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<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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<journal-id journal-id-type="publisher-id">rbof</journal-id>
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<journal-title>Revista Brasileira de Oftalmologia</journal-title>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. bras.oftalmol.</abbrev-journal-title></journal-title-group>
<issn pub-type="ppub">0034-7280</issn>
<issn pub-type="epub">1982-8551</issn>
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<publisher-name>Sociedade Brasileira de Oftalmologia</publisher-name></publisher>
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<article-id pub-id-type="doi">10.37039/1982.8551.20260095</article-id>
<article-id pub-id-type="other">1982.8551.20260095</article-id>
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<subj-group subj-group-type="heading">
<subject>Artigo Original</subject>
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<article-title><italic>Kit</italic> de triagem oftalmológica na Atenção Primária como ferramenta de prevenção da cegueira e baixa visão infantil</article-title>
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<trans-title>Ophthalmologic screening kit in Primary Care as a tool for preventing childhood blindness and visual impairment</trans-title>
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<contrib contrib-type="author">
<contrib-id contrib-id-type="orcid">0009-0009-8411-2002</contrib-id>
<name><surname>Chaves</surname><given-names>Michelle Rodrigues Gonçalves Dias</given-names></name>
<role>concepção e desenho do estudo</role>
<role>revisão integrativa da literatura</role>
<role>construção dos componentes do Kit Oftalmológico de Triagem (KOT)</role>
<role>aquisição, análise e interpretação dos dados</role>
<role>elaboração do manuscrito</role>
<role>aprovação final da versão a ser publicada</role>
<role>responsabilidade por todos os aspectos do trabalho</role>
<xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>1</sup></xref>
<xref ref-type="corresp" rid="c1"/>
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<contrib contrib-type="author">
<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-8477-1993</contrib-id>
<name><surname>Rodrigues</surname><given-names>Gabriel</given-names><suffix>Neto</suffix></name>
<role>concepção e desenho do estudo</role>
<role>orientação metodológica</role>
<role>análise e interpretação dos dados</role>
<role>revisão crítica do conteúdo intelectual do manuscrito</role>
<role>aprovação final da versão a ser publicada</role>
<role>responsabilidade pela integridade do trabalho</role>
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<contrib contrib-type="author">
<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-4491-3330</contrib-id>
<name><surname>Chaves</surname><given-names>Mario Augusto Pereira Dias</given-names></name>
<role>contribuição para a análise e interpretação dos dados</role>
<role>revisão crítica do manuscrito</role>
<role>aprovação final da versão a ser publicada</role>
<role>compromisso com a precisão e a integridade de todas as partes do trabalho</role>
<xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>1</sup></xref>
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<contrib contrib-type="author">
<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-7885-4837</contrib-id>
<name><surname>Gonçalves</surname><given-names>Maria da Conceição Rodrigues</given-names></name>
<role>revisão crítica do manuscrito, com contribuições intelectuais relevantes</role>
<role>aprovação final da versão a ser publicada</role>
<role>compromisso com a precisão e a integridade de todas as partes do trabalho</role>
<xref ref-type="aff" rid="aff2"><sup>2</sup></xref>
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<contrib contrib-type="author">
<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-1127-718X</contrib-id>
<name><surname>Evangelista</surname><given-names>Isabella Wanderley de Queiroga</given-names></name>
<role>revisão crítica do manuscrito, com contribuições intelectuais relevantes</role>
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<role>compromisso com a precisão e a integridade de todas as partes do trabalho</role>
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<contrib contrib-type="author">
<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-8831-3620</contrib-id>
<name><surname>Pereira</surname><given-names>Vagna Cristina Leite da Silva</given-names></name>
<role>revisão crítica do manuscrito, com contribuições intelectuais relevantes</role>
<role>aprovação final da versão a ser publicada</role>
<role>compromisso com a precisão e a integridade de todas as partes do trabalho</role>
<xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>1</sup></xref>
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<label>1</label>
<institution content-type="orgname">Faculdade de Enfermagem e Medicina Nova Esperança</institution>
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<named-content content-type="city">João Pessoa</named-content>
<named-content content-type="state">PB</named-content>
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<country country="BR">Brasil</country>
<institution content-type="original">Programa de Pós-Graduação em Saúde da Família, Faculdade de Enfermagem e Medicina Nova Esperança, João Pessoa, PB, Brasil.</institution>
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<label>2</label>
<institution content-type="orgname">Universidade Federal da Paraíba</institution>
<institution content-type="orgdiv1">Departamento de Nutrição</institution>
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<named-content content-type="city">João Pessoa</named-content>
<named-content content-type="state">PB</named-content>
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<country country="BR">Brasil</country>
<institution content-type="original">Programa de Pós Graduação e Pesquisa, Departamento de Nutrição, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, PB, Brasil.</institution>
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<author-notes>
<corresp id="c1"><label>Autor correspondente:</label> Michelle Rodrigues Gonçalves Dias Chaves Avenida São Gonçalo, 416, apto. 1.602 – Manaíra CEP <postal-code>58038330</postal-code> – João Pessoa, PB, Brasil E-mail: <email>michelle.oftalmo@outlook.com</email></corresp>
<fn fn-type="coi-statement"><label>Conflitos de interesse:</label> <p>não há conflitos de interesses.</p></fn>
<fn fn-type="edited-by"><label>Editor Associado:</label> <p>Bruno Machado Fontes, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0001-5725-1458">https://orcid.org/0000-0001-5725-1458</ext-link></p></fn>
</author-notes>
<pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
<day>14</day>
<month>10</month>
<year>2026</year>
</pub-date>
<pub-date publication-format="electronic" date-type="collection">
<year>2026</year></pub-date>
<volume>85</volume>
<elocation-id>e0095</elocation-id>
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<date date-type="received">
<day>02</day>
<month>12</month>
<year>2025</year>
</date>
<date date-type="accepted">
<day>07</day>
<month>06</month>
<year>2026</year>
</date>
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<copyright-statement>Copyright ©2026</copyright-statement>
<copyright-year>2026</copyright-year>
<copyright-holder>The Author(s)</copyright-holder>
<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" xml:lang="en">
<license-p>All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License</license-p>
</license>
</permissions>
<abstract>
<title>RESUMO</title>
<sec>
<title>Objetivo:</title>
<p>Desenvolver e descrever o <italic>kit</italic> oftalmológico de triagem para uso por médicos generalistas na Atenção Primária à Saúde, visando à triagem de crianças de zero a 10 anos e à prevenção da ambliopia.</p>
</sec>
<sec>
<title>Métodos:</title>
<p>Estudo metodológico em quatro fases: revisão integrativa da literatura; planejamento com matriz SWOT; construção dos componentes do <italic>kit</italic> oftalmológico de triagem; e refinamento com avaliação de funcionalidade, validade de conteúdo, aplicabilidade e limitações.</p>
</sec>
<sec>
<title>Resultados:</title>
<p>O <italic>kit</italic> oftalmológico de triagem reuniu: manual de orientação médica (exame por faixa etária, sinais de alarme e critérios de encaminhamento); Caderneta de Saúde Ocular, para registro e coparticipação familiar, com toda a equipe da Unidade Básica de Saúde; e um conjunto básico de instrumentos (oftalmoscópio direto, tabelas padronizadas de acuidade visual por capacidade cognitiva, oclusor, lanterna, fita métrica e fita adesiva). O material organizou fluxos de triagem na Atenção Primária à Saúde, padroniza procedimentos e integra registro longitudinal.</p>
</sec>
<sec>
<title>Conclusão:</title>
<p>O <italic>kit</italic> oftalmológico de triagem oferece protocolo padronizado de triagem visual infantil para a Atenção Primária à Saúde, com potencial para antecipar o diagnóstico, qualificar o encaminhamento e prevenir deficiências visuais evitáveis. Estudos de validação em campo e análise de custo-efetividade são as etapas futuras previstas.</p>
</sec>
</abstract>
<trans-abstract xml:lang="en">
<title>ABSTRACT</title>
<sec>
<title>Objective:</title>
<p>To develop and describe the Ophthalmic Screening Kit (KOT) to be used by general practitioners in primary health care (PHC), aimed at screening children aged 0-10 years and preventing amblyopia.</p>
</sec>
<sec>
<title>Methods:</title>
<p>Methodological study conducted in four phases: (1) integrative literature review; (2) planning using a SWOT matrix; (3) construction of KOT components; and (4) refinement through assessment of functionality, content validity, applicability, and limitations.</p>
</sec>
<sec>
<title>Results:</title>
<p>The KOT comprises a guidance manual for general practitioners (age-specific examination, red flags, and referral criteria); an Ocular Health Record booklet for documentation and family co-participation; and a basic instrument set (direct ophthalmoscope, standardized visual-acuity charts matched to cognitive level, occluder, penlight, measuring tape, and adhesive tape). The materials organize PHC screening workflows, standardize procedures, and enable longitudinal recording.</p>
</sec>
<sec>
<title>Conclusion:</title>
<p>The KOT provides a standardized protocol for pediatric vision screening in PHC, with the potential to anticipate diagnosis, improve referral quality, and prevent avoidable visual impairment. The next steps are field validation studies and cost-effectiveness analyses.</p>
</sec>
</trans-abstract>
<kwd-group xml:lang="pt">
<title>Descritores:</title>
<kwd>Seleção visual</kwd>
<kwd>Atenção primária à saúde</kwd>
<kwd>Ambliopia</kwd>
<kwd>Prevenção de doenças</kwd>
<kwd>Criança</kwd>
</kwd-group>
<kwd-group xml:lang="en">
<title>Keywords:</title>
<kwd>Vision screening</kwd>
<kwd>Primary health care</kwd>
<kwd>Amblyopia</kwd>
<kwd>Disease prevention</kwd>
<kwd>Child</kwd>
</kwd-group>
<funding-group>
<funding-statement><bold>Fonte de auxílio à pesquisa:</bold> trabalho não financiado.</funding-statement>
</funding-group>
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<equation-count count="0"/>
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<sec sec-type="intro">
<title>INTRODUÇÃO</title>
<p>A saúde ocular e a qualidade da visão são componentes essenciais do bem-estar individual, com impacto direto sobre a saúde pública e o desenvolvimento socioeconômico.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>)</sup> Em escala global, as condições de visão têm grande impacto populacional (em prevalência, incapacidade e custos) e expressam desigualdades evitáveis no acesso aos serviços de saúde ocular. <sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>)</sup> Em 2020, estimou-se que 596 milhões de pessoas apresentavam deficiência visual para longa distância, das quais 43 milhões estavam cegas; adicionalmente, cerca de 510 milhões tinham presbiopia não corrigida.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>)</sup> Grande parte dessas causas seriam preveníveis ou tratáveis por intervenções de baixo custo quando integradas à Atenção Primária à Saúde (APS) <sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>)</sup></p>
<p>A deficiência visual pode ser definida por acuidade inferior a 20/40, limite já suficiente para comprometer atividades diárias; <sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>)</sup> a cegueira é frequentemente definida como acuidade inferior a 20/200 em países desenvolvidos ou inferior a 20/400 em países em desenvolvimento.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref>)</sup> No Brasil, estudos de base populacional também demonstram a ocorrência de deficiência visual em crianças e a presença de fatores associados, reforçando a relevância de estratégias de detecção precoce nesse grupo etário.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>)</sup> Entre as causas preveníveis na infância, destaca-se a ambliopia, com prevalência estimada em 1 a 5% em populações pré-escolares e escolares, justificando a triagem precoce e o tratamento oportuno.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>)</sup> Diretrizes internacionais recomendam triagem sistemática na primeira infância: a American Association for Pediatric Ophthalmology and Strabismus (AAPOS) orienta rastreios regulares entre 3 e 5 anos, com critérios objetivos de encaminhamento e uso de instrumentos validados conforme a idade; no Reino Unido, o programa nacional realiza triagem universal aos 4 a 5 anos no ingresso escolar. <sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>–<xref ref-type="bibr" rid="B11">11</xref>)</sup></p>
<p>No Brasil, a Política Nacional de Atenção em Oftalmologia (PNAO) buscou integrar promoção, prevenção, diagnóstico e reabilitação no Sistema Único de Saúde (SUS).<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B8">8</xref>)</sup> No contexto brasileiro, diretrizes nacionais reforçam a importância da detecção precoce e da intervenção oportuna em alterações visuais na infância, especialmente no âmbito da Atenção Primária à Saúde.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B9">9</xref>)</sup> Persistem, contudo, barreiras estruturais, como desigualdades no acesso aos serviços de saúde ocular, dificuldades de organização da linha de cuidado e lacunas em programas de triagem efetivos. <sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B8">8</xref>)</sup> Iniciativas como o Projeto Olhar Brasil, estratégia brasileira voltada à triagem de acuidade visual e à ampliação do acesso à avaliação oftalmológica, sobretudo entre escolares, contribuíram para a identificação de problemas refracionais em contextos específicos, mas não estruturam um protocolo operacional padronizado que contemple a faixa de zero a dez anos na APS, com fluxos, instrumentos e critérios de encaminhamento definidos. <sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B10">10</xref>)</sup></p>
<p>Diante dessas lacunas, este estudo desenvolveu o Kit Oftalmológico de Triagem (KOT), direcionado a médicos generalistas da Atenção Primária à Saúde (APS), com o objetivo de padronizar a triagem oftalmológica de crianças de zero a dez anos, favorecer o reconhecimento precoce de condições tratáveis, especialmente a ambliopia, e qualificar o encaminhamento. O KOT foi estruturado para reunir materiais acessíveis e de baixo custo, fluxos decisórios e critérios objetivos de encaminhamento por faixa etária, de modo compatível com as rotinas e os recursos das unidades básicas de saúde, com foco em viabilidade, reprodutibilidade e equidade de acesso.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>)</sup> À luz das recomendações internacionais, a proposta considera a necessidade de, pelo menos, uma avaliação entre três e cinco anos, período em que há melhor evidência de benefício para a triagem visual, e reconhece que, abaixo de três anos, a evidência é mais limitada, embora sinais clínicos possam ser identificados no exame médico e justificar acompanhamento clínico anual com essa finalidade. <sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>)</sup> Para crianças testáveis de 36–47 meses e 48–59 meses, o KOT adota limiares de referência compatíveis com os recomendados pela AAPOS, como desempenho equivalente às linhas 20/50 e 20/40, respectivamente. <sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B11">11</xref>)</sup> Além disso, em modelos organizados de triagem, como o britânico, a avaliação universal aos quatro a cinco anos é realizada com testes padronizados, reforçando a relevância da padronização operacional e da referenciação oportuna na linha de cuidado em saúde ocular infantil. <sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>)</sup> Nesse sentido, o KOT foi delineado para reunir esses elementos em uma proposta operacional voltada ao contexto da APS brasileira. <sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>)</sup></p>
<p>O objetivo deste estudo foi desenvolver e descrever o KOT para uso por médicos generalistas na APS, visando à triagem de crianças de zero a 10 anos e à prevenção da ambliopia.</p>
</sec>
<sec sec-type="methods">
<title>MÉTODOS</title>
<p>Estudo metodológico de desenvolvimento de tecnologia para a APS, voltado à triagem oftalmológica infantil (zero a 10 anos). O objetivo foi construir um KOT com seus artefatos padronizados (manual, caderneta e tabelas clínicas), alinhado a diretrizes internacionais e à realidade de UBS, com ênfase em viabilidade, reprodutibilidade e aplicabilidade na prática <sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B11">11</xref>)</sup></p>
<p>O estudo não envolveu participantes humanos, prontuários ou dados clínicos identificáveis. Os profissionais de Atenção Primária à Saúde e de oftalmologia pediátrica participaram exclusivamente como consultores técnicos/especialistas no processo de desenvolvimento e refinamento do KOT, sem coleta de dados de pesquisa sobre esses profissionais e sem utilização de informações pessoais ou clínicas identificáveis. Dessa forma, não houve submissão a Comitê de Ética em Pesquisa nem necessidade de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.</p>
<sec>
<title>Fases de desenvolvimento</title>
<sec>
<title>Fase 1: conceituação e revisão integrativa da literatura</title>
<p>Definimos a pergunta norteadora e conduzimos uma revisão integrativa seguindo etapas clássicas: planejamento, busca, seleção, extração e síntese.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B12">12</xref>)</sup> As buscas foram realizadas nas bases PubMed<sup>®</sup>, <italic>Web of Science</italic> e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), no período 2009 a 2024. Utilizamos descritores <italic>Medical Subject Headings</italic> (MeSH)/Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e operadores booleanos, sem restrição de idioma.</p>
<p>Identificamos 5.398 registros. Após triagem de títulos e resumos, 484 estudos foram elegíveis para avaliação. Desses, 136 textos foram analisados na íntegra e 19 documentos foram incluídos (17 artigos e 2 documentos oficiais). A síntese evidenciou falta de padronização dos marcos do desenvolvimento visual, lacunas em diretrizes de acompanhamento e heterogeneidade de protocolos e critérios de encaminhamento, com predomínio de triagens escolares acima de 5 anos (<xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref>).</p>
<fig id="f1">
<label>Figura 1</label>
<caption>
<title>Fluxo de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos estudos na revisão integrativa (2009–2024). PRISMA adaptado: buscas realizadas nas bases PubMed<sup>®</sup>, Web of Science™ e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), com triagem por títulos e resumos, avaliação dos textos completos e inclusão final de 19 documentos (17 artigos e 2 documentos oficiais), sem restrição de idioma.</title></caption>
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</fig>
</sec>
<sec>
<title>Fase 2: Planejamento (matriz SWOT) e definição de requisitos</title>
<p>Com base na síntese e em discussões com oftalmologistas e médicos da APS, elaborou-se uma matriz SWOT, definindo população-alvo, objetivos, materiais mínimos, fluxos decisórios, critérios etários de encaminhamento e requisitos de integração com o prontuário eletrônico. O foco foi a prevenção da ambliopia por erros refracionais e outras condições tratáveis, em consonância com recomendações internacionais. <sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>)</sup></p>
</sec>
<sec>
<title>Fase 3: Construção do <italic>kit</italic> oftalmológico de triagem</title>
<p>Produzimos um Manual do generalista (exame por faixa etária, sinais de alerta e critérios objetivos de encaminhamento); uma Caderneta de Saúde Ocular (registro longitudinal e coparticipação familiar); tabelas de acuidade padronizadas por capacidade cognitiva; e um conjunto básico de instrumentos de baixo custo (por exemplo: oclusor, lanterna, fita métrica e fita adesiva), associados ao uso do oftalmoscópio direto, instrumento utilizado na Atenção Primária à Saúde e recomendado para a realização do teste do reflexo vermelho.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B13">13</xref>)</sup> Especificações detalhadas de impressão, dimensões, leiaute, instruções de aplicação e modelos preenchidos estão detalhadas nos <xref ref-type="app" rid="app1">Apêndices 1</xref> a <xref ref-type="app" rid="app3">3</xref>.</p>
</sec>
<sec>
<title>Fase 4: Aperfeiçoamento por especialistas (avaliação qualitativa de conteúdo)</title>
<p>Foram realizadas consultas técnicas estruturadas, discussões em grupo e julgamento por consenso com profissionais da Atenção Primária à Saúde e da oftalmologia pediátrica, que atuaram exclusivamente como especialistas consultores no processo de apreciação da relevância, abrangência e clareza dos componentes do KOT. Não houve coleta de dados de pesquisa sobre esses profissionais. Os pareceres técnicos orientaram ajustes de linguagem, organização dos fluxos e granularidade dos critérios etários, conforme boas práticas para validade de conteúdo.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B14">14</xref>–<xref ref-type="bibr" rid="B16">16</xref>)</sup></p>
</sec>
</sec>
</sec>
<sec sec-type="results">
<title>RESULTADOS</title>
<p>O resultado do processo foi o KOT, concebido para operacionalizar a triagem visual infantil na APS por médicos generalistas. O KOT integrou materiais mínimos de baixo custo, um manual clínico com fluxos e critérios objetivos por faixa etária e uma caderneta para registro longitudinal, visando padronização, reprodutibilidade, rastreabilidade e integração ao prontuário eletrônico.</p>
<p>Foram componentes do KOT:</p>
<list list-type="bullet">
<list-item><p>Materiais mínimos: oclusor infantil, lanterna, fita métrica e fita adesiva, além de tabelas padronizadas de acuidade calibradas conforme capacidade cognitiva e distância de teste. O oftalmoscópio direto é recomendado para realização do teste do reflexo vermelho.</p></list-item>
<list-item><p>Manual do generalista: organizado por faixa etária, descreve história dirigida, exame objetivo mínimo, triagem de acuidade quando testável, sinais de alarme e critérios objetivos de encaminhamento. Inclui fluxos decisórios, orientações de comunicação com a família e prazos de retorno ou referência.</p></list-item>
<list-item><p>Caderneta de Saúde Ocular: instrumento de registro longitudinal e coparticipação familiar, com campos para marcos do desenvolvimento, medidas de acuidade visual (OD/OE, distância, linha atingida), resultado, critério de encaminhamento, orientações e retorno programado.</p></list-item>
</list>
<p>Nos zeros a 35 meses, privilegiou-se a avaliação clínica dirigida, com ênfase em comportamento visual, fixação e seguimento, reflexo vermelho, alinhamento ocular, ptose, leucocoria e nistagmo. A presença de sinais de alarme indicou encaminhamento imediato; na ausência de achados, recomendou-se retorno programado.</p>
<p>Entre 36 e 47 meses (pré-escolares testáveis), a triagem foi realizada com optótipos ou figuras padronizadas em distância calibrada. Adotou-se como limiar de referência o desempenho equivalente a 20/50; resultados abaixo desse patamar ou a identificação de sinais de alarme justificaram encaminhamento, enquanto casos indeterminados deviam ser retestados em 4 a 6 semanas após treino domiciliar.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B11">11</xref>)</sup></p>
<p>No grupo de 48 a 59 meses, o limiar considerado foi 20/40, mantendo-se os mesmos critérios de encaminhamento, repetição do teste e retorno programado descritos para a faixa anterior.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B11">11</xref>)</sup></p>
<p>A partir de 5 anos, utilizou-se progressão padronizada até 20/30 a 20/20. Recomendou-se encaminhamento quando a acuidade foi inferior a 20/30 em qualquer olho, quando houver diferença interocular clinicamente relevante ou se tivessem sido observados sinais de alarme.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B11">11</xref>)</sup> Comparada à triagem escolar esporádica e heterogênea, a proposta: estrutura a janela crítica de 3 a 5 anos, quando houve melhor evidência de benefício para ambliopia; abaixo de 3 anos, a evidência foi limitada e justificou enfoque clínico dirigido;<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>)</sup> define limiares etários e sinais de alarme uniformes, reduzindo variação entre profissionais; <sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B11">11</xref>)</sup> permite um algoritmo de avaliação clínica direcionada, com prazos de retorno e referência, e diminui encaminhamentos tardios ou inconsistentes;<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B11">11</xref>)</sup> a caderneta e o prontuário estruturado foram concebidos para permitir o acompanhamento da adesão, a programação de reavaliações e a documentação de desfechos pós-encaminhamento, garantindo rastreabilidade/auditabilidade do cuidado. Houve equidade e viabilidade, com materiais simples, linguagem acessível, leiaute de fácil reprodução e integração com rotinas da UBS.</p>
<p>A triagem na pré-escola (3 a 5 anos) associada a tratamento oportuno apresentou benefício líquido com certeza moderada para prevenir perda visual por ambliopia; já abaixo de 3 anos, a evidência foi limitada, o que respaldou o enfoque clínico nessa faixa.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>)</sup> Em serviços de saúde, a adesão ao encaminhamento variou amplamente e, em muitos cenários, situou-se ao redor de 50%, podendo ser menor em contextos vulneráveis; padronização de fluxo, registro estruturado e comunicação ativa com a família tenderam a melhorar essa taxa, justificando os principais componentes do KOT (manual e caderneta).<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B17">17</xref>)</sup></p>
<p>Sínteses econômicas indicaram que programas de triagem de ambliopia em crianças pequenas podiam ser custo-efetivos quando comparados à ausência de triagem, embora os resultados variassem por pressupostos e contextos, reforçando a importância de processos padronizados e boa adesão para otimizar custo/benefício (<xref ref-type="table" rid="t1">Quadros 1</xref> a <xref ref-type="table" rid="t4">4</xref>).<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B18">18</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B19">19</xref>)</sup></p>
<table-wrap id="t1">
<label>Quadro 1</label>
<caption>
<title>Marcos do desenvolvimento visual por faixa etária. Marcos do desenvolvimento visual por faixa etária, agrupados em cinco categorias funcionais: foco visual, atenção visual, coordenação óculo-manual, comportamento visual e acuidade visual estimada. A ausência de um ou mais marcos esperados para determinada idade configura critério de reavaliação precoce ou encaminhamento especializado. Após o terceiro ano de vida, a acuidade visual pode ser mensurada com uso de material específico para crianças de acordo com a faixa etária. Para crianças abaixo de 3 anos, devido a limitações técnicas, a acuidade visual será apenas estimada com base nos outros dados obtidos durante a avaliação clínica e o exame físico.</title></caption>
<table frame="box" rules="all">
<colgroup width="16%">
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
</colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr style="background-color:#124C76;color:#FFFFFF">
<th align="left" valign="top">Faixa etária</th>
<th align="left" valign="top">Foco visual</th>
<th align="left" valign="top">Atenção visual</th>
<th align="left" valign="top">Coordenação óculo-manual</th>
<th align="left" valign="top">Comportamento visual</th>
<th align="left" valign="top">Acuidade visual estimada</th>
</tr>
</thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr style="background-color:#EDEDED">
<td align="left" valign="top">0-3 meses</td>
<td align="left" valign="top">Segue objetos com o olhar</td>
<td align="left" valign="top">Fixação breve em rosto humano</td>
<td align="left" valign="top">Movimentos amplos e descoordenados</td>
<td align="left" valign="top">Reação à luz forte</td>
<td align="left" valign="top">20/400</td>
</tr>
<tr style="background-color:#FDF8D9">
<td align="left" valign="top">4-6 meses</td>
<td align="left" valign="top">Segue objetos suavemente</td>
<td align="left" valign="top">Fixação sustentada e rastreamento</td>
<td align="left" valign="top">Leva as mãos à boca</td>
<td align="left" valign="top">Sorriso social e interesse por faces</td>
<td align="left" valign="top">~20/200</td>
</tr>
<tr style="background-color:#EDEDED">
<td align="left" valign="top">7-12 meses</td>
<td align="left" valign="top">Busca ativa por estímulos visuais</td>
<td align="left" valign="top">Acompanha objetos em movimento</td>
<td align="left" valign="top">Pega objetos com precisão</td>
<td align="left" valign="top">Explora visualmente o ambiente</td>
<td align="left" valign="top">~20/100</td>
</tr>
<tr style="background-color:#FDF8D9">
<td align="left" valign="top">13-24 meses</td>
<td align="left" valign="top">Reconhece objetos familiares à distância</td>
<td align="left" valign="top">Atenção visual mantida por mais tempo</td>
<td align="left" valign="top">Brinca com blocos e brinquedos visuais</td>
<td align="left" valign="top">Aponta para objetos de interesse</td>
<td align="left" valign="top">~20/70</td>
</tr>
<tr style="background-color:#EDEDED">
<td align="left" valign="top">25-36 meses</td>
<td align="left" valign="top">Diferencia cores e formas simples</td>
<td align="left" valign="top">Foco visual em atividades dirigidas</td>
<td align="left" valign="top">Desenha linhas e formas simples</td>
<td align="left" valign="top">Observa livros com figuras</td>
<td align="left" valign="top">~20/50</td>
</tr>
<tr style="background-color:#FDF8D9">
<td align="left" valign="top">3-5 anos</td>
<td align="left" valign="top">Observa detalhes em imagens</td>
<td align="left" valign="top">Atenção sustentada em tarefas visuais</td>
<td align="left" valign="top">Coordena atividades motoras finas com visão</td>
<td align="left" valign="top">Reconhece letras ou símbolos</td>
<td align="left" valign="top">Mínimo de 20/40</td>
</tr>
<tr style="background-color:#EDEDED">
<td align="left" valign="top">6-10 anos</td>
<td align="left" valign="top">Leitura funcional</td>
<td align="left" valign="top">Discriminação visual complexa</td>
<td align="left" valign="top">Escrita com alinhamento visual adequado</td>
<td align="left" valign="top">Participa de jogos que exigem acuidade visual</td>
<td align="left" valign="top">20/30 ou melhor</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</table-wrap>
<table-wrap id="t2">
<label>Quadro 2</label>
<caption>
<title>Critérios Clínicos de Encaminhamento Oftalmológico na Atenção Primária à Saúde. Critérios clínicos que indicam a necessidade de encaminhamento oftalmológico a nível secundário ou terciário. A categorização foi elaborada com base em sinais e sintomas comuns, fatores de risco familiares, alterações detectáveis no exame físico, uso de medicamentos com potencial risco ocular e condições clínicas associadas que aumentam a probabilidade de alterações visuais significativas</title></caption>
<table frame="box" rules="all">
<colgroup width="50%">
<col/>
<col/>
</colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr style="background-color:#124C76;color:#FFFFFF">
<th align="left" valign="top">Categoria</th>
<th align="left" valign="top">Critérios</th>
</tr>
</thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr style="background-color:#EDEDED">
<td align="left" valign="top">Sinais e sintomas</td>
<td align="left" valign="top">Lacrimejamento persistente, fotofobia, dor ocular, secreção ocular anormal, estrabismo evidente, nistagmo</td>
</tr>
<tr style="background-color:#FDF8D9">
<td align="left" valign="top">Histórico familiar</td>
<td align="left" valign="top">Parentes de primeiro grau com ambliopia, estrabismo, glaucoma congênito, retinoblastoma, catarata congênita</td>
</tr>
<tr style="background-color:#EDEDED">
<td align="left" valign="top">Exame físico</td>
<td align="left" valign="top">Reflexo vermelho ausente ou assimétrico, pupilas de tamanhos diferentes, ptose palpebral, opacidades corneanas ou do cristalino, assimetria facial associada</td>
</tr>
<tr style="background-color:#FDF8D9">
<td align="left" valign="top">Uso de medicamentos</td>
<td align="left" valign="top">Uso prolongado de corticosteroides tópicos ou sistêmicos</td>
</tr>
<tr style="background-color:#EDEDED">
<td align="left" valign="top">Condições associadas</td>
<td align="left" valign="top">Síndromes genéticas (por exemplo: Síndrome de Down), prematuridade &lt; 32 semanas, infecções congênitas (toxoplasmose, rubéola, CMV, sífilis, HIV), doenças neurológicas, atraso global do desenvolvimento</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table-wrap-foot>
<attrib>Fonte: Elaborado pelas autoras com base nas Diretrizes de Atenção à Saúde Ocular na Infância do Ministério da Saúde e em recomendações internacionais para triagem visual infantil. <sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B9">9</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B11">11</xref>)</sup></attrib>
</table-wrap-foot>
</table-wrap>
<table-wrap id="t3">
<label>Quadro 3</label>
<caption>
<title>Componentes do exame oftalmológico de triagem infantil na atenção primária à saúde. Componentes padronizados do exame oftalmológico de triagem infantil propostos para execução na Atenção Primária à Saúde, com base nas diretrizes oficiais do Ministério da Saúde e na revisão integrativa da literatura científica</title></caption>
<table frame="box" rules="all">
<colgroup width="50%">
<col/>
<col/>
</colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr style="background-color:#124C76;color:#FFFFFF">
<th align="left" valign="top">Componente avaliado</th>
<th align="left" valign="top">Descrição técnica e indicações</th>
</tr>
</thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr style="background-color:#EDEDED">
<td align="left" valign="top">Teste do Reflexo Vermelho</td>
<td align="left" valign="top">Realizado com oftalmoscópio direto em ambiente de penumbra. Deve ser feito em todas as consultas. Alterações como leucocoria, opacidade ou assimetria exigem encaminhamento imediato</td>
</tr>
<tr style="background-color:#FDF8D9">
<td align="left" valign="top">Inspeção externa dos olhos</td>
<td align="left" valign="top">Busca por sinais como ptose palpebral, alterações palpebrais, sinais sugestivos de glaucoma congênito, conjuntivites complicadas, obstrução do canal lacrimal e assimetrias oculares</td>
</tr>
<tr style="background-color:#EDEDED">
<td align="left" valign="top">Reflexo fotomotor (direto e consensual)</td>
<td align="left" valign="top">Testado com lanterna. Deve haver contração pupilar bilateral simétrica diante da luz. Alterações podem indicar defeito pupilar aferente (por exemplo: reflexo de Marcus Gunn)</td>
</tr>
<tr style="background-color:#FDF8D9">
<td align="left" valign="top">Teste do reflexo luminoso corneano</td>
<td align="left" valign="top">Realizado a partir dos 6 meses, com observação do reflexo de luz sobre a córnea. Assimetrias indicam desalinhamentos oculares, como estrabismo, e justificam encaminhamento</td>
</tr>
<tr style="background-color:#EDEDED">
<td align="left" valign="top">Testes de motilidade ocular</td>
<td align="left" valign="top">Incluem o <italic>cover test</italic>, <italic>cover-uncover</italic> e <italic>cover alternado</italic>, a partir dos 3 anos. Identificam tropias e forias por meio de movimentos de refixação ocular durante a oclusão</td>
</tr>
<tr style="background-color:#FDF8D9">
<td align="left" valign="top">Avaliação da acuidade visual</td>
<td align="left" valign="top">Aplicada a partir dos 3 anos com tabelas de Snellen adaptadas para a idade. Cada olho deve ser testado separadamente. Acuidade visual abaixo do esperado ou diferença ≥ 2 linhas entre os olhos requerem encaminhamento</td>
</tr>
<tr style="background-color:#EDEDED">
<td align="left" valign="top">Mensuração da ptose palpebral</td>
<td align="left" valign="top">Parte da inspeção externa. A presença de ptose pode obstruir o eixo visual ou induzir astigmatismo, sendo fator de risco para ambliopia</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table-wrap-foot>
<attrib>Fonte: Elaborado com base nas Diretrizes de Atenção à Saúde Ocular na Infância do Ministério da Saúde e em recomendações internacionais para triagem visual infantil na Atenção Primária à Saúde. <sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B9">9</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B11">11</xref>)</sup></attrib>
</table-wrap-foot>
</table-wrap>
<table-wrap id="t4">
<label>Quadro 4</label>
<caption>
<title>Instrumentos desenvolvidos para triagem oftalmológica infantil na Atenção Primária à Saúde: manual de orientação médica e caderneta de saúde ocular infantil. Instrumentos integrantes do <italic>kit</italic> oftalmológico de triagem, desenvolvidos para sistematizar a avaliação e o acompanhamento da saúde ocular infantil na Atenção Primária à Saúde</title></caption>
<table frame="box" rules="all">
<colgroup width="50%">
<col/>
<col/>
</colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr style="background-color:#124C76;color:#FFFFFF">
<th align="left" valign="top">Instrumento</th>
<th align="left" valign="top">Descrição Técnica e Aplicações</th>
</tr>
</thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr style="background-color:#EDEDED">
<td align="left" valign="top">Manual de orientação médica</td>
<td align="left" valign="top">Elaborado para apoiar médicos da atenção primária na realização da triagem oftalmológica infantil. Possui linguagem clara e objetiva, adequada ao perfil dos profissionais da APS. Contém introdução ao desenvolvimento visual infantil, orientações para uso do KOT, descrição dos exames por faixa etária, critérios de encaminhamento e espaços para anotações clínicas. Inclui fluxogramas e tabelas de apoio</td>
</tr>
<tr style="background-color:#FDF8D9">
<td align="left" valign="top">Caderneta de saúde ocular infantil</td>
<td align="left" valign="top">Ferramenta de registro clínico e acompanhamento longitudinal. Reúne marcos do desenvolvimento visual por faixa etária, checklists de sinais de alerta, registros de histórico familiar, critérios de referência e evolução clínica. Possui estrutura adequada para uso compartilhado entre equipe de saúde e familiares, promovendo corresponsabilidade nos cuidados visuais</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table-wrap-foot>
<fn id="TFN1">
<p>APS: Atenção Primária à Saúde; KOT: Kit Oftalmológico de Triagem.</p></fn>
<attrib>Fonte: Elaborado com base na metodologia de desenvolvimento e refinamento do KOT descrita no corpo do artigo e em referenciais de construção e validade de conteúdo de instrumentos. <sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B12">12</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B14">14</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B15">15</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B16">16</xref>)</sup></attrib>
</table-wrap-foot>
</table-wrap>
<p>Implementou-se rotina de checagem pré-teste (escala/iluminação/distância/oclusão) e de documentação de versão do material (tabelas de marcos de desenvolvimento e planilha para registro de alterações). As sugestões de especialistas foram incorporadas, com ajustes de linguagem, organização de fluxos e granularidade das faixas etárias.</p>
<p>Os identificadores de registro autoral foram omitidos durante a revisão por pares. As versões integrais dos instrumentos foram disponibilizadas à editoria como material suplementar confidencial, exclusivo para avaliação.</p>
</sec>
<sec sec-type="discussion">
<title>DISCUSSÃO</title>
<p>Este estudo respondeu a lacunas estruturais na detecção precoce de alterações visuais na infância no SUS, especialmente no período pré-escolar, ao desenvolver um conjunto operacional para APS. A proposta do KOT traduz recomendações de alto nível em procedimentos concretos (materiais mínimos, sequências de exame por idade, critérios objetivos de referência e registro longitudinal), com foco em viabilidade e reprodutibilidade no ambiente das UBS.</p>
<p>Do ponto de vista contextual e comparativo, o KOT está alinhado ao consenso de que a janela dos 3 a 5 anos é crítica para triagem de ambliopia e fatores de risco, enquanto abaixo de 3 anos a evidência é limitada e se privilegia avaliação clínica dirigida (história, reflexo vermelho, alinhamento, comportamento visual). Esse posicionamento converge com as recomendações da <italic>U.S. Preventive Services Task Force</italic> (USPSTF) (triagem ao menos uma vez entre 3 e 5 anos; evidência insuficiente &lt; 3 anos) e com os limiares etários de acuidade preconizados pela American Association for Pediatric Ophthalmology and Strabismus (por exemplo, 20/50 aos 36 a 47 meses e 20/40 aos 48 a 59 meses), aqui operacionalizados em linguagem e materiais apropriados à APS.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B11">11</xref>)</sup></p>
<p>Em sistemas que adotam programas nacionais, como o Reino Unido, a triagem universal aos 4 a 5 anos (no ingresso escolar) é especificada por diretrizes do UK National Screening Committee, com fluxos padronizados de avaliação e encaminhamento. O KOT aproxima-se desses modelos ao padronizar critérios de encaminhamento e registros, embora adaptado ao modelo brasileiro de APS, sem depender de equipes especializadas, o que o torna mais factível em cenários de recursos limitados. (7) No plano macro, a OMS recomenda integração da saúde ocular na APS como eixo para ampliar cobertura e reduzir iniquidades. O KOT responde a essa agenda ao propor processos simples, escaláveis e auditáveis (registro longitudinal via caderneta/prontuário), com potencial para reduzir variação entre profissionais e qualificar o encaminhamento, passos coerentes com a estratégia de &quot;cuidado ocular centrado nas pessoas&quot; e com a incorporação da atenção ocular nos pacotes essenciais dos sistemas de saúde.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>)</sup></p>
<p>Além de sistematizar o que avaliar e quando, o KOT descreve como fazê-lo no nível primário: materiais de baixo custo; sequências de exame por idade; limiares e sinais de alarme claramente definidos; e registro estruturado para seguimento e comunicação com famílias. Em comparação à prática usual (triagens escolares esporádicas e heterogêneas), espera-se maior precocidade diagnóstica, consistência nas referências e documentação de adesão e desfechos, elementos que, segundo a literatura, influenciam a aderência ao encaminhamento e a custo-efetividade de programas de triagem.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B17">17</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B18">18</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B19">19</xref>)</sup></p>
<p>Limitações: A presente etapa refere-se ao desenvolvimento e ao aprimoramento por especialistas (validade de conteúdo). Não realizamos validação em campo (desempenho, aceitabilidade, custos), tampouco análise formal de impacto em indicadores (por exemplo, tempo até o especialista, taxa de adesão pós-triagem). Os limiares etários foram alinhados às diretrizes internacionais e adaptados ao contexto da APS, mas a acurácia em cenários reais brasileiros precisa ser mensurada. Adicionalmente, a efetividade de intervenções de engajamento familiar e de mecanismos de retorno para casos &quot;indeterminados&quot; deve ser testada, dada a variação de adesão observada em estudos de mundo real.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B17">17</xref>)</sup></p>
<p>Propomos uma agenda em três frentes: estudo-piloto de implementação em UBS (múltiplos municípios), avaliando desempenho operacional, aceitabilidade por médicos e famílias e taxas de adesão ao encaminhamento; validação diagnóstica (acurácia/valores preditivos) dos limiares etários e dos sinais de alarme em comparação a padrão-ouro oftalmológico; análise econômica sob a perspectiva do SUS, incluindo cenários de sensibilidade para adesão e diferentes níveis de cobertura. Em paralelo, recomendam-se avaliar estratégias de capacitação dos profissionais da APS e ferramentas de suporte à decisão incorporadas ao prontuário, alinhadas às recomendações internacionais.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B11">11</xref>)</sup></p>
<p>Em síntese, o KOT oferece um caminho factível para operacionalizar a triagem visual infantil no nível primário, convergente com diretrizes internacionais e sensível às restrições de recursos no SUS. A confirmação de seu impacto clínico e custo-efetividade dependerá dos estudos de implementação propostos.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>)</sup></p>
</sec>
<sec sec-type="conclusions">
<title>CONCLUSÃO</title>
<p>O Kit Oftalmológico de Triagem (KOT) constitui uma tecnologia leve-dura, factível e potencialmente aplicável na Atenção Primária à Saúde, ao reunir instrumentos acessíveis, critérios objetivos de avaliação e registro longitudinal para a triagem visual infantil. Sua proposta responde a lacunas assistenciais relevantes, especialmente na detecção precoce de alterações visuais evitáveis e no encaminhamento oportuno de crianças em risco, em consonância com a agenda de integração da saúde ocular à atenção primária. Além disso, mantém alinhamento com recomendações internacionais para triagem visual na infância, sobretudo quanto à importância da avaliação em idade pré-escolar e da padronização dos critérios de rastreio e referência. A confirmação de seu impacto clínico, operacional e econômico, contudo, dependerá de estudos futuros de validação em campo, implementação multicêntrica e análise de custo-efetividade.</p>
</sec>
</body>
<back>
<fn-group>
<fn fn-type="financial-disclosure" id="fn1">
<label>Fonte de auxílio à pesquisa:</label> <p>trabalho não financiado.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn2">
<label>Instituição de realização do trabalho:</label> <p>Faculdade de Enfermagem e Medicina Nova Esperança, João Pessoa, PB, Brasil.</p></fn>
</fn-group>
<sec sec-type="data-availability" specific-use="data-available-upon-request">
<title>Declaração de disponibilidade de dados:</title>
<p>Os dados que respaldam as conclusões deste estudo não estão disponíveis abertamente e estão disponíveis junto ao autor correspondente mediante solicitação razoável.</p>
</sec>
<ref-list>
<title>REFERÊNCIAS</title>
<ref id="B1">
<label>1</label>
<element-citation publication-type="book">
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<collab>World Health Organization (WHO)</collab>
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<mixed-citation>World Health Organization (WHO). Blindness and vision impairment. Geneva: WHO; 2021 [cited 2026 Jun 4]. Available from: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/blindness-and-visual-impairment</mixed-citation>
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<article-title>Economic evaluations of vision screening to detect amblyopia and refractive errors in children: a systematic review</article-title>
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<article-title>The cost-effectiveness of different visual acuity screening strategies in three European countries: a microsimulation study</article-title>
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</ref-list>
<app-group>
<app id="app1">
<label>Apêndice 1</label>
<title>Especificações técnicas e materiais do <italic>Kit</italic> Oftalmológico de Triagem (impressão, dimensões, layout e <italic>kit</italic> de instrumentos)</title>
<table-wrap id="t5">
<table frame="box" rules="all">
<colgroup width="100%">
<col/>
</colgroup>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<td align="left" valign="middle"><bold>S1.1. Objetivo</bold>: descrever padrões técnicos para <bold>impressão, montagem e uso</bold> dos componentes do KOT, garantindo <bold>reprodutibilidade</bold> entre serviços de APS.<break/> <bold>S1.2. Tabelas de acuidade visual (padrões de impressão)</bold>
<list list-type="bullet">
<list-item><p><bold>Formato:</bold> A4 ou A3; orientação <bold>retrato</bold> (A4) e <bold>paisagem</bold> (A3) conforme faixa etária/capacidade cognitiva.</p></list-item>
<list-item><p><bold>Resolução mínima do arquivo:</bold> 300 dpi; <bold>escala 100%</bold> (sem &quot;ajustar à página&quot;).</p></list-item>
<list-item><p><bold>Mídia:</bold> papel <bold>couchê 180-250 g/m²</bold> (ou offset 180 g/m²) para durabilidade; laminação fosca opcional.</p></list-item>
<list-item><p><bold>Cores:</bold> impressão <bold>preto</bold> puro para optótipos; fundo branco.</p></list-item>
<list-item><p><bold>Controle de escala:</bold> incluir <bold>barra de calibração</bold> (50 mm) no rodapé; validar com régua após impressão.</p></list-item>
<list-item><p><bold>Distância de teste recomendada:</bold>
<list list-type="simple">
<list-item><label>–</label> <p>Pré-leitores / reconhecimento de símbolos: <bold>1,5-3,0 m</bold> (conforme tabela).</p></list-item>
<list-item><label>–</label> <p>Leitores (HotV/Lea/optótipos pediátricos): <bold>3,0 m</bold>.</p></list-item></list></p></list-item>
<list-item><p><bold>Iluminação ambiental:</bold> 300-500 lux; evitar reflexos/contraluz.</p></list-item>
<list-item><p><bold>S1.3. Conjuntos por faixa etária/capacidade</bold> (listar os arquivos anexos)</p></list-item>
<list-item><p><bold>S1.3.1. 0-11 meses:</bold> cartões de atenção visual, rastreio de reflexo vermelho; <bold>distância</bold> 40-50 cm, uso do oftalmoscópio Direto.</p></list-item>
<list-item><p><bold>S1.3.2. 12-35 meses:</bold> cartões de fixação/seguimento; cartões com figuras grandes.</p></list-item>
<list-item><p><bold>S1.3.3. 36-47 meses:</bold> <bold>linha de corte 20/50</bold>; conjunto de 8-10 optótipos por etapa.</p></list-item>
<list-item><p><bold>S1.3.4. 48-59 meses:</bold> <bold>linha de corte 20/40</bold>; grade progressiva.</p></list-item>
<list-item><p><bold>S1.3.5. ≥ 60 meses (≥ 5 anos):</bold> progressão padronizada até <bold>20/20</bold>.</p></list-item>
</list><break/>
<bold>Arquivos nomes sugeridos:</bold> Tabela_Acuidade_36-47m.pdf, Tabela_Acuidade_48-59m.pdf, Tabela_Acuidade_&gt;=60m.pdf<break/> <bold>Legenda padrão:</bold> &quot;Tabela de acuidade visual pediátrica - distância X m; linha de corte Y/ZZ; calibrar pela barra de 50 mm.&quot;<break/><bold>S1.4. Manual e Caderneta – diretrizes de <italic>layout</italic></bold>
<list list-type="bullet">
<list-item><p><bold>Manual do Generalista:</bold> A4, texto Arial 12, duplo; seções espelhando o fluxo (História → Exame → Critérios → Encaminhamento).</p></list-item>
<list-item><p><bold>Caderneta de Saúde Ocular:</bold> A5, papel 90-120 g/m²; <bold>capas</bold> 180 g/m²; campos de identificação (criança, responsáveis, unidade, profissional), <bold>linhas do tempo</bold> por consultas, checkboxes para marcos e <bold>espaço de orientação à família</bold>.</p></list-item>
</list>
<break/><bold>S1.5.</bold> <italic>Kit</italic> <bold>de materiais acessórios</bold>
<list list-type="bullet">
<list-item><p>Oftalmoscópio direto; oclusor; lanterna; fita métrica; fita adesiva; cartões de oclusão infantil.</p></list-item>
<list-item><p><bold>Higienização:</bold> álcool 70%; oclusores descartáveis quando possível.</p></list-item>
</list>
<break/><bold>S1.6. Garantia de qualidade (GQ)</bold>
<list list-type="bullet">
<list-item><p><bold>Antes de cada sessão:</bold> checar <bold>distância</bold>, <bold>iluminação</bold>, <bold>escala</bold> da tabela, e <bold>oclusão efetiva</bold>.</p></list-item>
<list-item><p><bold>Registro:</bold> anotar lote/versão do material (ver S3.4) e intercorrências.</p></list-item>
</list></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</table-wrap>
</app>
<app id="app2">
<label>Apêndice 2</label>
<title>Protocolos operacionais por faixa etária</title>
<table-wrap id="t6">
<table frame="box" rules="all">
<colgroup width="100%">
<col/>
</colgroup>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<td align="left" valign="middle">Roteiros passo a passo; fluxos decisórios; critérios de encaminhamento<break/> <bold>S2.1. Visão geral do fluxo</bold>
<list list-type="order">
<list-item><p><bold>História dirigida</bold> (fatores de risco familiares, sinais/sintomas, uso de medicações com risco ocular).</p></list-item>
<list-item><p><bold>Exame objetivo mínimo</bold> (conforme idade).</p></list-item>
<list-item><p><bold>Triagem de acuidade</bold> (quando testável).</p></list-item>
<list-item><p><bold>Classificação</bold> (dentro do esperado para a idade/alteração de acordo com o esperado para a idade / indeterminado).</p></list-item>
<list-item><p><bold>Conduta</bold> (orientação, retorno programado ou <bold>encaminhamento</bold>).</p></list-item></list>
<break/>
<p><bold>S2.2. 0-11 meses (não testáveis para acuidade optotípica)</bold></p>
<list list-type="bullet">
<list-item><p><bold>Avaliar:</bold> comportamento visual, fixação/seguimento, simetria de reflexo vermelho, alinhamento ocular, ptose, leucocoria.</p></list-item>
<list-item><p><bold>Falha/Encaminhar:</bold> leucocoria; estrabismo constante; assimetria de reflexo vermelho; nistagmo; ptose obstrutiva; suspeita de atraso visual.</p></list-item>
<list-item><p><bold>Retorno programado:</bold> se exame normal, <bold>periodicamente conforme orientado no manual</bold></p></list-item>
</list>
<break/><bold>S2.3. 12-35 meses.</bold>
<list list-type="bullet">
<list-item><p><bold>Avaliar:</bold> idem S2.2 + tentativa de nomeação/pareamento de figuras grandes.</p></list-item>
<list-item><p><bold>Encaminhar:</bold> qualquer <bold>falha</bold> em reflexo/alinhamento; ausência de fixação/seguimento; suspeita clínica relevante.</p></list-item>
<list-item><p><bold>Retorno:</bold> 6-12 meses se normal.</p></list-item>
</list>
<break/><bold>S2.4. 36-47 meses</bold> (testáveis; linha de corte típica <bold>20/50</bold>)
<list list-type="bullet">
<list-item><p><bold>Proceder:</bold> treino curto; ocluir <bold>um olho por vez</bold>; apresentar optótipos aleatórios em <bold>distância calibrada</bold>.</p></list-item>
<list-item><p><bold>Aceitável:</bold> acerta pelo menos a<bold>linha 20/50</bold> (conforme protocolo local).</p></list-item>
<list-item><p><bold>Alterado/Encaminhar:</bold> não atinge 20/50 OU sinais de alarme (estrabismo, assimetria de reflexo, queixas funcionais).</p></list-item>
<list-item><p><bold>Indeterminado:</bold> repetir em<bold>4-6 semanas</bold> depois de treino domiciliar; se persistir → encaminhar.</p></list-item>
</list>
<break/><bold>S2.5. 48-59 meses</bold> (linha de corte <bold>20/40</bold>)
<list list-type="bullet">
<list-item><p><bold>Aceitável:</bold> ≥ 20/40 em ambos os olhos (com critério por acertos).</p></list-item>
<list-item><p><bold>Alterado/Encaminhar:</bold> &lt; 20/40 em qualquer olho; diferença interocular clinicamente relevante; sinais de alarme.</p></list-item>
</list>
<break/><bold>S2.6. ≥ 60 meses (≥ 5 anos)</bold>
<list list-type="bullet">
<list-item><p><bold>Aceitável:</bold> desempenho dentro da idade até <bold>20/30-20/20</bold> (conforme protocolo adotado).</p></list-item>
<list-item><p><bold>Encaminhar:</bold> &lt; 20/30 em qualquer olho; assimetria significativa; queixas/sinais.</p></list-item>
</list>
<break/><bold>S2.7. Critérios clínicos gerais de encaminhamento (todos os grupos)</bold>
<list list-type="bullet">
<list-item><p><bold>Sinais de alarme:</bold> leucocoria, estrabismo constante, ptose obstrutiva, dor, fotofobia intensa, trauma.</p></list-item>
<list-item><p><bold>Falha em acuidade</bold> para a faixa etária; <bold>diferença interocular</bold> relevante;</p></list-item>
<list-item><p><bold>Fatores de risco familiares</bold> (ambliopia/estrabismo altos) + achado clínico suspeito.</p></list-item>
</list>
<break/><bold>Observação:</bold> adaptar aos <bold>protocolos estaduais/municipais</bold> quando houver, mantendo registro do critério aplicado.<break/> <bold>S2.8. Comunicação e retorno</bold>
<list list-type="bullet">
<list-item><p><bold>Orientações à família</bold> (compreensíveis, por escrito).</p></list-item>
<list-item><p><bold>Retorno programado:</bold> intervalo conforme faixa etária/achado; registrar na Caderneta e no prontuário.</p></list-item>
</list></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</table-wrap>
</app>
<app id="app3">
<label>Apêndice 3</label>
<title>Caderneta</title>
<table-wrap id="t7">
<table frame="box" rules="all">
<colgroup width="100%">
<col/>
</colgroup>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<td align="left" valign="middle">Orientações para preenchimento da caderneta<break/> <bold>S3.1. Caderneta de Saúde Ocular – estrutura</bold>
<list list-type="bullet">
<list-item><p><bold>Identificação:</bold> criança; responsáveis; unidade; profissional; contatos.</p></list-item>
<list-item><p><bold>Linha do tempo de consultas:</bold> datas; tipo de visita; conduta.</p></list-item>
<list-item><p><bold>Marcos do desenvolvimento visual:</bold> checkboxes por idade.</p></list-item>
<list-item><p><bold>Triagem de acuidade:</bold> tabela com <bold>olho D/E</bold>, distância, linha atingida, <bold>aceitável/alterado</bold>.</p></list-item>
<list-item><p><bold>Encaminhamentos:</bold> motivo; prioridade; destino; data; retorno pós-especialista.</p></list-item>
<list-item><p><bold>Orientações à família:</bold> campo livre.</p></list-item>
</list>
<break/><bold>S3.2. Nota de confidencialidade (para o suplemento submetido aos revisores)</bold><break/> Conteúdo fornecido exclusivamente para <bold>avaliação por pares</bold>. Não destinar à publicação como material suplementar público nesta etapa.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</table-wrap>
</app>
</app-group>
</back>
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