﻿<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
<article article-type="research-article" dtd-version="1.1" specific-use="sps-1.9" xml:lang="pt" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink">
	<front>
		<journal-meta>
			<journal-id journal-id-type="publisher-id">rbof</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Revista Brasileira de Oftalmologia</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. bras.oftalmol.</abbrev-journal-title>
			</journal-title-group>
			<issn pub-type="ppub">0034-7280</issn>
			<issn pub-type="epub">1982-8551</issn>
			<publisher>
				<publisher-name>Sociedade Brasileira de Oftalmologia</publisher-name>
			</publisher>
		</journal-meta>
		<article-meta>
			<article-id pub-id-type="other">00651</article-id>
			<article-id pub-id-type="doi">10.37039/1982.8551.20260101</article-id>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Artigo Original</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title>Perfil das internações por câncer ocular pediátrico no Brasil: análise integrada Sistema de Informações Hospitalares do SUS-Registro Hospitalar de Câncer (2018-2024)</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>Profile of hospitalizations for pediatric ocular cancer in Brazil: an integrated SIH/SUS-RHC analysis (2018-2024).</trans-title>
				</trans-title-group>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0009-0009-7175-8680</contrib-id>
					<name>
						<surname>Venera</surname>
						<given-names>João Vitor Bittencourt</given-names>
					</name>
					<role>contribuíram para a concepção e o desenho do estudo</role>
					<role>análise e interpretação dos resultados</role>
					<role>redação e revisão crítica do conteúdo do manuscrito</role>
					<role>autores aprovaram a versão final do manuscrito e são responsáveis por todos os aspectos do manuscrito, incluindo a garantia de sua precisão e integridade</role>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>1</sup></xref>
					<xref ref-type="corresp" rid="c1"/>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-4561-835X</contrib-id>
					<name>
						<surname>Carvalho</surname>
						<given-names>Pedro Carrión</given-names>
					</name>
					<role>contribuíram para a concepção e o desenho do estudo</role>
					<role>análise e interpretação dos resultados</role>
					<role>redação e revisão crítica do conteúdo do manuscrito</role>
					<role>autores aprovaram a versão final do manuscrito e são responsáveis por todos os aspectos do manuscrito, incluindo a garantia de sua precisão e integridade</role>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>1</sup></xref>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0009-0005-7819-6239</contrib-id>
					<name>
						<surname>Zanin</surname>
						<given-names>Maria Fernanda Garcia</given-names>
					</name>
					<role>contribuíram para a interpretação dos dados</role>
					<role>redação do conteúdo do manuscrito</role>
					<role>autores aprovaram a versão final do manuscrito e são responsáveis por todos os aspectos do manuscrito, incluindo a garantia de sua precisão e integridade</role>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>1</sup></xref>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0009-0002-7169-7450</contrib-id>
					<name>
						<surname>Pinto</surname>
						<given-names>Maria Eduarda</given-names>
					</name>
					<role>contribuíram para a interpretação dos dados</role>
					<role>redação do conteúdo do manuscrito</role>
					<role>autores aprovaram a versão final do manuscrito e são responsáveis por todos os aspectos do manuscrito, incluindo a garantia de sua precisão e integridade</role>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>1</sup></xref>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0009-0000-5506-7622</contrib-id>
					<name>
						<surname>Rosa</surname>
						<given-names>Guilherme José</given-names>
					</name>
					<role>contribuíram para a interpretação dos dados</role>
					<role>redação do conteúdo do manuscrito</role>
					<role>autores aprovaram a versão final do manuscrito e são responsáveis por todos os aspectos do manuscrito, incluindo a garantia de sua precisão e integridade</role>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>1</sup></xref>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0009-0005-8081-1384</contrib-id>
					<name>
						<surname>Carmo</surname>
						<given-names>Beatriz Luana Baratter do</given-names>
					</name>
					<role>contribuíram para a interpretação dos dados</role>
					<role>redação do conteúdo do manuscrito</role>
					<role>autores aprovaram a versão final do manuscrito e são responsáveis por todos os aspectos do manuscrito, incluindo a garantia de sua precisão e integridade</role>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>1</sup></xref>
				</contrib>
				<aff id="aff1">
					<label>1</label>
					<institution content-type="orgname">Centro Universitário de Brusque</institution>
					<institution content-type="orgdiv1">Faculdade de Medicina</institution>
					<addr-line>
						<named-content content-type="city">Brusque</named-content>
						<named-content content-type="state">SC</named-content>
					</addr-line>
					<country country="BR">Brasil</country>
					<institution content-type="original">Faculdade de Medicina, Centro Universitário de Brusque, Brusque, SC, Brasil.</institution>
				</aff>
			</contrib-group>
			<author-notes>
				<corresp id="c1">
					<label>Autor correspondente:</label> João Vitor Bittencourt Venera E-mail: <email>joao.venera@unifebe.edu.br</email>
				</corresp>
				<fn fn-type="coi-statement">
					<label>Conflitos de interesse:</label>
					<p>não há conflitos de interesses.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="edited-by">
					<label>Editor Associado:</label>
					<p>Rubens Belfort Neto, Instituto da Visão, São Paulo, SP, Brasil; <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0003-1775-7328">https://orcid.org/0000-0003-1775-7328</ext-link>
					</p>
				</fn>
			</author-notes>
			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>28</day>
				<month>10</month>
				<year>2026</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<year>2026</year>
			</pub-date>
			<volume>85</volume>
			<elocation-id>e0101</elocation-id>
			<history>
				<date date-type="received">
					<day>25</day>
					<month>02</month>
					<year>2026</year>
				</date>
				<date date-type="accepted">
					<day>19</day>
					<month>07</month>
					<year>2026</year>
				</date>
			</history>
			<permissions>
				<copyright-statement>Copyright ©2026</copyright-statement>
				<copyright-year>2026</copyright-year>
				<copyright-holder>The Author(s)</copyright-holder>
				<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" xml:lang="en">
					<license-p>All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<sec>
					<title>Objetivo:</title>
					<p>Descrever o perfil epidemiológico das internações por neoplasias malignas do olho e anexos em crianças no Brasil (2018-2024) e contextualizá-las com os dados disponíveis.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Métodos:</title>
					<p>Estudo ecológico de série temporal com dados do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS; CID-10 C69) obtidos no DATASUS. Para contextualização, analisaram-se casos analíticos pediátricos do Registro Hospitalar de Câncer (2018-2023) considerando as variáveis: ano, sexo, faixa etária, região e caráter do atendimento. Realizaram-se análise descritiva e comparação entre bases.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Resultados:</title>
					<p>Foram registradas 10.167 internações, estáveis ao longo do período, com predominância em crianças de 1 a 4 anos, discreto predomínio masculino e maior concentração na Região Sudeste. O Registro Hospitalar de Câncer identificou 1.004 casos confirmados, majoritariamente retinoblastoma e nos primeiros anos de vida.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Conclusão:</title>
					<p>As internações refletem a carga assistencial hospitalar, não correspondendo proporcionalmente aos casos confirmados. A integração entre SIH/SUS e Registro Hospitalar de Câncer é essencial para interpretar os dados e planejar a assistência em oncologia ocular.</p>
				</sec>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<sec>
					<title>Objective:</title>
					<p>To describe the epidemiological profile of hospital admissions for ocular cancer and adnexa in children in Brazil (2018-2024) and contextualize them using available oncological data.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Methods:</title>
					<p>Ecological time-series study using SIH/SUS data (CID-10 C69) retrieved from DATASUS. Pediatric cases from the Hospital Cancer Registry (2018-2023) were analyzed based on the variables year, sex, age group, geographic region, and type of care. Descriptive analysis and inter-database comparison were performed.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Results:</title>
					<p>A total of 10,167 admissions were recorded, with predominance in children aged 1-4 years, slight male predominance, and higher concentration in the Southeast region. The Registry identified 1,004 confirmed cases, predominantly retinoblastoma in early childhood.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Conclusion:</title>
					<p>Hospital admissions reflect healthcare burden rather than proportional occurrence of confirmed cases. Integration between SIH/SUS and the Hospital Cancer Registry is essential for accurate interpretation of these data and for planning ocular oncology care.</p>
				</sec>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Descritores:</title>
				<kwd>Neoplasias oculares</kwd>
				<kwd>Retinoblastoma</kwd>
				<kwd>Saúde ocular</kwd>
				<kwd>Hospitalização</kwd>
				<kwd>Desigualdades de saúde</kwd>
				<kwd>Sistema Único de Saúde</kwd>
				<kwd>Crianças</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Eye neoplasms</kwd>
				<kwd>Retinoblastoma</kwd>
				<kwd>Eye health</kwd>
				<kwd>Hospitalization</kwd>
				<kwd>Health inequities</kwd>
				<kwd>Unified Health System</kwd>
				<kwd>Child</kwd>
			</kwd-group>
			<funding-group>
				<funding-statement><bold>Fonte de auxílio à pesquisa:</bold> trabalho não financiado.</funding-statement>
			</funding-group>
			<counts>
				<fig-count count="3"/>
				<table-count count="3"/>
				<equation-count count="0"/>
				<ref-count count="36"/>
			</counts>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>INTRODUÇÃO</title>
			<p>As neoplasias malignas do olho e de seus anexos, classificadas no CID-10 sob o código C69, constituem um grupo heterogêneo de tumores raros, porém clinicamente relevantes, especialmente na população pediátrica. Nesse grupo, podem resultar em perda visual permanente, impacto funcional significativo e risco sistêmico, quando o diagnóstico e o tratamento não ocorrem de forma oportuna.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>–<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>)</sup> Embora a oncologia ocular seja amplamente descrita na literatura oftalmológica, ainda há lacunas importantes na caracterização do comportamento assistencial dessas neoplasias no contexto de sistemas públicos de saúde de grande escala, como o Sistema Único de Saúde (SUS).<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>–<xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref>)</sup></p>
			<p>Na infância e na adolescência, o retinoblastoma destaca-se como a neoplasia ocular maligna mais frequente, apresentando pico de ocorrência nos primeiros anos de vida. A forte associação com fatores genéticos, particularmente nos casos hereditários, impõe a necessidade de vigilância clínica precoce e manejo especializado.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>–<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>)</sup> Outros tumores oculares e de anexos, embora menos prevalentes, também demandam atenção específica, devido à diversidade histológica, ao potencial invasivo local e à possibilidade de comprometimento sistêmico, sobretudo em cenários de diagnóstico tardio.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>–<xref ref-type="bibr" rid="B9">9</xref>)</sup></p>
			<p>A apresentação clínica dessas neoplasias varia conforme a topografia tumoral e a extensão da doença. Tumores intraoculares podem manifestar-se por leucocoria, estrabismo e redução da acuidade visual, sinais particularmente relevantes na primeira infância. As lesões de conjuntiva, pálpebras, glândula lacrimal e órbita frequentemente se apresentam como massas palpáveis, lesões infiltrativas ou quadros inflamatórios persistentes.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>–<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B8">8</xref>)</sup> A confirmação diagnóstica requer integração entre avaliação clínica, métodos de imagem e, quando indicado, exame histopatológico, sendo o estadiamento fundamental para orientar estratégias terapêuticas e reduzir o risco de disseminação sistêmica e comprometimento neurológico.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B8">8</xref>)</sup></p>
			<p>Os fatores de risco associados às neoplasias malignas oculares incluem exposição à radiação ultravioleta, fototipo claro, imunossupressão e infecções virais específicas, com maior relevância descrita em populações adultas; em contraste, na população pediátrica, aspectos genéticos e sindrômicos assumem papel central, particularmente no retinoblastoma.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>–<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B9">9</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B10">10</xref>)</sup> Além disso, o envolvimento ocular secundário por metástases de tumores sistêmicos, embora menos frequente em crianças, representa um desafio adicional ao manejo oncológico e reforça a necessidade de integração entre oftalmologia e oncologia pediátrica.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B8">8</xref>)</sup></p>
			<p>O tratamento das neoplasias oculares pediátricas é individualizado e depende da idade do paciente, do estadiamento tumoral, do potencial de preservação visual e das condições clínicas gerais. As estratégias terapêuticas incluem quimioterapia sistêmica ou intra-arterial, braquiterapia, radioterapia externa, laserterapia, procedimentos cirúrgicos conservadores e, em casos selecionados, enucleação, frequentemente empregadas de forma combinada.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>–<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B9">9</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B11">11</xref>)</sup> A disponibilidade de centros especializados e a organização de redes de referência influenciam diretamente os desfechos clínicos e funcionais, evidenciando a importância do planejamento assistencial no âmbito do SUS.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B9">9</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B11">11</xref>)</sup></p>
			<p>No cenário internacional, estudos populacionais têm descrito a incidência, as tendências temporais e as características clínicas do retinoblastoma e de outros tumores oculares pediátricos, destacando variações regionais relacionadas a fatores demográficos, genéticos e de acesso aos serviços de saúde.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B12">12</xref>)</sup> No Brasil, embora existam contribuições relevantes em recortes institucionais e análises históricas, ainda são escassos os estudos nacionais recentes que avaliem de forma sistemática a carga assistencial associada a essas neoplasias em escala populacional.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>)</sup></p>
			<p>Dessa forma, bases administrativas nacionais, como o Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), são amplamente utilizadas para análises de morbidade hospitalar e utilização de serviços de saúde, permitindo a descrição do volume de internações associadas a determinados diagnósticos.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>–<xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B12">12</xref>)</sup> Entretanto, os códigos diagnósticos registrados nessas bases possuem finalidade predominantemente administrativa e de faturamento, não correspondendo necessariamente aos diagnósticos oncológicos confirmados, o que pode resultar em superestimação da magnitude de neoplasias raras, quando essas informações são interpretadas isoladamente.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B9">9</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B11">11</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B13">13</xref>)</sup></p>
			<p>Paralelamente a isso, o Brasil dispõe de registros especializados, como o Registro Hospitalar de Câncer (RHC), coordenado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), que reúne dados clínicos de casos oncológicos confirmados atendidos em serviços habilitados, incluindo informações histológicas e terapêuticas.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B14">14</xref>)</sup> Embora o RHC não tenha como objetivo primário estimar a incidência populacional, ele representa uma fonte mais robusta para a identificação de casos oncológicos efetivos, especialmente em tumores raros e de manejo altamente especializado, como as neoplasias oculares pediátricas.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B14">14</xref>)</sup></p>
			<p>Diante da coexistência dessas diferentes fontes de informação, torna-se relevante avaliar, de forma crítica, a relação entre a carga de internações hospitalares registradas sob códigos de neoplasias malignas do olho e anexos no SIH/SUS e o número de casos oncológicos pediátricos efetivamente confirmados em registros especializados. A compreensão dessa discrepância é fundamental para evitar interpretações equivocadas sobre a magnitude dessas doenças, aprimorar análises epidemiológicas baseadas em dados secundários e subsidiar o planejamento assistencial e a organização das linhas de cuidado em oncologia ocular pediátrica no âmbito do SUS.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>–<xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B12">12</xref>)</sup></p>
			<p>Assim o objetivo deste estudo foi descrever o perfil epidemiológico das internações por neoplasias malignas do olho e anexos em crianças no Brasil (2018-2024) e contextualizá-las com os dados disponíveis.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="methods">
			<title>MÉTODOS</title>
			<p>Trata-se de um estudo epidemiológico ecológico, retrospectivo, de base populacional, com delineamento de séries temporais e abordagem analítica, desenvolvido com o objetivo de avaliar a carga de internações hospitalares associadas a neoplasias malignas do olho e anexos no SUS e compará-la ao número de casos oncológicos pediátricos confirmados em registros especializados, no Brasil, no período de janeiro de 2018 a dezembro de 2023, com análise complementar de dados de internação referentes ao ano de 2024.</p>
			<p>A análise das internações hospitalares foi realizada a partir de dados secundários obtidos no SIH/SUS, acessado por meio da plataforma TABNET, disponibilizada pelo Departamento de Informática do SUS (DATASUS).<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B15">15</xref>)</sup> A extração foi conduzida no módulo &quot;Morbidade Hospitalar do SUS (SIH/SUS) – Geral por local de internação&quot;, selecionando-se todas as Unidades Federativas do território nacional. Foram incluídas hospitalizações ocorridas entre janeiro de 2018 e dezembro de 2024, referentes a pacientes pediátricos, definidos neste estudo como indivíduos com idade até 19 anos, de ambos os sexos, independentemente do caráter do atendimento (urgência ou eletivo). A identificação das internações foi realizada por meio da Classificação Internacional de Doenças, 10ª Revisão (CID-10), utilizando-se os códigos C69.0 a C69.9, correspondentes às neoplasias malignas do olho e anexos.</p>
			<p>Os dados extraídos do SIH/SUS compreenderam o número absoluto de internações, distribuídas segundo ano de ocorrência, faixa etária, sexo, região geográfica e caráter do atendimento. Essas informações foram organizadas em planilhas eletrônicas e analisadas com o propósito de descrever a carga assistencial hospitalar associada aos registros administrativos de neoplasias malignas oculares na população pediátrica, sem a pretensão de estimar a incidência populacional da doença.</p>
			<p>Paralelamente, os dados referentes a casos oncológicos confirmados foram obtidos a partir do RHC, por meio do Integrador de Registros Hospitalares de Câncer, coordenado pelo INCA.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B16">16</xref>)</sup> Foram incluídos casos analíticos de neoplasias malignas do olho e anexos em crianças e adolescentes com idade igual ou inferior a 19 anos, diagnosticados entre 2018 e 2023, classificados segundo a topografia tumoral correspondente ao grupo C69 da Classificação Internacional de Doenças para Oncologia (CID-O). A seleção restringiu-se aos pacientes com diagnóstico confirmado e sem tratamento oncológico prévio registrado, a fim de minimizar duplicidades e refletir o volume de casos efetivamente atendidos nos serviços habilitados em oncologia.</p>
			<p>As informações provenientes do RHC-INCA incluíram o número total de casos confirmados, bem como sua distribuição por sexo, faixa etária, Unidade Federativa do hospital notificante, tipo histológico e modalidade terapêutica inicial. Esses dados foram utilizados exclusivamente como referência para a caracterização dos casos oncológicos efetivos e para a análise comparativa com a carga de internações hospitalares observada no SIH/SUS, reconhecendo-se que o RHC-INCA não tem como finalidade a estimativa de incidência populacional.</p>
			<p>A comparação entre as duas bases concentrou-se na análise descritiva da discrepância entre o número de internações hospitalares registradas no SIH/SUS sob códigos de neoplasias malignas oculares e o número de casos oncológicos pediátricos confirmados no RHC-INCA, com cálculo da razão entre internações e casos confirmados no período comum às duas fontes (2018-2023). Essa abordagem teve como objetivo evidenciar diferenças entre carga assistencial hospitalar e volume de casos oncológicos efetivos, bem como discutir limitações inerentes à utilização isolada de bases administrativas em estudos epidemiológicos de neoplasias raras.</p>
			<p>Os dados foram tabulados e organizados em planilhas eletrônicas utilizando os <italic>softwares</italic> Microsoft Excel<sup>®</sup> e Apple Numbers<sup>®</sup>, sendo posteriormente analisados por meio de estatística descritiva, com cálculo de frequências absolutas e relativas. Para avaliar associações entre variáveis categóricas, como faixa etária, sexo, região geográfica e caráter do atendimento, foi aplicado o teste do qui-quadrado de Pearson, adotando-se nível de significância de 5% (p &lt; 0,05). As análises estatísticas foram realizadas no software BioEstat<sup>®</sup>, versão 5.3.</p>
			<p>Por se tratar de um estudo baseado exclusivamente em dados secundários de acesso público, agregados e anonimizados, não houve necessidade de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, em conformidade com a Resolução n° 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="results">
			<title>RESULTADOS</title>
			<sec>
				<title>Internações hospitalares por neoplasias malignas do olho e anexos no SIH/SUS</title>
				<p>Entre janeiro de 2018 e dezembro de 2024, foram registradas 10.167 internações hospitalares associadas a neoplasias malignas do olho e anexos (CID-10 C69) no SIH/SUS, envolvendo pacientes pediátricos com idade até 19 anos. Ao longo da série temporal, observou-se relativa estabilidade no número anual de internações, com valores médios situados entre aproximadamente 1.400 e 1.500 registros por ano, sem tendência linear evidente de crescimento ou redução no período analisado (<xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>).</p>
				<table-wrap id="t1">
					<label>Tabela 1</label>
					<caption>
						<title>Internações hospitalares por neoplasias malignas do olho e anexos em crianças no Brasil, segundo ano de atendimento (2018-2024)</title>
					</caption>
					<table frame="hsides" rules="none">
						<colgroup width="33%">
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
							<tr style="background-color:#124C76;color:#FFFFFF">
								<th align="left" valign="top">Ano</th>
								<th align="center" valign="top">Internações (SIH/SUS)</th>
								<th align="center" valign="top">% do total (2018-2024)</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
							<tr style="background-color:#EDEDED">
								<td align="left" valign="middle">2018</td>
								<td align="center" valign="middle">1.237</td>
								<td align="center" valign="middle">12,2</td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#FDF8D9">
								<td align="left" valign="middle">2019</td>
								<td align="center" valign="middle">1.464</td>
								<td align="center" valign="middle">14,5</td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#EDEDED">
								<td align="left" valign="middle">2020</td>
								<td align="center" valign="middle">1.512</td>
								<td align="center" valign="middle">14,9</td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#FDF8D9">
								<td align="left" valign="middle">2021</td>
								<td align="center" valign="middle">1.466</td>
								<td align="center" valign="middle">14,5</td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#EDEDED">
								<td align="left" valign="middle">2022</td>
								<td align="center" valign="middle">1.505</td>
								<td align="center" valign="middle">14,9</td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#FDF8D9">
								<td align="left" valign="middle">2023</td>
								<td align="center" valign="middle">1.477</td>
								<td align="center" valign="middle">14,6</td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#EDEDED">
								<td align="left" valign="middle">2024</td>
								<td align="center" valign="middle">1.453</td>
								<td align="center" valign="middle">14,4</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<fn id="TFN1">
							<p>SIH: Sistema de Informações Hospitalares; SUS: Sistema Único de Saúde.</p>
						</fn>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
			</sec>
			<sec>
				<title>Distribuição etária, por sexo e caráter do atendimento</title>
				<p>A análise por faixa etária evidenciou acentuada concentração das internações nos primeiros anos de vida. Crianças com idade entre 1 e 4 anos corresponderam a 6.987 internações, representando cerca de 69% do total, seguidas pelos menores de 1 ano e, em menor proporção, pelas faixas etárias mais avançadas. Esse padrão manteve-se consistente ao longo de todo o período avaliado. Em relação ao sexo, observou-se discreto predomínio do sexo masculino, com 5.510 internações, em comparação a 4.657 internações no sexo feminino. Quanto ao caráter do atendimento, as internações classificadas como de urgência predominaram em relação às eletivas em todas as regiões do país (<xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref>).</p>
				<fig id="f1">
					<label>Figura 1</label>
					<caption>
						<title>Distribuição das internações hospitalares por neoplasias malignas do olho e anexos em pacientes pediátricos, segundo faixa etária, no Brasil, no período de 2018 a 2024, a partir de dados do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="0034-7280-rbof-85-e0101-gf01.tif"/>
				</fig>
			</sec>
			<sec>
				<title>Distribuição geográfica das internações</title>
				<p>No que se refere à distribuição geográfica, verificou-se forte concentração das internações na Região Sudeste, responsável por 7.156 registros, o que correspondeu a aproximadamente 70% do total nacional. As Regiões Sul e Nordeste apresentaram volumes intermediários, enquanto as Regiões Norte e Centro-Oeste concentraram os menores números absolutos de internações no período analisado (<xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref>).</p>
				<fig id="f2">
					<label>Figura 2</label>
					<caption>
						<title>Distribuição regional do número de internações hospitalares por neoplasias malignas do olho e anexos em crianças no Brasil, segundo macrorregião, no período de 2018 a 2024, com base em registros do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde.</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="0034-7280-rbof-85-e0101-gf02.tif"/>
				</fig>
			</sec>
			<sec>
				<title>Casos oncológicos pediátricos confirmados no Registro Hospitalar de Câncer</title>
				<p>Considerando o período de 2018 a 2023, o RHC-INCA contabilizou 1.004 casos oncológicos pediátricos confirmados de neoplasias malignas do olho e anexos, classificados como casos analíticos. Observou-se distribuição semelhante entre os sexos, com 535 casos no sexo masculino (53,3%) e 469 no sexo feminino (46,7%). A análise etária revelou predomínio expressivo de diagnósticos nos primeiros anos de vida, especialmente em crianças com menos de 5 anos de idade (<xref ref-type="table" rid="t2">Tabela 2</xref>).</p>
				<table-wrap id="t2">
					<label>Tabela 2</label>
					<caption>
						<title>Distribuição por Unidade Federativa da unidade hospitalar (principais contribuições)</title>
					</caption>
					<table frame="hsides" rules="none">
						<colgroup width="33%">
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
							<tr style="background-color:#124C76;color:#FFFFFF">
								<th align="left" valign="top">UF da unidade hospitalar</th>
								<th align="center" valign="top">Casos (RHC)</th>
								<th align="center" valign="top">%</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
							<tr style="background-color:#EDEDED">
								<td align="left" valign="middle">SP</td>
								<td align="center" valign="middle">570</td>
								<td align="center" valign="middle">56.8</td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#FDF8D9">
								<td align="left" valign="middle">RJ</td>
								<td align="center" valign="middle">80</td>
								<td align="center" valign="middle">8</td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#EDEDED">
								<td align="left" valign="middle">BA</td>
								<td align="center" valign="middle">54</td>
								<td align="center" valign="middle">5.4</td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#FDF8D9">
								<td align="left" valign="middle">MG</td>
								<td align="center" valign="middle">50</td>
								<td align="center" valign="middle">5</td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#EDEDED">
								<td align="left" valign="middle">RS</td>
								<td align="center" valign="middle">42</td>
								<td align="center" valign="middle">4.2</td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#FDF8D9">
								<td align="left" valign="middle">PE</td>
								<td align="center" valign="middle">42</td>
								<td align="center" valign="middle">4.2</td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#EDEDED">
								<td align="left" valign="middle">Demais UFs</td>
								<td align="center" valign="middle">166</td>
								<td align="center" valign="middle">16.5</td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#FDF8D9">
								<td align="left" valign="middle">Total</td>
								<td align="center" valign="middle">1004</td>
								<td align="center" valign="middle">100</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<fn id="TFN2">
							<p>UF: Unidade Federativa; RHC: Registro Hospitalar de Câncer.</p>
						</fn>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
			</sec>
			<sec>
				<title>Perfil histológico e distribuição dos casos confirmados</title>
				<p>O retinoblastoma foi a neoplasia mais prevalente entre os casos analisados, totalizando 1.078 registros, correspondendo a 71,2% do total. Em seguida, o melanoma ocular representou a segunda neoplasia mais frequente, com 247 casos (16,3%), seguido pelos carcinomas escamosos, com 85 casos (5,6%). As demais neoplasias apresentaram menor representatividade, incluindo os linfomas, com 35 casos (2,3%), e os adenocarcinomas, com 15 casos (1,0%), enquanto outros tipos histológicos corresponderam a 3,6% dos registros (<xref ref-type="table" rid="t3">Tabela 3</xref>).</p>
				<table-wrap id="t3">
					<label>Tabela 3</label>
					<caption>
						<title>Distribuição por tipo histológico (principais categorias do Registro Hospitalar de Câncer)</title>
					</caption>
					<table frame="hsides" rules="none">
						<colgroup width="33%">
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
							<tr style="background-color:#124C76;color:#FFFFFF">
								<th align="left" valign="top">Tipo histológico</th>
								<th align="center" valign="top">Casos</th>
								<th align="center" valign="top">%</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
							<tr style="background-color:#EDEDED">
								<td align="left" valign="middle">Retinoblastoma</td>
								<td align="center" valign="middle">1078</td>
								<td align="center" valign="middle">71.2</td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#FDF8D9">
								<td align="left" valign="middle">Melanoma ocular</td>
								<td align="center" valign="middle">247</td>
								<td align="center" valign="middle">16.3</td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#EDEDED">
								<td align="left" valign="middle">Carcinomas escamosos</td>
								<td align="center" valign="middle">85</td>
								<td align="center" valign="middle">5.6</td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#FDF8D9">
								<td align="left" valign="middle">Linfomas</td>
								<td align="center" valign="middle">35</td>
								<td align="center" valign="middle">2.3</td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#EDEDED">
								<td align="left" valign="middle">Adenocarcinomas</td>
								<td align="center" valign="middle">15</td>
								<td align="center" valign="middle">1.0</td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#FDF8D9">
								<td align="left" valign="middle">Outros</td>
								<td align="center" valign="middle">55</td>
								<td align="center" valign="middle">3.6</td>
							</tr>
							<tr style="background-color:#EDEDED">
								<td align="left" valign="middle">Total</td>
								<td align="center" valign="middle">1515</td>
								<td align="center" valign="middle">100</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</table-wrap>
			</sec>
			<sec>
				<title>Discrepância entre internações hospitalares e casos oncológicos confirmados</title>
				<p>A comparação entre as duas bases de dados, considerando o período comum de 2018 a 2023, evidenciou discrepância expressiva entre o número de internações hospitalares registradas no SIH/SUS e o número de casos oncológicos confirmados no RHC-INCA. Nesse intervalo, foram observadas aproximadamente 8.700 internações hospitalares associadas ao CID-10 C69, frente a 1.004 casos confirmados, resultando em uma razão estimada de 8,5 a 9 internações hospitalares para cada caso oncológico confirmado (<xref ref-type="fig" rid="f3">Figura 3</xref>).</p>
				<fig id="f3">
					<label>Figura 3</label>
					<caption>
						<title>Comparação entre o número de internações hospitalares associadas às neoplasias malignas do olho e anexos registradas no Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde e o número de casos oncológicos pediátricos confirmados no Registro Hospitalar de Câncer, no período de 2018 a 2023.</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="0034-7280-rbof-85-e0101-gf03.tif"/>
				</fig>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="discussion">
			<title>DISCUSSÃO</title>
			<p>Os achados deste estudo demonstram uma assimetria marcante entre a carga de internações hospitalares associadas a neoplasias malignas do olho e anexos registradas no SIH/SUS e o número de casos oncológicos pediátricos efetivamente confirmados no RHC. Enquanto os dados administrativos indicaram mais de dez mil internações no período analisado, o RHC identificou pouco mais de mil casos confirmados. Isso evidencia que o volume de hospitalizações não reflete, proporcionalmente, a ocorrência de novos casos oncológicos, mas a dinâmica assistencial envolvida no manejo dessas doenças.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>–<xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>)</sup></p>
			<p>Essa discrepância pode ser compreendida à luz das características próprias do SIH/SUS, que registra eventos de internação hospitalar, e não indivíduos únicos. Em neoplasias oculares pediátricas, especialmente no retinoblastoma, o tratamento frequentemente envolve múltiplas admissões hospitalares relacionadas à investigação diagnóstica, ciclos de quimioterapia, procedimentos cirúrgicos, terapias conservadoras e acompanhamento sob anestesia, contribuindo para a multiplicação de registros associados a um mesmo paciente.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>–<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B9">9</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B11">11</xref>)</sup> Além disso, os códigos diagnósticos utilizados no SIH/SUS possuem finalidade predominantemente administrativa, podendo ser aplicados em contextos de suspeita clínica ou investigação inicial, sem confirmação oncológica definitiva, o que favorece a superestimação quando interpretados de forma isolada.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B9">9</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B11">11</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B13">13</xref>)</sup></p>
			<p>Adicionalmente, evidencia-se que o manejo do retinoblastoma está intrinsecamente associado à elevada carga assistencial ao longo do tempo. Diferentemente de outras neoplasias, o acompanhamento desses pacientes exige avaliações seriadas sob anestesia geral, especialmente nos primeiros anos de vida, muitas vezes realizadas em intervalos curtos para monitoramento da resposta tumoral e detecção de recidivas.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B17">17</xref>–<xref ref-type="bibr" rid="B19">19</xref>)</sup> Paralelamente, o tratamento envolve múltiplos ciclos de quimioterapia sistêmica ou intra-arterial, terapias focais repetidas, como laserterapia e crioterapia, além de intervenções cirúrgicas e manejo de complicações.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B18">18</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B19">19</xref>)</sup> Esse modelo de cuidado resulta em sucessivas admissões hospitalares ao longo do seguimento, mesmo na ausência de progressão da doença.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B20">20</xref>)</sup> Desse modo, a razão observada de oito a nove internações por caso confirmado no presente estudo está intimamente relacionada à complexidade do tratamento descrito. Logo a interpretação de que o número de hospitalizações reflete a intensidade do cuidado prestado, não a incidência da doença.</p>
			<p>Ou seja, pacientes com retinoblastoma podem ser submetidos a uma mediana de 14 procedimentos sob anestesia geral ao longo do tratamento, com variação de 3 a 63 eventos por paciente, refletindo a intensidade e a longitudinalidade do cuidado exigido.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B21">21</xref>)</sup> As comparações entre modalidades terapêuticas evidenciam que a quimioterapia intravenosa convencional gera significativamente mais visitas não planejadas, internações e noites hospitalizadas do que a quimioterapia intra-arterial, reforçando que o volume de admissões hospitalares está diretamente relacionado ao protocolo terapêutico adotado e não à incidência da doença.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B22">22</xref>)</sup></p>
			<p>As demais neoplasias oculares observadas neste estudo – melanoma ocular, carcinomas escamosos, linfomas e adenocarcinomas – apresentam características clínicas e epidemiológicas distintas, com maior predominância em faixas etárias mais avançadas da população pediátrica e adolescente. O melanoma ocular, embora raro na infância, constitui a principal neoplasia maligna intraocular em adultos e, quando presente em indivíduos jovens, pode estar associado a pior prognóstico em casos de diagnóstico tardio, devido ao seu potencial metastático, especialmente hepático.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B23">23</xref>–<xref ref-type="bibr" rid="B26">26</xref>)</sup> Os carcinomas escamosos, por sua vez, geralmente acometem conjuntiva e anexos oculares, estando relacionados a fatores ambientais, como exposição à radiação ultravioleta e imunossupressão, sendo descritos com comportamento localmente invasivo, porém com menor taxa de disseminação sistêmica quando diagnosticados precocemente.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B27">27</xref>)</sup></p>
			<p>Os linfomas oculares, particularmente os linfomas intraoculares e orbitários, embora incomuns na população pediátrica, integram o espectro das doenças linfoproliferativas extranodais e podem estar associados a condições imunológicas subjacentes, exigindo abordagem diagnóstica e terapêutica especializada.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B28">28</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B29">29</xref>)</sup> Já os adenocarcinomas, frequentemente relacionados à glândula lacrimal, representam uma entidade ainda mais rara, caracterizada por comportamento agressivo e necessidade de manejo multidisciplinar.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B27">27</xref>)</sup> Em conjunto, esses achados reforçam a heterogeneidade das neoplasias oculares não retinoblastoma e a importância de sua adequada caracterização nos registros oncológicos, mesmo diante de sua menor representatividade relativa.</p>
			<p>Por outro lado, os dados provenientes do RHC-INCA refletem casos oncológicos confirmados atendidos em serviços habilitados, oferecendo uma aproximação mais específica do volume real de diagnósticos de neoplasias oculares pediátricas no país.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B14">14</xref>)</sup> A predominância do retinoblastoma e a concentração etária nos primeiros anos de vida observadas neste estudo estão em consonância com a literatura nacional e internacional, reforçando a consistência dos achados oriundos dessa fonte.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B12">12</xref>)</sup></p>
			<p>A concentração geográfica dos casos confirmados em estados das Regiões Sudeste e Sul, especialmente São Paulo, reflete a centralização dos serviços especializados em oncologia ocular pediátrica no Brasil, o que influencia tanto o fluxo assistencial quanto o registro dos casos oncológicos.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>)</sup> Esse padrão sugere que a distribuição das internações hospitalares pode refletir não apenas a demanda local, mas também deslocamentos regionais em busca de atendimento especializado, aspecto que deve ser considerado na interpretação dos dados administrativos.</p>
			<p>No que se refere à concentração marcante nos primeiros anos de vida, fortalece-se o padrão que se manteve consistente ao longo de todo o período avaliado. Isso corrobora os padrões encontrados em literatura nacional e internacional, nas quais o retinoblastoma apresenta idade mediana ao diagnóstico entre 18 e 35 meses, com 35,7% a 40% dos casos diagnosticados no primeiro ano de vida.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B30">30</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B31">31</xref>)</sup> O discreto predomínio em pacientes do sexo masculino em relação ao feminino, embora a literatura apresente resultados heterogêneos, com estudos reportando discreto predomínio masculino, não apresenta evidência de viés consistente de sexo em âmbito global.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B32">32</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B33">33</xref>)</sup> No que concerne ao caráter do atendimento, as internações de urgência predominaram sobre as eletivas, o que pode refletir tanto apresentações tardias da doença quanto a necessidade de manejo urgente de complicações.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B34">34</xref>–<xref ref-type="bibr" rid="B36">36</xref>)</sup></p>
			<p>Do ponto de vista metodológico, os resultados deste estudo reforçam as limitações do uso isolado de bases administrativas para análises epidemiológicas de neoplasias raras. Embora o SIH/SUS seja uma ferramenta fundamental para avaliar a utilização de serviços hospitalares e subsidiar o planejamento em saúde, sua aplicação isolada pode levar a interpretações equivocadas sobre a magnitude de determinadas doenças quando não contextualizada por registros clínicos especializados.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B9">9</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B11">11</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B13">13</xref>)</sup> Nesse sentido, a integração com dados do RHC-INCA mostrou-se essencial para uma leitura mais equilibrada da carga assistencial e do número de casos oncológicos efetivos.</p>
			<p>Entre as limitações do estudo, destaca-se o uso de dados secundários, sujeitos a inconsistências de preenchimento e variações regionais na qualidade da informação, bem como a impossibilidade de identificar pacientes individualmente nas bases administrativas, o que impede a distinção entre internações únicas e repetidas. Além disso, o RHC-INCA não possui cobertura populacional universal, limitando inferências sobre incidência. Ainda assim, a abordagem comparativa adotada permitiu evidenciar de forma clara a discrepância entre eventos assistenciais e casos confirmados, contribuindo para a interpretação crítica de estudos baseados em dados administrativos.</p>
			<p>Em síntese, os resultados indicam que o elevado número de internações hospitalares associadas a neoplasias malignas do olho e anexos na população pediátrica no SUS não corresponde proporcionalmente ao número de casos oncológicos confirmados, refletindo características inerentes à organização da assistência, ao manejo clínico e à natureza das bases de dados utilizadas. Esses achados reforçam a necessidade de cautela na utilização isolada de dados administrativos e destacam a importância da integração entre diferentes fontes de informação para o aprimoramento das análises epidemiológicas e do planejamento da oncologia ocular pediátrica no Brasil.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>–<xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B12">12</xref>)</sup></p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>CONCLUSÃO</title>
			<p>Este estudo demonstrou que o elevado número de internações hospitalares registradas no SIH/SUS sob o código CID-10 C69, na população pediátrica, não corresponde proporcionalmente ao número de casos oncológicos oculares efetivamente confirmados no Registro Hospitalar de Câncer. A razão elevada entre internações e casos confirmados comprova que os dados administrativos refletem predominantemente a carga assistencial e a dinâmica do cuidado hospitalar, incluindo readmissões, investigação diagnóstica e manejo terapêutico, e não a ocorrência real de novos casos oncológicos.</p>
			<p>A análise integrada de bases administrativas e registros oncológicos especializados mostrou-se fundamental para a interpretação adequada de neoplasias raras, como os tumores oculares pediátricos, evitando superestimações e inferências epidemiológicas inadequadas. Nesse contexto, o uso isolado do SIH/SUS deve ser interpretado com cautela quando aplicado à investigação da magnitude dessas neoplasias.</p>
			<p>Os achados reforçam a importância da integração entre diferentes sistemas de informação em saúde para subsidiar análises mais precisas, orientar o planejamento assistencial e qualificar as linhas de cuidado em oncologia ocular pediátrica no âmbito do Sistema Único de Saúde.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="financial-disclosure" id="fn1">
				<label>Fonte de auxílio à pesquisa:</label>
				<p>trabalho não financiado.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>Instituição de realização do trabalho:</label>
				<p>Faculdade de Medicina, Centro Universitário de Brusque, Brusque, SC, Brasil.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<sec sec-type="data-availability" specific-use="data-available-upon-request">
			<title>Declaração de disponibilidade de dados:</title>
			<p>os dados que respaldam as conclusões deste estudo não estão disponíveis abertamente, mas estão disponíveis junto ao autor correspondente, mediante solicitação.</p>
		</sec>
		<ref-list>
			<title>REFERÊNCIAS</title>
			<ref id="B1">
				<label>1</label>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Kanski</surname>
							<given-names>JJ</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Bowling</surname>
							<given-names>B</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Oftalmologia clínica: uma abordagem sistemática</source>
					<edition>8a ed.</edition>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>Elsevier</publisher-name>
					<year>2016</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>1 Kanski JJ, Bowling B. Oftalmologia clínica: uma abordagem sistemática. 8a ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2016.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<label>2</label>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Riordan-Eva</surname>
							<given-names>P</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Whitcher</surname>
							<given-names>JP</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Oftalmologia-geral de Vaughan e Asbury</source>
					<edition>13a ed.</edition>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>Elsevier</publisher-name>
					<year>2011</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>2 Riordan-Eva P, Whitcher JP. Oftalmologia-geral de Vaughan e Asbury. 13a ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2011.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B3">
				<label>3</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Henn</surname>
							<given-names>ML</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Grumann</surname>
							<given-names>A</given-names>
							<suffix>Júnior</suffix>
						</name>
						<name>
							<surname>Silva</surname>
							<given-names>TM</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Análise do perfil clínico de pacientes portadores de neoplasia ocular escamosa atendidos em hospital referência de oculoplástica</article-title>
					<source>Rev Bras Oftalmol</source>
					<year>2022</year>
					<volume>81</volume>
					<elocation-id>e0055</elocation-id>
				</element-citation>
				<mixed-citation>3 Henn ML, Grumann Júnior A, Silva TM. Análise do perfil clínico de pacientes portadores de neoplasia ocular escamosa atendidos em hospital referência de oculoplástica. Rev Bras Oftalmol. 2022;81:e0055.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B4">
				<label>4</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>Global Retinoblastoma Study Group</collab>
						<name>
							<surname>Fabian</surname>
							<given-names>ID</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Abdallah</surname>
							<given-names>E</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Abdullahi</surname>
							<given-names>SU</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Abdulqader</surname>
							<given-names>RA</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Adamou Boubacar</surname>
							<given-names>S</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Ademola-Popoola</surname>
							<given-names>DS</given-names>
						</name>
						<etal/>
					</person-group>
					<article-title>Global Retinoblastoma Presentation and Analysis by National Income Level</article-title>
					<source>JAMA Oncol</source>
					<year>2020</year>
					<volume>6</volume>
					<issue>5</issue>
					<fpage>685</fpage>
					<lpage>695</lpage>
					<comment>Erratum in: JAMA Oncol. 2020;6(11):1815</comment>
				</element-citation>
				<mixed-citation>4 Global Retinoblastoma Study Group; Fabian ID, Abdallah E, Abdullahi SU, Abdulqader RA, Adamou Boubacar S, Ademola-Popoola DS, et al. Global Retinoblastoma Presentation and Analysis by National Income Level. JAMA Oncol. 2020;6(5):685-95. Erratum in: JAMA Oncol. 2020;6(11):1815.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B5">
				<label>5</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Knudson</surname>
							<given-names>AG</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Two genetic hits (more or less) to cancer</article-title>
					<source>Nat Rev Cancer</source>
					<year>2001</year>
					<volume>1</volume>
					<fpage>157</fpage>
					<lpage>162</lpage>
				</element-citation>
				<mixed-citation>5 Knudson AG. Two genetic hits (more or less) to cancer. Nat Rev Cancer. 2001;1:157-62.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B6">
				<label>6</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Ribeiro</surname>
							<given-names>KC</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Antoneli</surname>
							<given-names>CB</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Trends in eye cancer mortality among children in Brazil, 1980-2002</article-title>
					<source>Pediatr Blood Cancer</source>
					<year>2007</year>
					<volume>48</volume>
					<issue>3</issue>
					<fpage>296</fpage>
					<lpage>305</lpage>
				</element-citation>
				<mixed-citation>6 Ribeiro KC, Antoneli CB. Trends in eye cancer mortality among children in Brazil, 1980-2002. Pediatr Blood Cancer. 2007;48(3):296-305.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B7">
				<label>7</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Meyer</surname>
							<given-names>I</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Tumor metastático uveal: revisão de literatura sobre a neoplasia ocular maligna mais comum</article-title>
					<source>Rev Bras Oftalmol</source>
					<year>2011</year>
					<volume>70</volume>
					<issue>1</issue>
					<fpage>51</fpage>
					<lpage>56</lpage>
				</element-citation>
				<mixed-citation>7 Meyer I. Tumor metastático uveal: revisão de literatura sobre a neoplasia ocular maligna mais comum. Rev Bras Oftalmol. 2011;70(1):51-6.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B8">
				<label>8</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Janetos</surname>
							<given-names>TM</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Volpe</surname>
							<given-names>NJ</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Simon</surname>
							<given-names>SS</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Neuro-ophthalmic manifestations of cancer: a narrative review</article-title>
					<source>Chin Clin Oncol</source>
					<year>2022</year>
					<volume>11</volume>
					<issue>3</issue>
					<fpage>25</fpage>
					<lpage>25</lpage>
				</element-citation>
				<mixed-citation>8 Janetos TM, Volpe NJ, Simon SS. Neuro-ophthalmic manifestations of cancer: a narrative review. Chin Clin Oncol. 2022;11(3):25.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B9">
				<label>9</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Soares</surname>
							<given-names>LH</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Bello</surname>
							<given-names>CV</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Reis</surname>
							<given-names>AK</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Nunes</surname>
							<given-names>RR</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Mason</surname>
							<given-names>EM</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Tumores malignos de pálpebra</article-title>
					<source>Arq Bras Oftalmol</source>
					<year>2001</year>
					<volume>64</volume>
					<issue>4</issue>
					<fpage>287</fpage>
					<lpage>289</lpage>
				</element-citation>
				<mixed-citation>9 Soares LH, Bello CV, Reis AK, Nunes RR, Mason EM. Tumores malignos de pálpebra. Arq Bras Oftalmol. 2001;64(4):287-9.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B10">
				<label>10</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Shrestha</surname>
							<given-names>E</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Banstola</surname>
							<given-names>L</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Man</surname>
							<given-names>I</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Gurung</surname>
							<given-names>B</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Gurung</surname>
							<given-names>H</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Adhikari</surname>
							<given-names>HB</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Assessing profile and treatment Outcome in Patients of Ocular Surface Squamous Neoplasia (OSSN)</article-title>
					<source>Nepal J Ophthalmol</source>
					<year>2019</year>
					<volume>11</volume>
					<issue>22</issue>
					<fpage>181</fpage>
					<lpage>188</lpage>
				</element-citation>
				<mixed-citation>10 Shrestha E, Banstola L, Man I, Gurung B, Gurung H, Adhikari HB. Assessing profile and treatment Outcome in Patients of Ocular Surface Squamous Neoplasia (OSSN). Nepal J Ophthalmol. 2019;11(22):181-8.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B11">
				<label>11</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Costa</surname>
							<given-names>LS</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Oncologia ocular</article-title>
					<source>Medicina (Ribeirão Preto)</source>
					<year>1997</year>
					<volume>30</volume>
					<issue>1</issue>
					<fpage>74</fpage>
					<lpage>75</lpage>
				</element-citation>
				<mixed-citation>11 Costa LS. Oncologia ocular. Medicina (Ribeirão Preto). 1997;30(1):74-5.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B12">
				<label>12</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Wang</surname>
							<given-names>KY</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Xu</surname>
							<given-names>TT</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>White</surname>
							<given-names>LJ</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Hodge</surname>
							<given-names>DO</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Dalvin</surname>
							<given-names>LA</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Incidence and clinical characteristics of pediatric ocular tumors in a Midwestern US population</article-title>
					<source>J AAPOS</source>
					<year>2023</year>
					<volume>27</volume>
					<issue>4</issue>
					<fpage>189.e1</fpage>
					<lpage>189.e5</lpage>
				</element-citation>
				<mixed-citation>12 Wang KY, Xu TT, White LJ, Hodge DO, Dalvin LA. Incidence and clinical characteristics of pediatric ocular tumors in a Midwestern US population. J AAPOS. 2023;27(4):189.e1-189.e5.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B13">
				<label>13</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Alfaar</surname>
							<given-names>AS</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Saad</surname>
							<given-names>AM</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>KhalafAllah</surname>
							<given-names>MT</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Elsherif</surname>
							<given-names>OE</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Osman</surname>
							<given-names>MH</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Strauß</surname>
							<given-names>O</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Second primary malignancies of eye and ocular adnexa after a first primary elsewhere in the body</article-title>
					<source>Graefes Arch Clin Exp Ophthalmol</source>
					<year>2021</year>
					<volume>259</volume>
					<issue>2</issue>
					<fpage>515</fpage>
					<lpage>526</lpage>
				</element-citation>
				<mixed-citation>13 Alfaar AS, Saad AM, KhalafAllah MT, Elsherif OE, Osman MH, Strauß O. Second primary malignancies of eye and ocular adnexa after a first primary elsewhere in the body. Graefes Arch Clin Exp Ophthalmol. 2021;259(2):515-26.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B14">
				<label>14</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Qiu</surname>
							<given-names>M</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Shields</surname>
							<given-names>CL</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Choroidal nevus in the United States adult population: racial disparities and associated factors in the national health and nutrition examination survey</article-title>
					<source>Ophthalmology</source>
					<year>2015</year>
					<volume>122</volume>
					<issue>10</issue>
					<fpage>2071</fpage>
					<lpage>2083</lpage>
				</element-citation>
				<mixed-citation>14 Qiu M, Shields CL. Choroidal nevus in the United States adult population: racial disparities and associated factors in the national health and nutrition examination survey. Ophthalmology. 2015;122(10):2071-83.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B15">
				<label>15</label>
				<element-citation publication-type="webpage">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>Brasil</collab>
					</person-group>
					<source>Ministério da Saúde. Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS)</source>
					<publisher-loc>Brasília (DF)</publisher-loc>
					<publisher-name>Ministério da Saúde</publisher-name>
					<date-in-citation content-type="access-date">[citado 2026 Jul 2]</date-in-citation>
					<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://datasus.saude.gov.br">https://datasus.saude.gov.br</ext-link>
					</comment>
				</element-citation>
				<mixed-citation>15 Brasil. Ministério da Saúde. Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS). Brasília (DF): Ministério da Saúde; [citado 2026 Jul 2]. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://datasus.saude.gov.br">https://datasus.saude.gov.br</ext-link>
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B16">
				<label>16</label>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA)</collab>
					</person-group>
					<source>Registro Hospitalar de Câncer (RHC): Integrador RHC</source>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>INCA</publisher-name>
					<year>2012</year>
					<date-in-citation content-type="access-date">[citado 2026 Jul 2]</date-in-citation>
					<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://irhc.inca.gov.br">https://irhc.inca.gov.br</ext-link>
					</comment>
				</element-citation>
				<mixed-citation>16 Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). Registro Hospitalar de Câncer (RHC): Integrador RHC. Rio de Janeiro: INCA; 2012 [citado 2026 Jul 2]. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://irhc.inca.gov.br">https://irhc.inca.gov.br</ext-link>
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B17">
				<label>17</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Shields</surname>
							<given-names>CL</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Bianciotto</surname>
							<given-names>CG</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Jabbour</surname>
							<given-names>P</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Ramasubramanian</surname>
							<given-names>A</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Lally</surname>
							<given-names>SE</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Griffin</surname>
							<given-names>GC</given-names>
						</name>
						<etal/>
					</person-group>
					<article-title>Intra-arterial chemotherapy for retinoblastoma: report no. 1, control of retinal tumors, subretinal seeds, and vitreous seeds</article-title>
					<source>Arch Ophthalmol</source>
					<year>2011</year>
					<volume>129</volume>
					<issue>11</issue>
					<fpage>1399</fpage>
					<lpage>1406</lpage>
				</element-citation>
				<mixed-citation>17 Shields CL, Bianciotto CG, Jabbour P, Ramasubramanian A, Lally SE, Griffin GC, et al. Intra-arterial chemotherapy for retinoblastoma: report no. 1, control of retinal tumors, subretinal seeds, and vitreous seeds. Arch Ophthalmol. 2011;129(11):1399-406.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B18">
				<label>18</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Shields</surname>
							<given-names>CL</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Bianciotto</surname>
							<given-names>CG</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Jabbour</surname>
							<given-names>P</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Griffin</surname>
							<given-names>GC</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Ramasubramanian</surname>
							<given-names>A</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Rosenwasser</surname>
							<given-names>R</given-names>
						</name>
						<etal/>
					</person-group>
					<article-title>Intra-arterial chemotherapy for retinoblastoma: report no. 2, treatment complications</article-title>
					<source>Arch Ophthalmol</source>
					<year>2011</year>
					<volume>129</volume>
					<issue>11</issue>
					<fpage>1407</fpage>
					<lpage>1415</lpage>
				</element-citation>
				<mixed-citation>18 Shields CL, Bianciotto CG, Jabbour P, Griffin GC, Ramasubramanian A, Rosenwasser R, et al. Intra-arterial chemotherapy for retinoblastoma: report no. 2, treatment complications. Arch Ophthalmol. 2011;129(11):1407-15.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B19">
				<label>19</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Manjandavida</surname>
							<given-names>FP</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Stathopoulos</surname>
							<given-names>C</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Zhang</surname>
							<given-names>J</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Honavar</surname>
							<given-names>SG</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Shields</surname>
							<given-names>CL</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Intra-arterial chemotherapy in retinoblastoma - A paradigm change</article-title>
					<source>Indian J Ophthalmol</source>
					<year>2019</year>
					<volume>67</volume>
					<issue>6</issue>
					<fpage>740</fpage>
					<lpage>754</lpage>
					<comment>Erratum in: Indian J Ophthalmol. 2019;67(8):1385</comment>
				</element-citation>
				<mixed-citation>19 Manjandavida FP, Stathopoulos C, Zhang J, Honavar SG, Shields CL. Intra-arterial chemotherapy in retinoblastoma - A paradigm change. Indian J Ophthalmol. 2019;67(6):740-54. Erratum in: Indian J Ophthalmol. 2019;67(8):1385.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B20">
				<label>20</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Kaliki</surname>
							<given-names>S</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Shields</surname>
							<given-names>CL</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Retinoblastoma: achieving new standards with methods of chemotherapy</article-title>
					<source>Indian J Ophthalmol</source>
					<year>2015</year>
					<volume>63</volume>
					<issue>2</issue>
					<fpage>103</fpage>
					<lpage>109</lpage>
				</element-citation>
				<mixed-citation>20 Kaliki S, Shields CL. Retinoblastoma: achieving new standards with methods of chemotherapy. Indian J Ophthalmol. 2015;63(2):103-9.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B21">
				<label>21</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Belson</surname>
							<given-names>PJ</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Eastwood</surname>
							<given-names>JA</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Brecht</surname>
							<given-names>ML</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Kim</surname>
							<given-names>JW</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Hays</surname>
							<given-names>RD</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Pike</surname>
							<given-names>NA</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Health-Related Quality of Life in Adolescent and Young Adult Retinoblastoma Survivors</article-title>
					<source>J Pediatr Hematol Oncol Nurs</source>
					<year>2022</year>
					<volume>39</volume>
					<issue>6</issue>
					<fpage>342</fpage>
					<lpage>357</lpage>
				</element-citation>
				<mixed-citation>21 Belson PJ, Eastwood JA, Brecht ML, Kim JW, Hays RD, Pike NA. Health-Related Quality of Life in Adolescent and Young Adult Retinoblastoma Survivors. J Pediatr Hematol Oncol Nurs. 2022;39(6):342-57.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B22">
				<label>22</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Santapuram</surname>
							<given-names>PR</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Schremp</surname>
							<given-names>EA</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Friedman</surname>
							<given-names>DL</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Koyama</surname>
							<given-names>T</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Froehler</surname>
							<given-names>MT</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Daniels</surname>
							<given-names>AB</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Adverse events, treatment burden, and outcomes of intravenous versus intra-arterial chemotherapy for retinoblastoma</article-title>
					<source>Ophthalmol Retina</source>
					<year>2021</year>
					<volume>5</volume>
					<issue>3</issue>
					<fpage>309</fpage>
					<lpage>312</lpage>
				</element-citation>
				<mixed-citation>22 Santapuram PR, Schremp EA, Friedman DL, Koyama T, Froehler MT, Daniels AB. Adverse events, treatment burden, and outcomes of intravenous versus intra-arterial chemotherapy for retinoblastoma. Ophthalmol Retina. 2021;5(3):309-12.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B23">
				<label>23</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Masoomian</surname>
							<given-names>B</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Dalvin</surname>
							<given-names>LA</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Riazi-Esfahani</surname>
							<given-names>H</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Ghassemi</surname>
							<given-names>F</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Azizkhani</surname>
							<given-names>M</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Mirghorbani</surname>
							<given-names>M</given-names>
						</name>
						<etal/>
					</person-group>
					<article-title>Pediatric ocular melanoma: a collaborative multicenter study and meta-analysis</article-title>
					<source>J AAPOS</source>
					<year>2023</year>
					<volume>27</volume>
					<issue>6</issue>
					<fpage>316</fpage>
					<lpage>324</lpage>
				</element-citation>
				<mixed-citation>23 Masoomian B, Dalvin LA, Riazi-Esfahani H, Ghassemi F, Azizkhani M, Mirghorbani M, et al. Pediatric ocular melanoma: a collaborative multicenter study and meta-analysis. J AAPOS. 2023;27(6):316-24.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B24">
				<label>24</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Butt</surname>
							<given-names>K</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Hussain</surname>
							<given-names>R</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Coupland</surname>
							<given-names>SE</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Krishna</surname>
							<given-names>Y</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Conjunctival melanoma: a clinical review and update</article-title>
					<source>Cancers (Basel)</source>
					<year>2024</year>
					<volume>16</volume>
					<issue>18</issue>
					<fpage>3121</fpage>
					<lpage>3121</lpage>
					<comment>Erratum in: Cancers (Basel). 2024;16(22):3721</comment>
				</element-citation>
				<mixed-citation>24 Butt K, Hussain R, Coupland SE, Krishna Y. Conjunctival melanoma: a clinical review and update. Cancers (Basel). 2024;16(18):3121. Erratum in: Cancers (Basel). 2024;16(22):3721.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B25">
				<label>25</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Jager</surname>
							<given-names>MJ</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Shields</surname>
							<given-names>CL</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Cebulla</surname>
							<given-names>CM</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Abdel-Rahman</surname>
							<given-names>MH</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Grossniklaus</surname>
							<given-names>HE</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Stern</surname>
							<given-names>MH</given-names>
						</name>
						<etal/>
					</person-group>
					<article-title>Uveal melanoma</article-title>
					<source>Nat Rev Dis Primers</source>
					<year>2020</year>
					<volume>6</volume>
					<issue>1</issue>
					<fpage>24</fpage>
					<lpage>24</lpage>
					<comment>Erratum in: Nat Rev Dis Primers. 2022;8(1):4</comment>
				</element-citation>
				<mixed-citation>25 Jager MJ, Shields CL, Cebulla CM, Abdel-Rahman MH, Grossniklaus HE, Stern MH, et al. Uveal melanoma. Nat Rev Dis Primers. 2020;6(1):24. Erratum in: Nat Rev Dis Primers. 2022;8(1):4</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B26">
				<label>26</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Al-Jamal</surname>
							<given-names>RT</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Cassoux</surname>
							<given-names>N</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Desjardins</surname>
							<given-names>L</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Damato</surname>
							<given-names>B</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Konstantinidis</surname>
							<given-names>L</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Coupland</surname>
							<given-names>SE</given-names>
						</name>
						<etal/>
					</person-group>
					<article-title>The Pediatric Choroidal and Ciliary Body Melanoma Study: A Survey by the European Ophthalmic Oncology Group</article-title>
					<source>Ophthalmology</source>
					<year>2016</year>
					<volume>123</volume>
					<issue>4</issue>
					<fpage>898</fpage>
					<lpage>907</lpage>
				</element-citation>
				<mixed-citation>26 Al-Jamal RT, Cassoux N, Desjardins L, Damato B, Konstantinidis L, Coupland SE, et al. The Pediatric Choroidal and Ciliary Body Melanoma Study: A Survey by the European Ophthalmic Oncology Group. Ophthalmology. 2016;123(4):898-907.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B27">
				<label>27</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Müngen</surname>
							<given-names>E</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Koç</surname>
							<given-names>İ</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Kiratli</surname>
							<given-names>H</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Varan</surname>
							<given-names>A</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Second malignant neoplasms in long-term retinoblastoma survivors: retrospective cohort study of 491 patients in Turkey</article-title>
					<source>J Pediatr Hematol Oncol</source>
					<year>2025</year>
					<volume>47</volume>
					<issue>5</issue>
					<fpage>e161</fpage>
					<lpage>e167</lpage>
				</element-citation>
				<mixed-citation>27 Müngen E, Koç İ, Kiratli H, Varan A. Second malignant neoplasms in long-term retinoblastoma survivors: retrospective cohort study of 491 patients in Turkey. J Pediatr Hematol Oncol. 2025;47(5):e161-e167.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B28">
				<label>28</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Azad</surname>
							<given-names>SV</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Banerjee</surname>
							<given-names>M</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Parmanand</surname>
							<given-names>K</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Venkatesh</surname>
							<given-names>P</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Isolated optic nerve involvement in acute lymphoblastic leukaemia: a red flag for early relapse</article-title>
					<source>BMJ Case Rep</source>
					<year>2021</year>
					<volume>14</volume>
					<issue>6</issue>
					<elocation-id>e243689</elocation-id>
				</element-citation>
				<mixed-citation>28 Azad SV, Banerjee M, Parmanand K, Venkatesh P. Isolated optic nerve involvement in acute lymphoblastic leukaemia: a red flag for early relapse. BMJ Case Rep. 2021;14(6):e243689.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B29">
				<label>29</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Braitbard</surname>
							<given-names>O</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Bar-Sinai</surname>
							<given-names>A</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Hochman</surname>
							<given-names>J</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Maternal immunization impairs lymphoma growth and CNS/ocular metastasis in the offspring</article-title>
					<source>Front Immunol</source>
					<year>2024</year>
					<volume>15</volume>
					<fpage>1498272</fpage>
					<lpage>1498272</lpage>
				</element-citation>
				<mixed-citation>29 Braitbard O, Bar-Sinai A, Hochman J. Maternal immunization impairs lymphoma growth and CNS/ocular metastasis in the offspring. Front Immunol. 2024;15:1498272.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B30">
				<label>30</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Selistre</surname>
							<given-names>SG</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Maestri</surname>
							<given-names>MK</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Santos-Silva</surname>
							<given-names>P</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Schüler-Faccini</surname>
							<given-names>L</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Guimarães</surname>
							<given-names>LSP</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Giacomazzi</surname>
							<given-names>J</given-names>
						</name>
						<etal/>
					</person-group>
					<article-title>Retinoblastoma in a pediatric oncology reference center in Southern Brazil</article-title>
					<source>BMC Pediatr</source>
					<year>2016</year>
					<volume>16</volume>
					<fpage>48</fpage>
					<lpage>48</lpage>
				</element-citation>
				<mixed-citation>30 Selistre SG, Maestri MK, Santos-Silva P, Schüler-Faccini L, Guimarães LSP, Giacomazzi J, et al. Retinoblastoma in a pediatric oncology reference center in Southern Brazil. BMC Pediatr. 2016;16:48.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B31">
				<label>31</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Singh</surname>
							<given-names>U</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Katoch</surname>
							<given-names>D</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Kaur</surname>
							<given-names>S</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Dogra</surname>
							<given-names>MR</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Bansal</surname>
							<given-names>D</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Kapoor</surname>
							<given-names>R</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Retinoblastoma: A Sixteen-Year Review of the Presentation, Treatment, and Outcome from a Tertiary Care Institute in Northern India</article-title>
					<source>Ocul Oncol Pathol</source>
					<year>2017</year>
					<volume>4</volume>
					<issue>1</issue>
					<fpage>23</fpage>
					<lpage>32</lpage>
				</element-citation>
				<mixed-citation>31 Singh U, Katoch D, Kaur S, Dogra MR, Bansal D, Kapoor R. Retinoblastoma: A Sixteen-Year Review of the Presentation, Treatment, and Outcome from a Tertiary Care Institute in Northern India. Ocul Oncol Pathol. 2017;4(1):23-32.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B32">
				<label>32</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Goolam</surname>
							<given-names>S</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Kana</surname>
							<given-names>H</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Welsh</surname>
							<given-names>N</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Wainwright</surname>
							<given-names>L</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Poole</surname>
							<given-names>J</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Mayet</surname>
							<given-names>Y</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>A 20-year retrospective review of retinoblastoma at two Tertiary Academic Hospitals in Johannesburg, South Africa</article-title>
					<source>Ocul Oncol Pathol</source>
					<year>2018</year>
					<volume>4</volume>
					<issue>3</issue>
					<fpage>170</fpage>
					<lpage>175</lpage>
				</element-citation>
				<mixed-citation>32 Goolam S, Kana H, Welsh N, Wainwright L, Poole J, Mayet Y. A 20-year retrospective review of retinoblastoma at two Tertiary Academic Hospitals in Johannesburg, South Africa. Ocul Oncol Pathol. 2018;4(3):170-5.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B33">
				<label>33</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Barbosa</surname>
							<given-names>AC</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Magalhães-Barbosa</surname>
							<given-names>MC</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Colombini</surname>
							<given-names>GN</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Prata-Barbosa</surname>
							<given-names>A</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Clinical, epidemiological, and care profile of hospitalized patients with retinoblastoma in Brazil</article-title>
					<source>Arq Bras Oftalmol</source>
					<year>2024</year>
					<volume>88</volume>
					<issue>1</issue>
					<elocation-id>e20230073</elocation-id>
				</element-citation>
				<mixed-citation>33 Barbosa AC, Magalhães-Barbosa MC, Colombini GN, Prata-Barbosa A. Clinical, epidemiological, and care profile of hospitalized patients with retinoblastoma in Brazil. Arq Bras Oftalmol. 2024;88(1):e20230073.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B34">
				<label>34</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Vega-Escobar</surname>
							<given-names>K</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Bonilla-Escobar</surname>
							<given-names>FJ</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Salamanca</surname>
							<given-names>O</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Martinez-Blanco</surname>
							<given-names>AM</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Garcia</surname>
							<given-names>LS</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Collazos</surname>
							<given-names>P</given-names>
						</name>
						<etal/>
					</person-group>
					<article-title>Epidemiology of eye cancer in Cali, Colombia: A 55-year study</article-title>
					<source>Ophthalmic Epidemiol</source>
					<year>2024</year>
					<volume>31</volume>
					<issue>4</issue>
					<fpage>374</fpage>
					<lpage>384</lpage>
				</element-citation>
				<mixed-citation>34 Vega-Escobar K, Bonilla-Escobar FJ, Salamanca O, Martinez-Blanco AM, Garcia LS, Collazos P, et al. Epidemiology of eye cancer in Cali, Colombia: A 55-year study. Ophthalmic Epidemiol. 2024;31(4):374-84.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B35">
				<label>35</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Virgili</surname>
							<given-names>G</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Capocaccia</surname>
							<given-names>R</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Botta</surname>
							<given-names>L</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Bennett</surname>
							<given-names>D</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Hadjistilianou</surname>
							<given-names>T</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Innos</surname>
							<given-names>K</given-names>
						</name>
						<etal/>
					</person-group>
					<article-title>EUROCARE-6 Working Group. Survival and Health Care Burden of Children with Retinoblastoma in Europe</article-title>
					<source>JAMA Ophthalmol</source>
					<year>2024</year>
					<volume>142</volume>
					<issue>11</issue>
					<fpage>1062</fpage>
					<lpage>1070</lpage>
				</element-citation>
				<mixed-citation>35 Virgili G, Capocaccia R, Botta L, Bennett D, Hadjistilianou T, Innos K, et al.; EUROCARE-6 Working Group. Survival and Health Care Burden of Children with Retinoblastoma in Europe. JAMA Ophthalmol. 2024;142(11):1062–70.</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B36">
				<label>36</label>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Rodriguez-Galindo</surname>
							<given-names>C</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Friedrich</surname>
							<given-names>P</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Morrissey</surname>
							<given-names>L</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Frazier</surname>
							<given-names>L</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Global challenges in pediatric oncology</article-title>
					<source>Curr Opin Pediatr</source>
					<year>2013</year>
					<volume>25</volume>
					<issue>1</issue>
					<fpage>3</fpage>
					<lpage>15</lpage>
				</element-citation>
				<mixed-citation>36 Rodriguez-Galindo C, Friedrich P, Morrissey L, Frazier L. Global challenges in pediatric oncology. Curr Opin Pediatr. 2013;25(1):3-15.</mixed-citation>
			</ref>
		</ref-list>
	</back>
</article>