de forma independente por dois revisores, com base nos critérios de inclusão previamente estabelecidos, intervindo um terceiro revisor em caso de discordância, garantindo a fiabilidade do processo. Os estudos considerados potencialmente elegíveis nesta fase foram posteriormente submetidos à leitura integral, igualmente realizada de forma independente por dois revisores, de modo a confirmar a sua adequação à questão de investigação, com recurso ao terceiro revisor se necessário.</p>
				<p>No total, foram inicialmente identificados 29 estudos. Após a eliminação de duplicados, 27 artigos foram avaliados, dos quais 9 cumpriram os critérios de elegibilidade para leitura integral. Destes, quatro artigos foram finalmente incluídos nessa revisão de escopo. A extração dos dados foi realizada utilizando uma <italic>Data Extraction Tool</italic>.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B8">8</xref>)</sup></p>
				<p>A seleção dos estudos foi realizada com base em sua conformidade com a questão de investigação, na relevância para a população-alvo e na pertinência em relação ao fenômeno em análise. A análise e o tratamento de dados foram realizados com o auxílio do <italic>software NVivo</italic>.</p>
				<p>A codificação assentou em dimensões encontradas na literatura, inerentes à perda de visão, como os fatores inibidores de bem-estar social, as estratégias de adaptação, o impacto nas Atividades de Vida Diárias (AVD), o sentimento face à condição de cegueira ou deficiência visual grave bilateral, e o impacto psicossocial; bem como na dimensão das capacidades cognitivas associadas à visão.</p>
				<p>No delineamento da estratégia de pesquisa desta revisão de escopo, optou-se por não incluir inicialmente o descritor &quot;género&quot;, uma vez que, na fase exploratória, não foram identificados estudos que relacionassem simultaneamente os conceitos de autoimagem, autoconceito ou autoestima com a perda de visão adquirida após os 18 anos e com o género masculino ou feminino. Perante esta ausência de evidência direta, a pesquisa inicial foi conduzida nas bases de dados científicas e na literatura cinzenta, conforme previamente descrito, privilegiando a identificação de estudos que abordassem a perda de visão adquirida e os seus impactos nos conceitos definidos no escopo desta revisão.</p>
				<p>Com o objetivo de contextualizar teoricamente a dimensão da autoimagem à luz das diferenças de género, e reconhecendo que estes constructos são dinâmicos e sujeitos a variações socioculturais ao longo do tempo, procedeu-se a uma segunda fase de pesquisa complementar. Esta pesquisa foi realizada na plataforma Google Scholar, restringindo-se aos últimos 15 anos, e incidiu sobre estudos que relacionassem os conceitos de autoimagem, autoestima ou autoconceito com o género, através da análise dos títulos. Embora esta estratégia tenha permitido identificar um número alargado de publicações, 209 artigos, apenas 2 estudos revelaram pertinência conceptual e metodológica para o enquadramento do fenómeno em análise, tendo sido selecionados para integração no corpo da revisão.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="results">
			<title>RESULTADOS</title>
			<p>Os resultados da pesquisa e o processo de seleção dos estudos encontram-se apresentados no <italic>Prisma Flow Diagram</italic> (<xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref>).<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B9">9</xref>)</sup></p>
			<fig id="f1">
				<label>Figura 1</label>
				<caption>
					<title>Processo de seleção dos estudos.</title>
				</caption>
				<graphic xlink:href="0034-7280-rbof-85-e0029-gf01.tif"/>
			</fig>
			<sec>
				<title>Deficiência visual grave bilateral</title>
				<p>Dos artigos selecionados através descritores que constam na <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>, foram incluídos dois estudos primários e duas revisões. Nenhum dos estudos incluídos relaciona de forma direta a cegueira por perda de visão grave bilateral com questões associadas à autoimagem e às implicações de gênero. No entanto, optou-se por incluir esses artigos, uma vez que abordam temáticas que se relacionam de forma indireta com a autoimagem, nomeadamente no que respeita à autoestima, à identidade e à personalidade (<xref ref-type="table" rid="t3">Tabela 3</xref>).</p>
				<table-wrap id="t3">
					<label>Tabela 3</label>
					<caption>
						<title>Artigos incluídos na <italic>revisão</italic></title>
					</caption>
					<table frame="hsides" rules="groups">
						<colgroup width="20%">
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
							<tr style="background-color:#124C76">
								<th align="left" style="color:#FFFFFF;" valign="middle">Referência</th>
								<th align="left" style="color:#FFFFFF;" valign="middle">Título</th>
								<th align="left" style="color:#FFFFFF;" valign="middle">Tipo de estudo</th>
								<th align="left" style="color:#FFFFFF;" valign="middle">Número de participantes</th>
								<th align="left" style="color:#FFFFFF;" valign="middle">População</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
							<tr style="background-color:#EDEDED">
								<td align="left" valign="top">Nyman et al.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>)</sup></td>
								<td align="left" valign="top"><italic>Emotional well-being and adjustment to vision loss in later life: A meta-synthesis of qualitative studies</italic></td>
								<td align="left" valign="top">Revisão de literatura (17 artigos)</td>
								<td align="left" valign="top">538 participantes</td>
								<td align="left" valign="top">Pessoas com cegueira (acima dos 60 anos)</td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#FDF8D9">
								<td align="left" valign="top">Arioli et al.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B10">10</xref>)</sup></td>
								<td align="left" valign="top"><italic>Social cognition in the blind brain: A coordinate-based meta-analysis</italic></td>
								<td align="left" valign="top">Metanálise 17 artigos</td>
								<td align="left" valign="top">212 participantes</td>
								<td align="left" valign="top">Privação visual numa população mais jovem.<break/> Idades entre 20-65 anos</td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#EDEDED">
								<td align="left" valign="top">Senra et al.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>)</sup></td>
								<td align="left" valign="top"><italic>From self-awareness to self-identification with visual impairment: a qualitative study with working age adults at a rehabilitation setting Disease</italic></td>
								<td align="left" valign="top">Estudo transversal qualitativo: entrevistas semiestruturadas</td>
								<td align="left" valign="top">38 participantes</td>
								<td align="left" valign="top">Perda de visão após os 18 anos</td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#FDF8D9">
								<td align="left" valign="top">Scott. <sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref>)</sup></td>
								<td align="left" valign="top"><italic>The Making of blind men: A Study of adult socialization</italic></td>
								<td align="left" valign="top">Análise dcumental; entrevistas</td>
								<td align="left" valign="top">Mais de 200 participantes</td>
								<td align="left" valign="top">Pessoas com cegueira congênita e cegueira adquirida</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</sec>
			<sec>
				<title>Visão e a cognição social</title>
				<p>A visão assume um papel estruturante na construção e no exercício da cognição social. Grande parte das competências interpessoais desenvolve-se com base na interpretação de sinais visuais, como os movimentos oculares, as expressões faciais e a linguagem não verbal.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B10">10</xref>)</sup> A habilidade para captar essas pistas e interpretar os estados mentais de terceiros é um elemento-chave para a adaptação social e a comunicação eficaz.</p>
				<p>Entre os diversos estímulos do meio, o rosto humano e a direção do olhar destacam-se como fontes particularmente ricas de informação social, permitindo uma leitura subtil das intenções, emoções e disposições dos outros. Ainda que os gestos também representem sinais relevantes nesse processo, sua descodificação está fortemente dependente da perceção visual.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B10">10</xref>)</sup></p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Deficiência visual grave bilateral ou cegueira e Atividades de Vida Diárias</title>
				<p>A análise dos dados evidencia que a perda de independência surge como a consequência mais marcante e desafiante da deficiência visual adquirida, sendo transversalmente referida pelas fontes consultadas. Essa limitação impõe mudanças substanciais na rotina e na autonomia das pessoas afetadas, obrigando-as frequentemente a abdicar de atividades essenciais da vida diária, como a condução, a leitura, a escrita e o exercício de sua atividade profissional.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>)</sup></p>
				<p>Entre os artigos analisados, a dificuldade em abandonar a condução destaca-se como um dos aspetos significativos, por simbolizar uma rutura com a liberdade de deslocação e com a gestão do quotidiano.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>)</sup> A interrupção de projetos de vida e o abandono de atividades de lazer anteriormente valorizadas são também apontados como repercussões frequentes dessa perda funcional.</p>
				<p>A deficiência visual conduz igualmente a um aumento da necessidade de apoio externo, com maior dependência de cuidados formais e informais. Nesse contexto, o comportamento excessivamente protetor por parte de familiares e cuidadores pode, por vezes, reforçar sentimentos de inutilidade ou incompetência, dificultando o esforço de manutenção da autonomia por parte da pessoa.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>)</sup></p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Impacto psicossocial da perda de visão</title>
				<p>A análise dos testemunhos e da evidência recolhida demonstra que a perda de visão tem repercussões profundas ao nível psicossocial, afetando tanto a participação em atividades diárias como as interações sociais.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>)</sup> Os indivíduos, particularmente em idade avançada, referem uma quebra significativa na qualidade de suas relações interpessoais, motivada pela dificuldade em interpretar expressões faciais e sinais não verbais,<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>)</sup> o que gera constrangimento, insegurança e, por vezes, isolamento.</p>
				<p>Relatos de afastamento de amigos, perda de confiança em ambientes sociais e diminuição do contacto com os outros são recorrentes, criando um sentimento de solidão e abandono. A redução da mobilidade e a necessidade de apoio para deslocações comprometem ainda mais a capacidade de manter vínculos sociais e participar espontaneamente na comunidade.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>)</sup></p>
				<p>No plano das AVD, a perda de autonomia traduz-se na impossibilidade de continuar a realizar tarefas e passatempos significativos, como conduzir, viajar ou ler, o que provoca frustração, sentimentos de inutilidade e quebra na autoestima. A impossibilidade de manter os papéis sociais anteriormente assumidos leva, em muitos casos, à sensação de perda de identidade e liberdade pessoal.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>)</sup></p>
				<p>Esses dados sublinham que o impacto da deficiência visual ultrapassa largamente a dimensão sensorial, afetando de forma transversal o equilíbrio emocional, as relações sociais<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B10">10</xref>)</sup> e o sentido de controle sobre a própria vida.</p>
				<p>Ao longo da análise dos documentos, os sentimentos associados à perda de visão são múltiplos,<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B11">11</xref>)</sup> sendo os mais frequentes: frustração, tristeza, sentimento de perda e depressão (n = 3); ansiedade, medo, sensação de estar perdido, sensação de choque e estresse (n = 2); bem como aceitação, raiva, angústia, aborrecimento, sofrimento, desamparo, incompletude, insegurança, isolamento e solidão (n = 1) (<xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref>).</p>
				<fig id="f2">
					<label>Figura 2</label>
					<caption>
						<title>Palavras associadas aos sentimentos mais frequentemente enunciados nos textos.</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="0034-7280-rbof-85-e0029-gf02.tif"/>
				</fig>
			</sec>
			<sec>
				<title>Fatores inibidores de bem-estar social</title>
				<p>Os fatores inibidores do bem-estar social encontrados nos artigos analisados subdividem-se em três áreas distintas: Estigma Social (n = 6), Perceção de Fraude (n = 4) e Relutância em Pedir Ajuda. No Estigma Social, a deficiência visual é vista como um desafio à identidade, traduzindo-se em sentimentos de inferioridade e dificuldade em aceitar uma identidade desvalorizada pela sociedade, como é o caso da cegueira. Essa condição está frequentemente associada a conotações de vitimização, incapacidade ou fraqueza.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>)</sup> A não adesão a estratégias que permitam aumentar a autonomia, como o uso da bengala, deve-se, muitas vezes, à conotação social negativa atribuída a esses dispositivos auxiliares e à consequente tentativa de evitar chamar a atenção para sua condição visual.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>)</sup></p>
				<p>No que respeita à Perceção de Fraude, os artigos incluídos relatam esse tipo de julgamento tanto por parte da própria pessoa, sobretudo quando, apesar do diagnóstico de cegueira, ainda exista alguma visão residual; como da parte da família e/ou sociedade, que frequentemente duvidam da veracidade do diagnóstico. Essa descrença contribui para o isolamento social.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>)</sup></p>
				<p>Quanto à relutância em pedir ajuda, encontra-se fundamentada pelo sentimento de vergonha, orgulho e necessidade de manter sua autoestima, face à crescente dependência de terceiros.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>)</sup></p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Estratégias de adaptação face à perda de visão</title>
				<p>Na literatura analisada, são definidos os fatores limitantes da adaptação à nova condição (n = 5) e o processo de transição (n = 3).</p>
				<p>Como fatores limitantes do processo de adaptação destacam-se: a superproteção, o suporte social com uma base excessivamente protetora ou controladora e a recusa na utilização de dispositivos de apoio.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>)</sup></p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Autoimagem face à perda de visão</title>
				<p>A autoimagem engloba, em sua gênese, os sentimentos, os pensamentos e a forma como a pessoa se relaciona consigo própria e com o meio que a envolve.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>)</sup> Trata-se de um conceito multidimensional, pois compreende perceções físicas, cognitivas e afetivas; é subjetivo, por depender da valorização e da interpretação individuais das suas características; e está em constante mutação, podendo alterar-se ao longo da vida, em função das experiências vividas e do contexto social em que se insere. Nesse sentido, a perda de visão representa uma experiência com potencial significativo para alterar a perceção da autoimagem.</p>
				<p>A análise da bibliografia incluída neste estudo refere que a forma como as pessoas com cegueira experienciam e reconstroem sua autoimagem revela ser um processo multifacetado e profundamente influenciado pela interação social, pelas perceções externas e pelo percurso individual de adaptação à perda visual. Essa reconstrução identitária envolve não apenas aspetos internos de ajustamento, mas também a forma como o indivíduo se sente reconhecido e validado no contexto social em que se insere.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref>)</sup> A vivência da cegueira implica uma profunda reflexão sobre a própria identidade, capacidades e expectativas pessoais. A forma como cada indivíduo responde às representações sociais associadas à deficiência visual varia, podendo envolver aceitação, resistência ou reconstrução do autoconceito. A perda da visão tende a desencadear mudanças significativas na identidade e na forma como a pessoa projeta seu futuro, refletindo um processo de ajustamento complexo e individualizado.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref>)</sup></p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Autoimagem <italic>versus</italic> gênero</title>
				<p>Nos artigos incluídos com o objetivo de compreender melhor a importância da autoimagem e de que forma esta é percecionada e valorizada consoante o gênero, foi definido um limite temporal recente, uma vez a imagem corporal é um construto subjetivo, dinâmico e baseado em múltiplas dimensões, tendo sido incluídos os artigos que constam na <xref ref-type="table" rid="t4">tabela 4</xref>.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B12">12</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B13">13</xref>)</sup></p>
				<table-wrap id="t4">
					<label>Tabela 4</label>
					<caption>
						<title>Artigos incluídos para contextualização da Autoimagem <italic>versus</italic> Gênero</title>
					</caption>
					<table frame="hsides" rules="groups">
						<colgroup width="20%">
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
							<tr style="background-color:#124C76">
								<th align="left" style="color:#FFFFFF;" valign="middle">Referências</th>
								<th align="left" style="color:#FFFFFF;" valign="middle">Artigo</th>
								<th align="left" style="color:#FFFFFF;" valign="middle">Tipo de estudo</th>
								<th align="left" style="color:#FFFFFF;" valign="middle">Número de participantes/artigos</th>
								<th align="left" style="color:#FFFFFF;" valign="middle">População</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
							<tr style="background-color:#EDEDED">
								<td align="left" valign="top">Brennan et al.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B12">12</xref>)</sup></td>
								<td align="left" valign="top"><italic>Body Image Perceptions: Do Gender Differences Exist?</italic></td>
								<td align="left" valign="top">Estudo primário quantitativo</td>
								<td align="left" valign="top">197 pessoas</td>
								<td align="left" valign="top">Estudantes universitários</td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#FDF8D9">
								<td align="left" valign="top">Gualdi-Russo et al.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B13">13</xref>)</sup></td>
								<td align="left" valign="top"><italic>Sex Differences in Body Image Perception and Ideals: Analysis of Possible Determinants</italic></td>
								<td align="left" valign="top">Estudo primário transversal quantitativo</td>
								<td align="left" valign="top">960 pessoas</td>
								<td align="left" valign="top">Estudantes universitários</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
				<p>A imagem corporal nas mulheres é descrita como uma construção subjetiva e multifacetada, que integra perceções, pensamentos e emoções relacionadas com a aparência física. Apesar de afetar, também os homens, a insatisfação com o corpo revela-se mais prevalente e impactante nas mulheres, influenciando de forma significativa o seu bem-estar.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B12">12</xref>)</sup> Trata-se de um conceito dinâmico, que evolui em função de fatores individuais e socioculturais.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B13">13</xref>)</sup></p>
				<p>Na análise realizada, a imagem corporal compreende autoperceção (n = 2) e atitudes ou experiências inerentes à imagem corporal, como as atitudes associadas à autoimagem (n = 4), as condições associadas à perceção de autoimagem negativa (n = 8), os fatores socioculturais relacionados com a autoimagem (n = 2) e a a perceção de autoimagem em contextos sexuais (n = 5).</p>
				<p>A perceção da imagem corporal é influenciada por múltiplos fatores, incluindo características sociodemográficas, prática de atividade física, níveis de stresse e comportamentos alimentares. Essa perceção está frequentemente associada a alterações do comportamento alimentar e a vulnerabilidades do foro psicológico. O gênero surge como um fator determinante, sendo as mulheres particularmente suscetíveis à pressão para atingir padrões de magreza, amplamente veiculados pelos meios de comunicação social em contextos ocidentais.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B13">13</xref>)</sup></p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Atitudes ou experiências inerentes à imagem corporal</title>
				<sec>
					<title>Atitudes associadas à autoimagem: diferenças entre gêneros</title>
					<p>A forma como homens e mulheres se relacionam com a sua imagem corporal manifesta-se por atitudes distintas. Embora ambos os gêneros atribuam valor à aparência física, as mulheres tendem a demonstrar maior investimento emocional e cognitivo em sua imagem, refletindo uma maior preocupação com o julgamento externo.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B12">12</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B13">13</xref>)</sup> A avaliação da aparência, bem como a importância atribuída à conformidade com os padrões estéticos, tende a ser mais intensa entre as mulheres, o que se traduz em níveis mais elevados de insatisfação corporal <sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B12">12</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B13">13</xref>)</sup>. Nos homens, embora também exista valorização da aparência, o foco incide mais frequentemente em atributos como a força ou a definição muscular, expressando-se de forma diferente, mas igualmente significativa.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B12">12</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B13">13</xref>)</sup></p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Condições associadas à perceção negativa da autoimagem: expressão diferenciada por sexo</title>
					<p>A insatisfação com o corpo apresenta repercussões psicossociais relevantes tanto em homens como em mulheres, mas manifesta-se de forma diferenciada. Nas mulheres, observam-se com maior frequência sintomas depressivos, baixa autoestima e comportamentos de restrição alimentar, frequentemente orientados para a perda de peso.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B12">12</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B13">13</xref>)</sup> Nos homens, embora também possam surgir perturbações do comportamento alimentar, estas estão geralmente associadas ao desejo de aumentar a massa muscular, por vezes recorrendo a suplementos, esteroides ou práticas intensivas de exercício físico <sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B12">12</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B13">13</xref>)</sup>. Em ambos os casos, a perceção negativa do corpo compromete o bem-estar emocional e pode culminar na adoção de estratégias de controlo de peso potencialmente prejudiciais.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B12">12</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B13">13</xref>)</sup></p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Fatores socioculturais relacionados com à autoimagem: impacto diferenciado</title>
					<p>O contexto sociocultural influencia de forma marcada a construção da autoimagem, com efeitos particularmente acentuados nas mulheres. A pressão para atingir padrões corporais idealizados – especialmente o ideal de magreza – afeta de forma mais incisiva o público feminino, conduzindo a maior insatisfação corporal <sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B12">12</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B13">13</xref>)</sup>. Embora os homens também se sintam condicionados por modelos sociais de aparência, como o corpo musculado ou atlético, os estudos indicam que as mulheres experienciam com maior frequência sentimentos de inadequação e baixa autoestima <sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B12">12</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B13">13</xref>)</sup>. Essas diferenças são ainda mais evidentes em contextos sociais ou relacionais, onde o corpo é sujeito a escrutínio, como em conversas sobre aparência ou na presença de potenciais parceiros, sendo as mulheres mais vulneráveis ao impacto emocional desses momentos. <sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B12">12</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B13">13</xref>)</sup></p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Perceção da autoimagem em contextos sexuais: vulnerabilidades específicas por gênero</title>
					<p>A vivência da sexualidade é igualmente afetada pela perceção corporal, com implicações distintas entre homens e mulheres. As mulheres tendem a reportar maior desconforto com a exposição do corpo durante a intimidade, o que pode interferir com o desejo, a excitação e a espontaneidade sexual.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B12">12</xref>)</sup> A preocupação com a aparência durante a atividade sexual está fortemente associada a níveis reduzidos de autoestima corporal <sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B12">12</xref>)</sup>. Por outro lado, os homens com baixa estima corporal também revelam constrangimento significativo, sendo que, em alguns casos, a ansiedade perante a exposição física mostrou-se mais pronunciada do que nas mulheres <sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B12">12</xref>)</sup>. Esses dados sugerem que, embora ambos os gêneros estejam vulneráveis ao impacto da autoimagem na sexualidade, a forma como experienciam e expressam essa vulnerabilidade difere substancialmente, devendo ser considerada nas abordagens terapêuticas e educativas nesta área.</p>
				</sec>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="discussion">
			<title>DISCUSSÃO</title>
			<p>Os dados obtidos reforçam que a visão desempenha papel essencial na dinâmica da cognição social, permitindo a perceção de sinais não verbais cruciais à comunicação interpessoal. A interpretação de expressões faciais, os movimentos oculares e os gestos constituem a base para a compreensão das intenções e das emoções dos outros.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B10">10</xref>)</sup> Entre esses elementos, o rosto e o olhar emergem como fontes privilegiadas de informação social, cuja descodificação depende fortemente da integridade da perceção visual.</p>
			<p>Os dados analisados evidenciam de forma clara o impacto profundo que a deficiência visual exerce sobre a autonomia funcional das pessoas afetadas. A perda de visão compromete significativamente a capacidade de realizar tarefas do quotidiano de forma independente, conduzindo a um aumento da dependência de apoio externo,<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>)</sup> quer no âmbito formal (cuidados profissionais), quer informal (rede familiar e social).</p>
			<p>Atividades que requerem perceção visual fina e capacidade de orientação, como a condução ou o desempenho profissional, revelam-se especialmente desafiantes ou mesmo inviáveis.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>)</sup> Além disso, a mobilidade e a gestão das rotinas diárias tornam-se limitadas, gerando alterações profundas na organização da vida pessoal e social do indivíduo. Esses constrangimentos contribuem para uma redefinição do papel social da pessoa e exigem respostas adaptadas por parte dos sistemas de saúde e apoio comunitário.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref>)</sup></p>
			<p>Embora a perda visual interfira em múltiplas dimensões da vida, os textos analisados convergem ao destacar que a privação da independência pessoal representa o impacto mais profundo e transformador, exigindo adaptações significativas à nova condição sensorial, e à redefinição da autoimagem do indivíduo.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>)</sup></p>
			<p>A análise dos resultados evidencia que a perda da visão representa um fator determinante no comprometimento do bem-estar psicossocial, sobretudo entre a população idosa. A limitação visual associa-se frequentemente a uma redução significativa da participação em atividades do quotidiano e no envolvimento social, traduzindo-se numa quebra da autonomia e da perceção de utilidade pessoal.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B10">10</xref>)</sup></p>
			<p>Verificou-se que a deficiência visual está correlacionada com uma diminuição da qualidade de vida e com o aumento de indicadores de mal-estar emocional, nomeadamente ansiedade, sofrimento psicológico e sintomatologia depressiva. Esses efeitos parecem estar profundamente ligados à perda de independência funcional, componente essencial para a manutenção da autoestima e da perceção de controle sobre a própria vida.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>)</sup></p>
			<p>Adicionalmente, a dificuldade em reconhecer expressões faciais e captar sinais não verbais compromete a qualidade das interações interpessoais, favorecendo o distanciamento social.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref>)</sup> Esse afastamento pode resultar na perda de laços afetivos significativos, o que, por sua vez, interfere no sentido de pertença e na forma como o indivíduo se relaciona com sua identidade social. Assim, a privação visual não se limita a um fenômeno sensorial, mas impõe desafios profundos à construção e manutenção das relações sociais e à estabilidade emocional do sujeito.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B10">10</xref>)</sup></p>
			<p>Os dados analisados revelam que o estigma associado à deficiência visual constitui um fator relevante no modo como os indivíduos constroem sua identidade e se reposicionam socialmente. Sentimentos de inadequação, relutância em pedir ajuda<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>)</sup> e perceções de inferioridade emergem com frequência, afetando o bem-estar e a autovalorizarão.</p>
			<p>Muitos evitam recorrer a símbolos visíveis de deficiência, como a bengala, procurando distanciar-se de estereótipos sociais que os rotulam como frágeis. Essa tentativa de preservar a autoimagem, muitas vezes, traduz-se em isolamento social e em redução da participação nas atividades quotidianas.</p>
			<p>A incompreensão por parte de familiares e comunidade contribui para acentuar a solidão e a dificuldade em manter uma perceção positiva de si, gerando uma luta constante entre a necessidade de autonomia e o receio da rotulagem social.</p>
			<p>A autoimagem, enquanto construção psicológica subjetiva e dinâmica, assume um papel central na forma como os indivíduos se percecionam, valorizam-se e relacionam-se com os outros e com seu corpo. Essa perceção não é estática, sendo continuamente moldada por fatores internos – como a autoestima e a história pessoal – e externos, nomeadamente os contextos socioculturais e as interações sociais.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B12">12</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B13">13</xref>)</sup> Em situações de perda sensorial, como a cegueira adquirida, essa estrutura identitária é particularmente desafiada, exigindo um processo de reconstrução muitas vezes complexo e emocionalmente exigente.</p>
			<p>Os dados analisados sugerem que, após a perda de visão, os indivíduos enfrentam alterações significativas na sua autoimagem, quer pela dificuldade em manter referências visuais de si próprios, quer pelas alterações funcionais que impactam a independência e a vida quotidiana. Existe a hipótese de que a perda da perceção visual do próprio corpo comprometa a atualização da imagem corporal, dificultando a integração da nova condição na identidade pessoal.</p>
			<p>As diferenças entre gêneros tornam-se evidentes nesse processo. As mulheres, mais expostas a exigências sociais sobre a aparência física, revelam uma maior vulnerabilidade à deterioração da imagem corporal, particularmente em contextos de exposição, como os relacionamentos íntimos.</p>
			<p>Embora não esteja descrito de forma direta na literatura, poderá haver uma relação entre a evicção de situações sociais, a resistência ao uso de ajudas técnicas visíveis, como a bengala,<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>)</sup> e o receio de serem rotuladas, com o isolamento e a desconexão com sua imagem anterior.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>)</sup> O mesmo poderá suceder nos homens, ainda que a pressão estética seja distinta, uma vez que também foram observadas repercussões emocionais ligadas à perda de capacidades e ao impacto na identidade associada ao desempenho e controle.</p>
			<p>A interiorização do estigma social associado à deficiência visual emerge como um fator transversal, afetando tanto homens como mulheres. A perceção de se tornarem dependentes, de perderem seu lugar social ou de não corresponderem às expetativas projetadas pelos outros contribui para a fragmentação da identidade. Em ambos os sexos, a autoimagem é atravessada por sentimentos de inadequação e por um esforço contínuo de adaptação, muitas vezes não verbalizado ou compreendido pelo meio envolvente.</p>
			<p>Nesse sentido, compreender a forma como a autoimagem é vivenciada no contexto da cegueira adquirida — com as suas especificidades de gênero e implicações psicossociais — revela-se fundamental para o desenvolvimento de intervenções orientadas para a preservação da identidade, da dignidade e da qualidade de vida destes indivíduos. Esse conhecimento pode sustentar práticas mais empáticas e ajustadas por parte dos profissionais de saúde e da comunidade, promovendo uma abordagem verdadeiramente centrada na pessoa.</p>
			<p>Apesar do rigor metodológico adotado, esta revisão de escopo revelou algumas limitações relevantes. Verificou-se uma escassez de estudos que cumprissem integralmente os critérios de inclusão, sendo particularmente evidente a ausência de investigação que abordasse de forma direta a relação entre a perceção da autoimagem corporal e a perda de visão adquirida. Além disso, a maioria dos artigos não explorava o impacto subjetivo da perceção da autoimagem na pessoa cega, nem integrava uma perspetiva diferenciada por gênero.</p>
			<p>Face a essas lacunas, foi necessário recorrer à literatura cinzenta para aprofundar o entendimento sobre as possíveis diferenças entre homens e mulheres na forma como experienciam e ressignificam sua imagem corporal em contexto de deficiência visual. Esses dados sustentam a pertinência de desenvolver um estudo exploratório, com enfoque qualitativo, que permita compreender em profundidade as implicações psicossociais da cegueira adquirida e suas repercussões na construção da autoimagem em diferentes gêneros.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>CONCLUSÃO</title>
			<p>Os dados analisados demonstram que a perda de visão adquirida tem repercussões profundas na autonomia, na participação social e na estrutura identitária dos indivíduos, comprometendo, de forma significativa, seu bem-estar psicossocial. A autoimagem, enquanto construção dinâmica, revela-se particularmente vulnerável a alterações sensoriais dessa natureza, com diferenças relevantes entre homens e mulheres na forma como é percecionada e reconstruída. A escassez de estudos que explorem diretamente essa relação, aliada à ausência de uma abordagem sensível ao gênero, sublinha a necessidade de investigação aprofundada. Nesse sentido, propõe-se a realização de um estudo exploratório que permita compreender, com maior detalhe, o impacto da cegueira adquirida na perceção da autoimagem corporal, contribuindo para práticas de cuidado mais humanizadas e ajustadas às reais necessidades desses indivíduos.</p>
		</sec>
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			<fn fn-type="financial-disclosure" id="fn1">
				<label>Fonte de auxílio à pesquisa:</label>
				<p>trabalho não financiado.</p>
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				<label>Instituição de realização do trabalho:</label>
				<p>Unidade Local de Saúde de Almada-Seixal; Universidade Católica Portuguesa.</p>
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		<sec sec-type="data-availability" specific-use="data-in-article">
			<title>Declaração de Disponibilidade de Dados:</title>
			<p>Os conjuntos de dados gerados e/ou analisados durante o estudo atual estão incluídos no manuscrito.</p>
		</sec>
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			<title>REFERÊNCIAS</title>
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