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<journal-id journal-id-type="publisher-id">rbof</journal-id>
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<journal-title>Revista Brasileira de Oftalmologia</journal-title>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. bras.oftalmol.</abbrev-journal-title></journal-title-group>
<issn pub-type="ppub">0034-7280</issn>
<issn pub-type="epub">1982-8551</issn>
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<publisher-name>Sociedade Brasileira de Oftalmologia</publisher-name></publisher>
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<article-id pub-id-type="doi">10.37039/1982.8551.20260068</article-id>
<article-id pub-id-type="other">1982.8551.20260068</article-id>
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<subj-group subj-group-type="heading">
<subject>Artigo De Revisão</subject>
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<article-title>Boas práticas na administração de injeções intravítreas: uma revisão</article-title>
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<trans-title>Best practices in the administration of intravitreal injections: a Review</trans-title>
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<contrib-id contrib-id-type="orcid">0009-0001-3176-130X</contrib-id>
<name><surname>Duarte</surname><given-names>Cátia Marranita</given-names></name>
<xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>1</sup></xref><xref ref-type="corresp" rid="c1"/>
<role>contribuiu na conceção e delineamento do estudo</role>
<role>análise e interpretação dos resultados</role>
<role>redação e revisão crítica do conteúdo do manuscrito</role>
<role>aprovaram a versão final do manuscrito e são responsáveis por todos os seus aspetos, incluindo a garantia de sua precisão e integridade</role>
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<contrib contrib-type="author">
<contrib-id contrib-id-type="orcid">0009-0000-6540-9956</contrib-id>
<name><surname>Mesquita</surname><given-names>Isabel</given-names></name>
<xref ref-type="aff" rid="aff2"><sup>2</sup></xref>
<role>contribuiu na conceção e delineamento do estudo e revisão crítica do conteúdo do manuscrito</role>
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<contrib contrib-type="author">
<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-1968-3561</contrib-id>
<name><surname>Cabral</surname><given-names>Diogo</given-names></name>
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<role>contribui na revisão dos artigos e revisão crítica do manuscrito final</role>
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<label>1</label>
<institution content-type="orgname">Universidade Católica Portuguesa</institution>
<institution content-type="orgdiv1">Instituto de Ciências da Saúde</institution>
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<named-content content-type="city">Lisboa</named-content>
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<institution content-type="original">Instituto de Ciências da Saúde, Universidade Católica Portuguesa, Lisboa, Portugal.</institution>
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<label>2</label>
<institution content-type="orgname">Unidade Local de Saúde Almada-Seixal</institution>
<institution content-type="orgdiv1">Centro de Responsabilidade Integrada de Oftalmologia</institution>
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<named-content content-type="city">Pragal</named-content>
<named-content content-type="state">Setúbal</named-content>
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<country country="PT">Portugal</country>
<institution content-type="original">Centro de Responsabilidade Integrada de Oftalmologia, Unidade Local de Saúde Almada-Seixal, Pragal, Setúbal, Portugal.</institution>
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<author-notes>
<corresp id="c1"><label>Autor correspondente:</label> Cátia Isabel Marranita dos Santos Duarte E-mail: <email>catia_marranita@hotmail.com</email></corresp>
<fn fn-type="coi-statement"><label>Conflitos de interesse:</label><p>não há conflitos de interesses.</p></fn>
<fn fn-type="edited-by"><label>Editor associado:</label><p>Emmerson Badaró Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0001-8813-3972">https://orcid.org/0000-0001-8813-3972</ext-link></p></fn>
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<pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
<day>22</day>
<month>07</month>
<year>2026</year></pub-date>
<pub-date publication-format="electronic" date-type="collection">
<year>2026</year></pub-date>
<volume>85</volume>
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<date date-type="accepted">
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<copyright-statement>Copyright © 2026</copyright-statement>
<copyright-year>2026</copyright-year>
<copyright-holder>SciELO</copyright-holder>
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<license-p>All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License</license-p>
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<abstract>
<title>RESUMO</title>
<p>Este estudo teve como objetivo identificar e analisar as evidências científicas mais recentes sobre as boas práticas na administração de injeções intravítreas, com particular enfoque no contexto (consultório <italic>versus</italic> bloco operatório), na administração bilateral no mesmo dia e na estratégia de prevenção de complicações. Foi realizada uma <italic>revisão da literatura</italic> nas bases de dados MEDLINE<sup>®</sup> Complete, Scopus, <italic>Web of Science</italic> e Google Scholar, entre 2015 e 2025, com recurso a três estratégias de pesquisa distintas. Foram incluídos estudos que abordassem diretrizes e protocolos, contexto de administração e bilateralidade. A seleção e a análise dos dados foram realizadas com o apoio dos <italic>softwares</italic> Rayyan e NVivo. Nas pesquisas realizadas, 14 artigos cumpriram critérios de inclusão. Os resultados sugerem que, quando seguidas as práticas asséticas recomendadas, uso de máscara/restrição de conversa, desinfeção com iodopovidona 5% no local da punção por 30 segundos e uso de luvas, a administração em consultório e a bilateralidade são seguras. A padronização de protocolos mostrou-se essencial para a prevenção de complicações.</p>
</abstract>
<trans-abstract xml:lang="en">
<title>ABSTRACT</title>
<p>This study aimed to identify and analyze the most recent scientific evidence on best practices for the administration of intravitreal injections, with particular focus on the setting (medical office versus operating room), same-day bilateral administration, and strategies to prevent complications. A literature review was conducted across Medline Complete, Scopus, Web of Science, and Google Scholar databases (2015–2025), using three distinct search strategies. Studies addressing guidelines and protocols, administration setting, and bilateral procedures were included. Data selection and analysis were supported by Rayyan and NVivo software. Fourteen studies met the inclusion criteria. Findings suggest that, when aseptic practices are strictly followed, including mask use and restricted conversation, 5% povidone-iodine disinfection at the puncture site for 30 seconds, and glove use, both office-based administration and bilateral injections are safe. The standardization of protocols emerged as a key factor in preventing complications.</p>
</trans-abstract>
<kwd-group xml:lang="pt">
<title>Descritores:</title>
<kwd>Injeções intravítreas</kwd>
<kwd>Segurança</kwd>
<kwd>Guia de boas práticas</kwd>
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<title>Keywords:</title>
<kwd>Intravitreal injections</kwd>
<kwd>Safety</kwd>
<kwd>Practice guidelines</kwd>
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<funding-statement><bold>Fonte de auxílio à pesquisa:</bold> trabalho não financiado.</funding-statement>
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<sec sec-type="intro">
<title>INTRODUÇÃO</title>
<p>A administração de injeções intravítreas (IV) de agentes antifator de crescimento vascular endotelial (anti-VEGF) é o tratamento utilizado para uma série de patologias retinianas, que têm um elevado potencial de diminuição da visão e cegueira, uma vez que está comprovada sua eficácia na manutenção ou na melhoria da visão.</p>
<p>Embora esteja descrito na literatura como sendo um procedimento seguro, tem alguns riscos associados, sendo o mais grave o risco de endoftalmite, que surge entre 1 a 6 dias após a injeção IV.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>)</sup> As complicações que podem estar associadas aos procedimento de injeções IV vão desde reações inflamatórias e aumento da pressão intra-ocular;<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>)</sup> descolamento de retina; desenvolvimento de catarata; vasculite retiniana; oclusão vascular retiniana; hemovítreo e endoftalmite, sendo que esta última surge como a mais grave, podendo levar a consequências tão graves como a cegueira se não for tratada de forma atempada.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>-<xref ref-type="bibr" rid="B8">8</xref>)</sup></p>
<p>Nos últimos anos, o recurso às injeções intravítreas tem se afirmado como uma das estratégias terapêuticas mais relevantes no âmbito da oftalmologia, especialmente no tratamento de patologias que comprometem gravemente a visão. Perante o aumento expressivo de sua utilização, impõe-se a necessidade de assegurar que todos os utentes com indicação clínica para esse procedimento tenham acesso equitativo a cuidados eficazes, seguros e oportunos. A garantia de condições adequadas à prática desse tipo de intervenção constitui um imperativo ético e clínico, particularmente quando se reconhece que o tempo e a qualidade na resposta assistencial podem ser determinantes para a preservação da função visual e, consequentemente, para a qualidade de vida dos doentes.</p>
<p>Nesse sentido, procedeu-se à realização de uma <italic>revisão</italic> da literatura com o propósito de identificar e sintetizar as evidências científicas mais recentes sobre as boas práticas na administração de injeções intravítreas, integrando e analisando resultados de revisões sistemáticas previamente publicadas. Por meio desta revisão, pretende-se que sejam possíveis uma definição e a fundamentação das melhores práticas clínicas em cada etapa do procedimento, promovendo a uniformização dos cuidados, contribuindo para a prevenção de complicações pós-operatórias e reforçando a qualidade e segurança dos cuidados prestados ao doente associados a esta intervenção.</p>
<p>Face ao exposto, definiu-se como objetivo desta revisão conhecer quais as mais recentes evidências científicas no que respeita ao procedimento de injeções IV. Procedeu-se a uma <italic>revisão</italic> da literatura com o intuito de dar resposta à seguinte questão de investigação: Quais são as melhores práticas baseadas em evidência na administração de injeções IV, considerando segurança, qualidade e risco de endoftalmite?</p>
<p>Essa questão de investigação deu origem a três pesquisas distintas que pretenderam conhecer a mais recente evidência científica, associada ao procedimento de administração de injeções IV; a mais recente evidência científica no que respeita ao contexto em que é realizado o procedimento de injeções IV: blocos de injeções/gabinete de consultas em detrimento do contexto de bloco operatório ser seguro para os pacientes; e saber se a realização do procedimento bilateral no mesmo dia apresenta risco acrescido de endoftalmite para o paciente.</p>
</sec>
<sec sec-type="methods">
<title>METODOLOGIA</title>
<p>A presente <italic>revisão foi</italic> delineada segundo o modelo PICO, de forma a orientar a formulação da questão de investigação e a estruturação metodológica do estudo. Assim, a População (P) correspondeu à identificação das melhores práticas baseadas em evidência científica; a Intervenção (I) centrou-se nas injeções IV; o Comparador (C) traduziu-se na comparação entre evidências atuais e práticas anteriormente descritas; e os Desfechos (O, <italic>Outcomes</italic>) incluíram aspetos relacionados com a segurança, a qualidade e o risco de endoftalmite.</p>
<p>Foram definidos como critérios de inclusão: publicações entre 2015 e 2025, em inglês, português ou espanhol, de acesso aberto, e que consistissem em revisões sistemáticas ou metanálises.</p>
<p>A pesquisa foi conduzida em três bases de dados principais: MEDLINE<sup>®</sup> Complete, Scopus e <italic>Web of Science</italic>, complementadas por literatura cinzenta proveniente do Google Scholar. O processo foi desenvolvido de acordo com as normas do Joanna Briggs Institute (JBI),<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B9">9</xref>)</sup> recorrendo à pesquisa por título (TI) e resumo (AB).</p>
<p>A equipe de revisão foi composta de três investigadores, que procederam à extração de dados por meio da <italic>JBI Data Extraction Tool</italic><sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B10">10</xref>)</sup> e à avaliação da qualidade metodológica dos estudos segundo as recomendações da GRADE-CERQual. A plataforma Rayyan foi utilizada para a gestão da pesquisa e a triagem dos artigos, enquanto o <italic>software</italic> NVivo foi aplicado para o tratamento e a análise qualitativa dos dados.</p>
<p>Foram realizadas três pesquisas distintas, cada uma orientada por uma questão específica e um conjunto próprio de descritores:</p>
<list list-type="bullet">
<list-item><p>Pesquisa 1: evidência científica recente sobre o procedimento de administração de injeções intravítreas (<italic>intravitreal injection</italic>, <italic>protocol</italic>, <italic>pathway</italic>, <italic>guideline</italic>).</p></list-item>
<list-item><p>Pesquisa 2: evidência sobre o contexto de realização do procedimento <italic>(intravitreal injection</italic>, <italic>setting</italic>, <italic>operating room</italic>, <italic>office</italic>).</p></list-item>
<list-item><p>Pesquisa 3: análise da segurança da administração bilateral no mesmo dia e do risco de endoftalmite associado (<italic>intravitreal injection</italic>, <italic>bilateral</italic>, <italic>endophthalmitis</italic>).</p></list-item>
</list>
<p>Visando as boas práticas de transparência e replicabilidade associados à investigação, o Projeto da Revisão foi registado na Plataforma Open Science Framework<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B11">11</xref>)</sup>, e os resultados de cada pesquisa foram sistematizados segundo os respetivos diagramas <italic>PRISMA Flow Diagram</italic>,<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B11">11</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B12">12</xref>)</sup> que documentam as etapas de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos estudos, tendo-se apurado 15 artigos incluídos para integrar este estudo.</p>
</sec>
<sec sec-type="results">
<title>RESULTADOS</title>
<sec>
<title>Bloco operatório <italic>versus</italic> gabinete de injeções/consultas</title>
<p>A revisão de literatura efetuada encontrou nove artigos que comparam os diferentes contextos, tanto no que concerne a complicações decorrentes do procedimento, como no que respeita aos benefícios associados em ambos os contextos.</p>
<p>Quando, no ano 2000, começou-se a fazer a injeção de fatores anti-VEGF IV, esse procedimento era feito em número muito baixo, não chegando aos 3.000 procedimentos/ano, no caso dos Estado Unidos. Ao longo dos anos, verificou-se um aumento exponencial da administração de injeções IV<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B13">13</xref>)</sup> pela importância efetiva que têm no tratamento e na manutenção da visão em pacientes com retinopatia diabética, degenerescência macular ligada à idade, oclusões venosas, entre outras patologias, tornando impraticável para alguns prestadores de cuidados a realização desse procedimento num contexto de bloco operatório.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B14">14</xref>)</sup></p>
<p>Em alguns países, como é o caso dos Estados Unidos, este tornou-se inclusivamente o procedimento oftalmológico mais realizado<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>)</sup>, motivando a que, de uma forma progressiva, o contexto de administração das injeções IV se alterasse, saindo do contexto hospitalar, e pudesse ser realizado na comunidade.</p>
<p>Num estudo onde são comparados os diferentes contextos de realização do procedimento a nível internacional, é possível verificar que, à exceção de Itália, todos os países permitem a realização do procedimento em salas limpas fora das unidades hospitalares, sendo que apenas Estados Unidos, Nova Zelândia, Japão, México, Índia, Canadá, Brasil, Austrália e França consideram nas suas diretrizes a realização em gabinetes de consulta.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>)</sup> De notar que essa mudança surgiu a par com diversos estudos, que tinham como intuito validar a segurança da realização desse procedimento num contexto onde o controle sobre os diferentes fatores, como qualidade do ar, pressões e condições de assépsia, são bastante distintos do de um bloco operatório.</p>
<p>Considerando os artigos selecionados para elaboração dessa norma, a administração de injeções IV em gabinetes de consulta é passível de ser feita com taxas de endoftalmite muito próximas ou similares às realizadas em bloco operatório.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B8">8</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B14">14</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B15">15</xref>)</sup> Essas revisões incluem tanto estudos primários, como metanálises, que analisam as taxas de endoftalmite em ambos os contextos. Uhr et al. concluíram que em 1.220.479 injeções IV realizadas em gabinete de consulta e 285.653 em bloco operatório, a taxa de endoftalmite foi similar, rondando os 0,027%.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B14">14</xref>)</sup> Li et al. apresentaram uma metanálise de 1.275.815 injeções IV administradas em bloco operatório e em gabinete de consulta, demonstrando não haver grandes diferenças no que respeita a taxas de endoftalmite entre os dois contextos (entre os 0,02% e 0,03%, no bloco operatório, e entre os 0,03% e 0,04%, em gabinete de consulta).<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B8">8</xref>)</sup></p>
<p>Considerando os dados mencionados que sustentam a realização do procedimento em gabinete de consulta, passa a fazer sentido avaliar outros benefícios associados a essa mudança da prática. As mais-valias descritas fazem menção à capacitação e à viabilidade dos serviços de saúde para dar resposta às necessidades da população face à quantidade de tratamentos efetuados diariamente; à eficiência e rentabilidade para a instituição de saúde diante dos custos associados à utilização de blocos operatórios<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B14">14</xref>)</sup> e à maior facilidade de acesso para os utentes.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>)</sup> A descentralização desses procedimentos para gabinetes de consulta permite cobrir uma maior área geográfica e, consequentemente, servir melhor a população. A nível nacional, a maior parte das injeções IV são realizadas na região de Lisboa, Porto e zona Centro, associando-se maiores taxas de tratamento à proximidade ao hospital e maior número de oftalmologistas.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B16">16</xref>)</sup></p>
<p>Considerando que os dados que sustentam a transição de um contexto de bloco operatório para gabinete de consulta não comprometem a segurança e a qualidade dos cuidados e, adicionalmente, têm como mais-valias a celeridade do procedimento, a facilidade no acesso e a rentabilidade, é essencial assegurar que o procedimento é realizado de acordo com as práticas descritas na literatura que traduzem evidência científica na prevenção de complicações pós-injeção IV, em particular, na redução das taxas de endoftalmite.</p>
</sec>
<sec>
<title>Avaliação prévia</title>
<sec>
<title>Alterações da superfície ocular e pálpebras</title>
<p>Dos artigos analisados, existem três que abordam a importância as alterações da superfície ocular e risco acrescido de endoftalmite.</p>
<p>Storey et al. por sua vez mencionam na sua revisão 47 casos de endoftalmite em doentes com degenerescência macular da idade (DMI) em que esteve associado um risco de endoftalmite 20 vezes mais elevado quando associado à blefarite ativa.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B17">17</xref>)</sup> Singh et al. reforçam a importância do tratamento de alterações da superfície ocular e pálpebras, tais como a blefarite, que possam levar a infeção do local da injeção IV, uma vez que, num estudo dos estudos incluídos na sua revisão, realizado 2012, foi identificada a blefarite como fator de risco para o desenvolvimento de endoftalmite.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>)</sup></p>
<p>A existência de alterações da superfície ocular ou pálpebras, tais como blefarite, conjuntivite, dacriocistite, hordéolo, aumentam significativamente o risco de endoftalmite, devendo ser tratadas antes da realização do procedimento.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>)</sup> Assim, o autor refere que &quot;qualquer alteração de superfície ocular pode potencialmente aumentar o risco de endoftalmite, devendo sempre ser considerado o risco x benefício&quot;.</p>
<p>Assim, a realização de uma avaliação ocular é essencial, diante das alterações, o utente deve ser encaminhado para o médico para uma avaliação oftalmológica mais criteriosa. Em situação aguda, o utente é medicado, e a injeção IV é adiada. Caso o médico considere que estão reunidas as condições de segurança para realização do procedimento, como é o caso de blefarite crônica em tratamento, o procedimento é efetuado.</p>
</sec>
<sec>
<title>Outras condições oftalmológicas</title>
<p>No que respeita ao histórico de cirurgias oculares prévias, não existem contraindicações para a realização de injeções IV, e o mesmo se aplica a cirurgias de catarata realizadas nos últimos 3 meses.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>)</sup></p>
<p>Deve se ter especial atenção a situações de hipertensão ocular, pois a injeção IV tem um volume associado de 0,05 a 0,1 mL, originando com alguma frequência episódios transitórios de aumento da pressão intraocular (PIO) que tendem a resolver espontaneamente. O retorno a valores basais ocorre, na maioria dos casos, cerca de 30 minutos após o procedimento, podendo ser mais prolongado em pessoas com glaucoma. Em caso de olhos saudáveis, os episódios hipertensivos pontuais podem não apresentar sequelas a longo prazo. Já em pacientes com patologia do nervo ótico, como glaucoma, oclusões venosas ou neuropatia isquémica, esse picos hipertensivos podem originar sequelas tardias ao nível da visão. Em caso de suspeita de hipertensão ocular após injeção deverá haver uma avaliação médica considerando a necessidade de medicação para reduzir a PIO ou paracentese da câmara anterior, resultando em diminuição imediata da PIO e consequente alívio dos sintomas.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>)</sup></p>
</sec>
<sec>
<title>Procedimento Injeções Intravítreas</title>
<p>As condições para realização do procedimento de administração de terapêutica via IV têm vindo a sofrer algumas alterações ao longo dos anos, ao nível do contexto onde o procedimento é realizado, nos equipamentos de proteção individual utilizados e também na própria técnica em si.</p>
<p>Nesta revisão, foram encontrados procedimentos que comprovadamente reduzem o risco de endoftalmite, outros em que não há evidência de sua influência na prevenção, sendo por isso facultativos, e práticas que caíram em desuso pelas evidências existentes demonstrarem o aumento do risco de endoftalmite quando praticadas de forma continuada.</p>
</sec>
<sec>
<title>Práticas com maior evidência científica na redução de endoftalmite – mandatórias</title>
<sec>
<title>Lavagem/ desinfeção das mãos</title>
<p>Da literatura incluída nesta revisão, três artigos mencionam a importância da lavagem e da desinfeção das mãos antes da realização do procedimento.</p>
<p>A lavagem antisséptica das mãos no início de um programa de injeções IV deve ser realizada com sabão ou um esfoliante aquoso, com o intuito de remover mecanicamente qualquer possível sujidade superficial ou contaminação bacteriana existente na pele, uma vez que a utilização de solução alcoólica não remove a sujidade superficial, pela falta de tensioativos, tendo por isso uma eficácia limitada em caso de elevada contaminação das mãos.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>)</sup></p>
<p>Entre as injeções, é dada prioridade à desinfeção das mãos com produtos à base de álcool, pois sua eficácia antimicrobiana é superior à dos produtos aquosos,<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>)</sup> tornando sua utilização numa escolha mais prática para a equipe, devido à sua eficácia antimicrobiana, à rapidez, ao conforto e ao cumprimento das políticas internacionais de higiene e desinfeção das mãos.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>)</sup></p>
<p>Embora nenhum estudo encontrado tenha identificado de forma isolada a antisséptia das mãos como uma prática associada à prevenção de endoftalmite pós injeção IV, esta surge sempre associada às restantes práticas realizadas durante o procedimento, sendo por isso um pré-requisito antes de qualquer procedimento, constando nas diretrizes emanadas por peritos em retina.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>)</sup></p>
</sec>
<sec>
<title>Uso de luvas</title>
<p>Nos estudos que resultaram da pesquisa efetuada, seis artigos abordam a questão do uso de luvas. No entanto, os estudos não são consensuais.</p>
<p>Merani et al. defendem que o uso de luvas esterilizadas se encontra em linha com as boas práticas de procedimentos cirúrgicos,<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>)</sup> os restantes estudos mais recentes referem que não existem dados que sustentem que a utilização de luvas esterilizadas reduz o risco de endoftalmite.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B15">15</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B17">17</xref>)</sup></p>
<p>Dois dos artigos englobados nessa pesquisa mencionam estudos onde verificaram as taxas de endoftalmite sem utilização de luvas esterilizadas. Lau et al. referem uma taxa de endoftalmite de 0,057% por injeção, num total de 14 895 injeções IV administradas sem a utilização de luvas esterilizadas;<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>)</sup> e Falavigna et al. mencionam no seu artigo outro estudo, retrospetivo, em que foram analisadas 154.198 injeções, em que &quot;não identificou o uso de luvas como preditor estatisticamente significativo de endoftalmite&quot;, e &quot;2 estudos prospetivos, controlados, randomizados em que não foi feito o uso de luvas e a taxa de endoftalmite foi de 0.078% após 3.383 injeções&quot;.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>)</sup></p>
<p>Neste sentido, face à escassa evidência que culmine em consenso no que respeita à utilização de luvas esterilizadas ou não, com base nos estudos incluídos, caso o oftalmologista opte pela utilização de luvas não esterilizadas, deverá garantir que não existe contato direto com a agulha ou o local de injeção da superfície ocular onde a injeção IV será administrada.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>)</sup></p>
</sec>
<sec>
<title>Retração das pálpebras</title>
<p>A prática relacionada com a retração das pálpebras é abordada por cinco dos artigos selecionados, realçando sua importante prevenção de endoftalmite, independentemente da técnica utilizada.</p>
<p>Tanto as pálpebras como as pestanas e as glândulas palpebrais são fontes de infeção na cirurgia oftalmológica. Independentemente da desinfeção que seja realizada, periocular ou do local da punção IV, deve ser evitado o contato dos instrumentos cirúrgicos com qualquer uma destas estruturas.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>)</sup></p>
<p>Essa prática pretende evitar o contacto das pálpebras ou das pestanas com o local da punção e com agulha de injeção durante o procedimento de injeções IV, diminuindo o risco de contaminação. Essa retração pode ser efetuada por meio de um blefaróstato ou com técnica manual.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B17">17</xref>)</sup></p>
<p>Em 2015, Merani et al. descreveram no seu estudo a importância de evitar a contaminação da agulha antes e durante a punção, controlando as pestanas e as margens da pálpebra por meio de blefaróstato ou técnica bimanual, referindo que, independentemente da técnica utilizada, caso exista contacto inadvertido da agulha em qualquer outro local que não seja a conjuntiva bulbar no local da injeção, esta deve ser imediatamente retirada e inutilizada.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>)</sup></p>
<p>Storey et al. fazem menção a um estudo publicado em 2011, com mais de 27 mil injeções IV, em que verificam que a utilização de blefaróstato para retração das pálpebras não tem qualquer impacto na redução das taxas de endoftalmite quando comparado com a retração realizada de forma manual.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B17">17</xref>)</sup></p>
<p>Lau et al. mencionam um estudo retrospetivo de 78.009 injeções IV, em que a taxa de endoftalmite utilizando blefaróstato foi de 0,015%, semelhante à taxa de endoftalmite recorrendo à técnica de abertura manual.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>)</sup></p>
<p>A revisão feita por Falavigna et al. não encontraram dados que reunissem um consenso, concluindo ser &quot;considerado adequado que algum método seja empregue para o afastamento das pálpebras&quot;.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>)</sup></p>
<p>Tailor et al. fizeram um estudo que avaliou a tolerância dos utentes submetidos a injeções IV ao longo das diferentes etapas do procedimento e concluíram que, embora a punção fosse a etapa mais desagradável, utilizar métodos alternativos de retração das pálpebras pode ajudar a melhorar a tolerância do utente ao procedimento, melhorando sua experiência.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B18">18</xref>)</sup></p>
<p>Embora a maioria dos oftalmologistas opte pela utilização do blefaróstato, o desconforto sentido pelos pacientes explica a recente tendência para a utilização de outras técnicas de retração, como a técnica manual ou bimanual, sendo que a escolha deve ter em conta a preferência do médico e/ou do paciente.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>)</sup></p>
</sec>
<sec>
<title>Uso de máscara</title>
<p>As endoftalmites em contexto de gabinete de consulta são causadas por micro-organismos diferentes do contexto de bloco operatório, maioritariamente por causa da flora oral. Logo, é importante o uso de máscara ou restrição de conversa, preferencialmente o uso de ambas.</p>
<p>A prevalência de infeções estreptocócicas após injeção IV sugere o possível papel da aerossolização, que pode ser minimizada pelo uso de máscaras faciais ou pela manutenção do silêncio.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>)</sup> Uma metanálise realizada por Mccannel et al. demonstrou que as espécies de <italic>Streptococcus</italic> são três vezes mais comuns após injeções IV de anti-VEGF em comparação com a cirurgia intraocular, sugerindo que as gotículas orofaríngeas são uma causa de transmissão, reforçando a adoção de estratégias de prevenção, como a restrição da conversa, evitar tossir e usar máscara cirúrgica.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B19">19</xref>)</sup></p>
<p>Uma das metanálise incluídas neste estudo, que incluiu mais de 2,6 milhões de injeções intravítreas, sugere que a utilização de máscara pelo médico e a adoção de políticas de &quot;não conversar&quot; durante o procedimento estão associadas a uma redução significativa na incidência de endoftalmite pós-injeção, em comparação com os cuidados padrão. A taxa global de endoftalmite foi de 0,032%, sendo inferior quando implementadas essas medidas de barreira e controlo de fala. Embora o uso universal de máscara (por médico e paciente) não tenha demonstrado diferenças significativas em todas as análises, verificou-se uma tendência para menor incidência quando comparado ao cuidado-padrão em análises de subgrupos. A evidência, ainda que de baixa certeza, reforça a importância de estratégias simples, como o uso de máscara pelo profissional e a limitação da fala, na prevenção de infeções graves como a endoftalmite após injeções intravítreas.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B20">20</xref>)</sup></p>
<p>Outro estudo retrospetivo comparativo com aproximadamente 130 mil injeções IV demonstrou que uma política rigorosa de não falar resultou numa diminuição significativa da taxa de endoftalmite de 0,015% para 0,01% e, em simultâneo, numa diminuição da endoftalmite associada a agentes patogénicos orais.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B21">21</xref>)</sup></p>
<p>Outros autores em artigos mais recentes enfatizam a importância do uso de máscara cirúrgica e da restrição da conversa por parte dos profissionais de saúde e utentes<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B15">15</xref>)</sup> na diminuição das taxas de endoftalmites,<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B17">17</xref>)</sup> nomeadamente as de origem streptocócica.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B14">14</xref>)</sup></p>
<p>A importância da utilização de máscaras e restrição da conversa por parte de toda a equipe, bem como do paciente, deve-se ao fato de <italic>Streptococcus</italic> serem organismos comensais que estão habitualmente presentes nas cavidades orais e respiratórias superiores, não estando presentes nas membranas conjuntivais. A existência de endoftalmites associadas a infeção por <italic>Streptococcus</italic> sugere que a dispersão de flora oral do oftalmologista, enfermeiro, assistente operacional ou do próprio doente é, por si só, um mecanismo de endoftalmite.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>)</sup></p>
<p>Singh et al. recordam as recomendações dos painéis de especialistas dos Estados Unidos e Europa para a utilização de máscaras cirúrgicas e políticas de restrição de conversa, como medidas para prevenção de infeção, identificando-as como estratégias preventivas eficazes na redução do risco de endoftalmite.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>)</sup></p>
<p>Considerando a informação recolhida nos diferentes artigos, que serviram de base à esta revisão, a adesão à utilização de máscara cirúrgica para realização do procedimento de injeção IV e a adoção de políticas de restrição de conversa são fundamentais para diminuir a dispersão bacteriana.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B8">8</xref>)</sup></p>
</sec>
<sec>
<title>Desinfeção do local da punção</title>
<p>A endoftalmite ocorre devido à entrada de micro-organismos no globo ocular durante o procedimento de injeção IV, pelo que uma desinfeção correta da superfície ocular assume um papel preponderante em qualquer protocolo de injeção.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>)</sup></p>
<p>Da literatura incluída nesta revisão, essa prática é uma das que mais evidência científica apresenta na prevenção de infeções associadas ao procedimento, sendo a sua importância mencionada em oito dos artigos selecionados.</p>
<p>A Iodopovidona é amplamente reconhecida como sendo um antissético eficaz e seguro para prevenir infeções em injeções IV. A literatura defende que a aplicação tópica de iodopovidona a 5% após retração das pálpebras, durante pelo menos 30 segundos, é o procedimento-padrão mais eficaz para reduzir a carga bacteriana e o risco de endoftalmite,<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>-<xref ref-type="bibr" rid="B8">8</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B15">15</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B17">17</xref>)</sup> podendo reduzir as taxas de endoftalmite até sete vezes quando comparada com outros protocolos.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B17">17</xref>)</sup></p>
<p>A não aplicação da iodopovidona encontra-se inclusivamente associada a taxas significativamente elevadas de endoftalmite.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>)</sup></p>
<p>Vários estudos demonstram que a iodopovidona é eficaz contra uma vasta gama de microrganismos, tanto bactérias <italic>Gram</italic>-positivas, <italic>Gram</italic>-negativas, vírus e fungos, não causando resistência bacteriana.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B17">17</xref>)</sup></p>
<p>Uma frequente exposição da superfície ocular à iodopovidona parece estar relacionada com sintomas de olho seco;<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>)</sup> são também reportados sintomas de irritação ocular após desinfeção da conjuntiva com iodopovidona 5%, nomeadamente episódios de conjuntivite ou queratite tóxica. Essas ocorrências são, com alguma frequência, confundidas com reações alérgicas, contudo, as verdadeiras alergias à iodopovidona são muito raras, não tendo sido encontrados relatos de reações anafiláticas.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B17">17</xref>)</sup></p>
<p>A clorexidina aquosa assume-se como um possível substituto para a iodopovidona na antissépsia oftálmica,<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B17">17</xref>)</sup> apresentando taxas de endoftalmite baixas semelhantes às da iodopovidona.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>)</sup> Como vantagem, apresenta uma menor dor pós-procedimento para o paciente.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>)</sup></p>
<p>A utilização da clorexidina como agente desinfetante da superfície ocular suscita alguma preocupação quanto ao desenvolvimento de resistência bacteriana, especialmente em <italic>Staphylococcus aureus</italic> resistente à meticilina (MRSA)<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>)</sup> e a fungos.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>)</sup> Apesar de alguns estudos indicarem taxas de infeção comparáveis e segurança em pacientes intolerantes à iodopovidona, esta última continua a ser preferida na prática ocular devido ao potencial problema de resistência microbiana pela clorohexidina.</p>
<p>Assim, a iodopovidona continua a ser o antissético mais recomendado para a profilaxia da infeção intraocular. A aplicação de iodopovidona 5% após retração das pálpebras, 30 segundos antes da injeção IV assume-se como um padrão-ouro na realização do procedimento de injeção IV.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B8">8</xref>)</sup> Esta deve ser a última substância a ter contato com a conjuntiva,<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>)</sup> se possível com dupla aplicação, maximizando os benefícios para o utente, sendo os 30 segundos contabilizados após a ultima aplicação da iodopovidona.</p>
</sec>
</sec>
<sec>
<title>Práticas sem evidência científica na redução de endoftalmite</title>
<sec>
<title>Campo cirúrgico</title>
<p>Da revisão de literatura realizada, quatro autores incluem em seus estudos uma abordagem a essa prática na prevenção de endoftalmites.</p>
<p>Os estudos mais antigos referem não existir evidências que conectem a utilização do campo cirúrgico à redução do risco de endoftalmites,<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B15">15</xref>)</sup> uma vez que surge frequentemente associada à utilização de outras práticas, como é o caso da utilização de luvas estéreis e máscaras faciais.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>)</sup></p>
<p>Storey et al. vão mais além. Para além de mencionar que a utilização dos campos cirúrgicos parecem não afetar as taxas de infeção, concluem que a utilização de campos esterilizados durante a injeção IV é provavelmente desnecessária.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B8">8</xref>)</sup> O autor defende que a utilização de um campo durante a injeção IV pode ser propício à ansiedade e ao desconforto para o utente.</p>
<p>O artigo escrito por Falavigna et al. encontra-se em linha com os autores anteriormente mencionados, referindo que &quot;não há evidências que sugiram que o uso desse recurso diminua de forma significativa o risco de endoftalmite&quot;, e faz menção à opinião dos utentes relativamente ao campo cirúrgico estéril adesivo ser o &quot;segundo aspeto mais desconfortável do procedimento&quot;.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>)</sup></p>
<p>Neste sentido, considerando a inexistência de evidência que suporte a utilização do campo cirúrgico, cabe ao oftalmologista responsável pela realização do procedimento decidir se o pretende utilizar.</p>
</sec>
<sec>
<title>Desinfeção periocular</title>
<p>A desinfeção das estruturas das pálpebras tem como intuito reduzir a carga microbiana, sem, no entanto, induzir resistência microbiana.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>)</sup></p>
<p>Num estudo mais antigo, datado de 2015, para a prevenção de endoftalmite era aconselhada a aplicação correta de Iodopovidona a 10% na zona periorbitaria sem realizar massagem, nomeadamente pálpebras e pestanas, durante pelo menos 5 minutos.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B15">15</xref>)</sup></p>
<p>Mais recentemente, outro estudo refere que alguns oftalmologistas optam pela desinfeção das pálpebras e pestanas antes do procedimento, sem que, no entanto, exista evidência científica de seu impacto na redução do risco de endoftalmite.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B17">17</xref>)</sup> Salienta ainda que não é recomendado esfregar as pálpebras, uma vez que aumenta a contaminação bacteriana conjuntival durante a realização do procedimento, por estimular a produção de secreções das glândulas palpebrais.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B17">17</xref>)</sup></p>
<p>Face ao exposto, quando realizada a desinfeção periocular, deve-se ter especial cuidado para que não haja manipulação excessiva das pálpebras.</p>
</sec>
<sec>
<title>Bata, touca e proteções de sapatos</title>
<p>Quanto ao uso de bata, toucas cirúrgicas e proteções de sapatos, não foram encontradas evidências científicas na prevenção de endoftalmites.</p>
</sec>
<sec>
<title>Aplicação penso oftálmico</title>
<p>Da bibliografia encontrada nesta revisão, apenas uma menciona essa prática, referindo que a colocação de penso oftálmico após injeção IV é uma prática não recomendada pelas diretrizes internacionais.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B15">15</xref>)</sup> Todavia, considerando a escassa bibliografia que sustenta a prática nesta matéria, cabendo ao cirurgião e ao paciente, optar ou não por sua aplicação.</p>
</sec>
</sec>
<sec>
<title>Práticas em desuso</title>
<sec>
<title>Administração de antibiótico</title>
<p>Os vários estudos incluídos demonstraram que a utilização de antibióticos tópicos profiláticos não reduz a incidência de endoftalmite após injeção IV, não devendo essa prática ser adotada como medida preventiva.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B15">15</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B17">17</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B22">22</xref>)</sup> Quando comparado o uso de antibioterapia com a utilização isolada de iodopovidona, existem evidências que sugerem que os utentes submetidos à antibioterapia tópica profilática podem apresentar taxas de infeção mais elevadas em comparação com aqueles que não os utilizam,<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B17">17</xref>)</sup> possivelmente devido à seleção de estirpes bacterianas mais virulentas e resistentes,<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>)</sup> aumentando o risco de complicações.</p>
<p>Uma metanálise realizada por d’Azy et al. a 174 mil injeções concluiu não existir benefício no uso de antibióticos de forma profilática tanto pré como pós-injeção IV.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B22">22</xref>)</sup></p>
<p>Outro estudo retrospetivo caso-controle, realizado por Storey et al. que analisou 117.171 injeções IV, não foi observada diferença significativa na taxa de endoftalmite entre os doentes submetidos à antibioterapia profilática (0,049%) e os que não os usaram (0,032%).<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>)</sup></p>
<p>Existem evidências que comprovam que a profilaxia antibiótica pode aumentar significativamente a incidência de endoftalmite.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>)</sup> Numa metanálise realizada por Reibaldi et al., foram analisadas 639.391 injeções IV, que demonstraram uma incidência de endoftalmite três vezes superior quando da utilização de antibioterapia tópica profilática (0,09% <italic>versus</italic> 0,03%).<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B23">23</xref>)</sup></p>
<p>O uso de colírios antibióticos após injeção IV tem sido associado ao aumento da resistência bacteriana em doentes que recebem injeções regulares e que são expostos repetidamente a antibióticos,<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>)</sup> ao contrário dos doentes submetidos à cirurgia de catarata, que não têm historial de exposição frequente a esses fármacos.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>)</sup> Os dados obtidos de um estudo realizado em 2011 por Kim et al. demonstraram que a administração de antibioterapia tópica em tratamentos repetidos de injeções IV aumenta a resistência a fluoroquinolonas entre os 67 e 85% ao fim de 1 ano.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B24">24</xref>)</sup></p>
<p>Os antibióticos tópicos não só apresentam uma penetração mínima no vítreo, como também não demonstraram utilidade na prevenção da endoftalmite.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>)</sup> Com o aumento da resistência bacteriana e a seleção de estirpes mais virulentas, consequentemente mais difíceis de tratar, o uso por rotina de antibióticos pode ser prejudicial, razão pela qual não está recomendada sua utilização, quer antes, quer após a injeção IV.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B15">15</xref>)</sup></p>
<p>A evidência científica atual não suporta o uso de antibióticos tópicos como medida profilática para endoftalmite nem antes nem após-injeção IV,<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B15">15</xref>)</sup> pelo que essa prática não é recomendada.</p>
</sec>
</sec>
<sec>
<title>Práticas para conforto do paciente</title>
<sec>
<title>Anestesia</title>
<p>Após revisão dos artigos, no que respeita à prática aplicada na anestesia para realização de injeção IV, não existe um padrão-ouro, no que diz respeito ao conforto do doente durante o procedimento de injeção intravítrea.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B17">17</xref>)</sup></p>
<p>A literatura descreve quais os métodos de anestesia disponíveis para a realização da injeção IV, incluindo a tópica (colírio ou gel) e a subconjuntival, podendo ser utilizada uma combinação desses métodos.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>)</sup></p>
<p>Um inquérito de 2014 realizado por Cohen et al. revelou que 88% dos doentes preferiam a anestesia subconjuntival em vez de 12% da anestesia tópica para injeções IV contínuas,<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B25">25</xref>)</sup> todavia a anestesia tópica é a anestesia mais utilizada pelos oftalmologistas.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>)</sup></p>
<p>Nesse sentido, caso sejam utilizados colírios anestésicos tópicos, deverão ser realizadas duas a três aplicaçõesantes da injeção IV, com intervalos de 5 minutos, para que possa proporcionar o efeito anestésico pretendido na redução da dor.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B15">15</xref>)</sup></p>
</sec>
<sec>
<title>Prescrição de lágrima artificial sem conservantes</title>
<p>A prescrição de lágrima artificial sem conservantes após realização do procedimento de injeção IV é aconselhada em dois estudos incluídos nesta revisão, nas 24 a 48 horas após administração de injeção IV, em utentes que apresentem desconforto ocular.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>)</sup> Nestes casos, a posologia recomendada é &quot;de 1 gota a cada 2 horas, para amenizar os sintomas que tendem a resolver em 24 a 48 horas&quot;.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>)</sup></p>
</sec>
<sec>
<title>Irrigação da superfície ocular com soro fisiológico</title>
<p>A irrigação da superfície ocular com foro fisiológico após injeção IV foi enumerada em três dos estudos encontrados e surge como tentativa de diminuir o desconforto do doente e de minimizar a toxicidade epitelial, causada pelo agente antisséptico, quer seja ele a iodopovidona ou a clorohexidina.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>)</sup></p>
<p>Singh et al. relatam sua prática clínica, bem como um pequeno ensaio realizado com 21 pacientes, referindo que retirar o excesso de iodopovidona da superfície ocular após injeção IV, realizando uma lavagem com soro fisiológico, diminui a irritação e o desconforto pós-procedimento, melhorando a experiência do paciente.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>)</sup></p>
<p>A <xref ref-type="table" rid="t1">tabela 1</xref> resumo as práticas associadas à segurança no procedimento de injeção IV.</p>
<table-wrap id="t1">
<label>Tabela 1</label>
<caption><title>Resumo de boas práticas na administração de injeções intravítrea</title></caption>
<table frame="hsides" rules="groups">
<colgroup width="33%">
<col/>
<col/>
<col/>
</colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr style="background-color:#124C76;color:#FFFFFF">
<th align="left" valign="middle">Prática</th>
<th align="left" valign="middle">Evidência científica</th>
<th align="left" valign="middle">Recomendação</th>
</tr>
</thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr style="background-color:#EDEDED">
<td align="left" valign="middle">Antissepsia das mãos</td>
<td align="left" valign="middle">Consensual como prática essencial</td>
<td align="left" valign="middle">Obrigatória</td>
</tr>
<tr style="background-color:#FDF8D9">
<td align="left" valign="middle">Uso de luvas (não esterilizadas)</td>
<td align="left" valign="middle">Aceite desde que sem contacto direto</td>
<td align="left" valign="middle">Obrigatória</td>
</tr>
<tr style="background-color:#EDEDED">
<td align="left" valign="middle">Uso de luvas esterilizadas</td>
<td align="left" valign="middle">Sem evidência adicional de benefício</td>
<td align="left" valign="middle">Opcional</td>
</tr>
<tr style="background-color:#FDF8D9">
<td align="left" valign="middle">Retração palpebral (manual ou blefaróstato)</td>
<td align="left" valign="middle">Reduz risco de contaminação</td>
<td align="left" valign="middle">Obrigatória</td>
</tr>
<tr style="background-color:#EDEDED">
<td align="left" valign="middle">Máscara cirúrgica e restrição de conversa</td>
<td align="left" valign="middle">Reduz dispersão bacteriana</td>
<td align="left" valign="middle">Obrigatória</td>
</tr>
<tr style="background-color:#FDF8D9">
<td align="left" valign="middle">Aplicação de iodopovidona 5%</td>
<td align="left" valign="middle">Considerado padrão-ouro</td>
<td align="left" valign="middle">Obrigatória</td>
</tr>
<tr style="background-color:#EDEDED">
<td align="left" valign="middle">Campo cirúrgico</td>
<td align="left" valign="middle">Sem evidência de redução de endoftalmite</td>
<td align="left" valign="middle">Facultativo</td>
</tr>
<tr style="background-color:#FDF8D9">
<td align="left" valign="middle">Desinfeção de pálpebras e pestanas</td>
<td align="left" valign="middle">Sem evidência clara de benefício</td>
<td align="left" valign="middle">Facultativo e com cautela</td>
</tr>
<tr style="background-color:#EDEDED">
<td align="left" valign="middle">Uso de bata, touca e proteção para sapatos</td>
<td align="left" valign="middle">Não sustentado por evidência</td>
<td align="left" valign="middle">Facultativo</td>
</tr>
<tr style="background-color:#FDF8D9">
<td align="left" valign="middle">Colocação de penso oftálmico</td>
<td align="left" valign="middle">Não recomendado pelas diretrizes</td>
<td align="left" valign="middle">Facultativo</td>
</tr>
<tr style="background-color:#EDEDED">
<td align="left" valign="middle">Antibióticos tópicos</td>
<td align="left" valign="middle">Ineficazes e potencialmente prejudiciais</td>
<td align="left" valign="middle">Não recomendado</td>
</tr>
<tr style="background-color:#FDF8D9">
<td align="left" valign="middle">Anestesia tópica com colírio</td>
<td align="left" valign="middle">Útil para conforto e diminuição da dor</td>
<td align="left" valign="middle">Recomendado</td>
</tr>
<tr style="background-color:#EDEDED">
<td align="left" valign="middle">Lágrima artificial sem conservantes</td>
<td align="left" valign="middle">Pode aliviar desconforto</td>
<td align="left" valign="middle">Recomendado em casos específicos</td>
</tr>
<tr style="background-color:#FDF8D9">
<td align="left" valign="middle">Irrigação ocular com soro fisiológico</td>
<td align="left" valign="middle">Reduz toxicidade do antisséptico</td>
<td align="left" valign="middle">Facultativo</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</table-wrap>
</sec>
</sec>
<sec>
<title>Procedimento de administração bilateral de Injeções IV, no mesmo dia</title>
<p>Na revisão, foram encontrados nove artigos que apresentavam dados e diretrizes em casos de administração bilateral de injeções IV no mesmo dia, sendo que todos afirmam ser seguro desde que sejam cumpridos determinados critérios de segurança.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>,-<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B15">15</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B17">17</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B26">26</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B27">27</xref>)</sup> Desses artigos de revisão, apenas dois fizeram menção a um estudo em que foram reportados dois casos de endoftalmite bilateral, e cinco estudos referiram não terem sido registados casos de endoftalmite bilateral. De forma transversal, as taxas de endoftalmite unilateral em procedimentos bilaterais no mesmo dia encontram-se em linha com os procedimentos unilaterais, ou seja, na ordem dos 0,027%.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B26">26</xref>)</sup> e 0,062%.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>)</sup></p>
<p>Considerando os dados recolhidos nestes artigos, para a realização de procedimentos bilaterais no mesmo dia, devem ser cumpridos os seguintes critérios de segurança: procedimentos individuais para cada olho, lotes de medicamentos diferentes, momentos distintos de lavagem da mãos e abertura de material esterilizado para cada um dos procedimentos.</p>
</sec>
</sec>
</sec>
<sec sec-type="discussion">
<title>DISCUSSÃO</title>
<sec>
<title>Gabinete de consulta versus bloco operatório</title>
<p>A análise dos dados evidencia que a administração de injeções intravítreas em contexto de gabinete de consulta é segura, desde que garantidas condições assépticas e protocolos rigorosos. Essa prática, além de manter baixos índices de complicações, contribui para a acessibilidade, aliviando os blocos operatórios e promovendo uma resposta mais eficaz às necessidades crescentes, sendo uma estratégia promissora para a equidade e a sustentabilidade dos cuidados oftalmológicos.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B8">8</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B14">14</xref>)</sup></p>
</sec>
<sec>
<title>Administração de injeção intravítrea bilateral no mesmo dia</title>
<p>A evidência analisada sustenta a segurança da administração bilateral de injeções intravítreas no mesmo dia, desde que cada olho seja tratado como procedimento distinto, com rigor asséptico, e diferentes lotes do medicamento. As taxas de endoftalmite permanecem comparáveis às da injeção unilateral, validando essa prática como eficaz, segura e alinhada com uma resposta mais eficiente e centrada nas necessidades reais dos utentes.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B26">26</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B27">27</xref>)</sup></p>
</sec>
<sec>
<title>Boas práticas associadas ao procedimento de Injeções Intravítreas</title>
<p>A administração de injeções IV tornou-se um procedimento central na prática oftalmológica contemporânea, impondo uma atenção redobrada à prevenção da endoftalmite, complicação rara, mas potencialmente devastadora.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B17">17</xref>)</sup> A análise da literatura evidencia um conjunto de práticas recomendadas com distintos níveis de sustentação científica. A higienização das mãos, apesar de não se encontrar diretamente associada à redução da endoftalmite, é consensualmente reconhecida como essencial. A utilização de luvas é obrigatória, embora não seja unânime a necessidade de esterilização, desde que se evite contato com a agulha ou a zona de injeção.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B15">15</xref>)</sup></p>
<p>A retração palpebral, seja manual ou com blefaróstato, destaca-se como medida imprescindível para evitar a contaminação da área de punção.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B15">15</xref>)</sup> O uso de máscara cirúrgica e a limitação da conversação durante o procedimento assumem especial relevância, sustentadas por evidência robusta que comprova sua eficácia na redução da dispersão de microrganismos.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B20">20</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B21">21</xref>)</sup> A aplicação de iodopovidona a 5% durante pelo menos 30 segundos sobre a conjuntiva, após retração das pálpebras, é reiteradamente apontada como a estratégia profilática mais eficaz.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>)</sup></p>
<p>Em contraste, práticas como o uso de campos, toucas ou protetores de calçado não demonstraram impacto significativo na prevenção da infeção. Da mesma forma, a colocação de penso ocular pós-injeção é considerada facultativa.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>)</sup> O uso de antibióticos tópicos, outrora comum, está atualmente desaconselhado, face à ausência de eficácia e ao risco de resistência antimicrobiana.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B22">22</xref>-<xref ref-type="bibr" rid="B24">24</xref>)</sup> Por fim, o colírio anestésico é recomendado para controle da dor associada ao procedimento, enquanto a aplicação de lágrimas artificiais sem conservantes e a irrigação da superfície ocular após a injeção IV configuram medidas de conforto, destinadas ao alívio do desconforto pós-procedimento.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B25">25</xref>)</sup> Essas intervenções devem ser ajustadas à perceção de dor e ao bem-estar individual do paciente.</p>
<p>Apesar de a presente <italic>revisão</italic> ter reunido e analisado as evidências científicas mais recentes sobre as boas práticas na administração de injeções intravítreas, identificam-se algumas limitações que importa reconhecer. A principal fragilidade prende-se com a escassez de estudos primários encontrados e revisões sistemáticas que abordem de forma comparativa determinadas práticas clínicas, como o uso de máscara pelos doentes, a desinfeção periocular, o tipo de anestesia e as medidas de conforto pós-procedimento. Assim, recomenda-se o desenvolvimento de investigações prospetivas e ensaios clínicos controlados que permitam consolidar a evidência existente e colmatar as lacunas identificadas, particularmente no que respeita ao impacto das práticas asséticas e contextuais na prevenção de endoftalmite e na melhoria da experiência do paciente. A criação de protocolos internacionalmente harmonizados poderá ainda contribuir para uma prática mais segura, padronizada e baseada na melhor evidência disponível.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B8">8</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B20">20</xref>)</sup></p>
</sec>
</sec>
<sec sec-type="conclusions">
<title>CONCLUSÃO</title>
<p>O aumento do número de injeções intravítreas, muitas vezes bilaterais e de forma crônica, conduziu a uma adaptação da prática clínica, nomeadamente na transição para contextos não cirúrgicos e na realização bilateral no mesmo dia. A análise da literatura confirma que essas alterações podem ser implementadas com segurança, desde que cumpridas rigorosamente as práticas com evidência na prevenção da endoftalmite. A definição de procedimentos mandatórios permite a uniformização e qualidade técnica da intervenção, enquanto as práticas orientadas para o conforto do paciente, embora não associadas à redução de complicações, contribuem para o bem-estar e satisfação, elementos essenciais nos cuidados centrados no utente. Esta revisão constitui, assim, um contributo relevante para a promoção da segurança e qualidade assistencial, sustentando a adoção de boas práticas baseadas na melhor evidência científica disponível.</p>
</sec>
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<fn fn-type="financial-disclosure" id="fn1"><label>Fonte de auxílio à pesquisa:</label><p>trabalho não financiado.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn2"><label>Instituição de realização do trabalho:</label><p>Unidade Local de Saúde de Almada-Seixal, Pragal, Setúbal, Portugal</p></fn>
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<sec sec-type="data-availability" specific-use="data-in-article">
<title>Declaração de Disponibilidade de Dados:</title><p>Os conjuntos de dados gerados e/ou analisados durante o estudo atual estão incluídos no manuscrito.</p>
</sec>
<ack>
<title>AGRADECIMENTOS</title>
<p>Gostaríamos de expressar os nossos sinceros agradecimentos ao Exmo. Senhor Diretor do Centro de Responsabilidade Integrado (CRI) de Oftalmologia, Dr. Nuno Campos, pelo seu empenho constante e dedicação diária à excelência do funcionamento do Serviço de Oftalmologia, assegurando elevados padrões de qualidade e segurança para os utentes. Ao Dr. Diogo Cabral, manifestamos o nosso reconhecimento pela sua contínua procura das evidências científicas mais recentes, essenciais para o cumprimento dos objetivos delineados para o serviço, bem como pela sua colaboração enquanto revisor deste artigo. Finalmente, dirigimos o nosso mais profundo agradecimento a toda a Equipa de Enfermagem, cujo trabalho incansável, dedicação e atenção constante representam a verdadeira base da qualidade dos cuidados prestados e da segurança dos nossos pacientes. O empenho diário, a sensibilidade e o profissionalismo de cada elemento da equipa são imprescindíveis para o sucesso do serviço e merecem o nosso maior reconhecimento e apreço.</p>
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<title>REFERÊNCIAS</title>
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