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<journal-title>Revista Brasileira de Oftalmologia</journal-title>
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<issn pub-type="ppub">0034-7280</issn>
<issn pub-type="epub">1982-8551</issn>
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<publisher-name>Sociedade Brasileira de Oftalmologia</publisher-name></publisher>
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<article-id pub-id-type="doi">10.37039/1982.8551.20260102</article-id>
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<subject>Editorial</subject>
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<article-title>Congressos e os trabalhos científicos: perfil e perspectivas</article-title>
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<trans-title>Conferences and Scientific Papers: Profiles and Perspectives</trans-title>
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<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-5440-5092</contrib-id>
<name><surname>Portes</surname><given-names>André</given-names></name>
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<institution content-type="orgname">Universidade Estácio de Sá</institution>
<institution content-type="orgdiv1">Disciplina de Oftalmologia</institution>
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<institution content-type="original">isciplina de Oftalmologia, Universidade Estácio de Sá, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.</institution>
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<corresp id="c1"><label>Autor correspondente:</label> André Portes E-mail: <email>alfp80@hotmail.com</email></corresp>
<fn fn-type="coi-statement"><label>Conflitos de interesse:</label><p>não há conflitos de interesses.</p></fn>
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<year>2026</year></pub-date>
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<funding-statement><bold>Fonte de auxílio à pesquisa:</bold> trabalho não financiado.</funding-statement>
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<p>&quot;A ciência conhece um único comando: contribuir com a ciência.&quot;</p>
<p>Bertolt Brecht (1898-1956)</p>
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<p>Trabalhos científicos podem ser entendidos como pesquisas orientadas por objetivos definidos, estruturadas em métodos sistematizados e, ao fim, submetidas à análise crítica de seus resultados. Na verdade, o que o pesquisador procura são respostas para questões que ampliem sua compreensão sobre determinado tema.</p>
<p>Nesse contexto, a Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO) constitui uma importante referência no meio acadêmico, especialmente pela publicação de seu tradicional periódico científico, a Revista Brasileira de Oftalmologia (RBO), há mais de 80 anos. Entretanto, ao longo dos últimos anos, seus congressos anuais também vêm se destacando nesse cenário, consolidando-se como importantes instrumentos para análise, discussão e divulgação de pesquisas científicas. Nos últimos 5 anos, podemos observar um aumento gradativo e significativo no número de trabalhos submetidos – orais e pôsteres – passando de 131 para 535 em 2026 — um crescimento superior a 300%, consolidando-se como um dos congressos líderes nesse segmento no Brasil.</p>
<p>É difícil determinar com precisão todos os fatores envolvidos na expressiva expansão observada nesses números. Acreditamos, entretanto, que um deles esteja relacionado à publicação dos trabalhos submetidos nos anais dos congressos na RBO, como feito nos últimos 2 anos. Além de proporcionar um registro permanente dos trabalhos, mesmo após o término do evento, permitindo sua consulta posterior, essa forma de publicação confere maior visibilidade e peso acadêmico à produção apresentada. Outro aspecto que não pode ser ignorado é a estreita relação desse crescimento com a expansão do ensino médico no país. Dados do mais recente Censo da Demografia Médica<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>)</sup> demonstram que, no mesmo período, houve aumento aproximado de 30% no número de escolas médicas, que atualmente concentram 266.507 estudantes entre o primeiro e o sexto ano da graduação.</p>
<p>Esse cenário parece refletir-se diretamente na produção científica. No último Congresso da SBO, os estudantes de graduação em medicina representaram o perfil mais frequente entre os primeiros autores, sendo responsáveis por 69% de todos os trabalhos submetidos. Também chama atenção o predomínio das revisões sistemáticas entre os trabalhos enviados, condizente com o momento atual de formação acadêmica desses autores. Ressaltamos ainda que, para esse grupo, é imprescindível o envio do manuscrito com a orientação discriminada de um professor ou preceptor da instituição onde o trabalho foi elaborado, conforme consta nas regras de submissão. Trata-se de um aspecto fundamental para que o rigor do método científico seja adequadamente compreendido e aplicado ao longo de todo o processo de elaboração da pesquisa.</p>
<p>Os residentes, pós-graduandos e <italic>fellows</italic> representaram o segundo perfil de autores que mais enviou trabalhos, correspondendo a aproximadamente 27% do total, com destaque para o maior volume de relatos de casos. O contato direto com a prática clínica e cirúrgica dentro da especialidade, aliado aos desafios enfrentados durante esse período de aprendizado, frequentemente representa o ponto de partida para um maior interesse científico, culminando no envio de trabalhos para os congressos.</p>
<p>Finalmente, os 4% restantes dos trabalhos submetidos correspondem a pesquisadores das áreas básica e clínica. Em sua maioria, são artigos originais, com maior densidade acadêmica e científica, envolvendo estudos experimentais, ensaios clínicos e estudos de coorte, entre outros.</p>
<p>Todo o processo de análise e seleção dos trabalhos submetidos envolve uma dinâmica complexa. Para essa atividade, é constituída uma banca examinadora formada por professores vinculados a instituições de ensino, titulados com Doutorado e com experiência prévia como revisores de periódicos científicos. Apesar do expressivo volume de submissões, a experiência e a <italic>expertise</italic> de cada avaliador têm possibilitado que os trabalhos sejam analisados em pares, contribuindo para maior qualidade, equilíbrio e imparcialidade no processo de seleção. Entretanto, um dos maiores desafios está no curto intervalo entre o encerramento das submissões e a devolutiva aos autores. Diferentemente do processo editorial adotado pelos periódicos científicos, não há, nesse contexto, a possibilidade de encaminhar o manuscrito para correção de eventuais falhas e posterior reavaliação. Assim, embora o número de submissões tenha crescido de forma expressiva, esse aumento não tem sido acompanhado proporcionalmente pela qualidade dos trabalhos submetidos. Essa realidade se reflete diretamente em uma taxa de não aceite em torno de 40%.</p>
<p>Os principais erros que inviabilizam o aceite dos trabalhos variam de acordo com o tipo de pesquisa apresentada. Nos relatos de caso, além de um número expressivo de situações clínicas rotineiras, que pouco acrescentam ao conhecimento já consolidado na literatura, muitos não apresentam elementos suficientes para sustentar adequadamente o diagnóstico proposto, deixando margem a interpretações. Nas revisões sistemáticas e nas pesquisas originais, os problemas metodológicos são os mais frequentes. Em muitos casos, o próprio desenho do estudo não permite sustentar a conclusão apresentada. Nas revisões e estudos epidemiológicos, também é comum a abordagem de temas muito semelhantes, fazendo com que trabalhos mais estruturados, abrangentes e metodologicamente consistentes sejam selecionados em detrimento dos demais.</p>
<p>Imaginamos que essa tendência de crescimento deva continuar ao longo dos próximos anos, refletindo um maior interesse e participação acadêmica na pesquisa científica. Entretanto, uma reflexão importante precisa ser feita: qual é o verdadeiro significado desse crescimento? A oportunidade de apresentar um trabalho em um congresso ou de acrescentar mais uma publicação ao currículo não deve representar o objetivo primário do interesse científico. O valor de uma pesquisa está em sua qualidade, em sua capacidade de gerar questionamentos e estimular a crítica e, sobretudo, em sua relevância e contribuição para o conhecimento — e não na quantidade de artigos apresentados.</p>
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<fn fn-type="financial-disclosure" id="fn1"><label>Fonte de auxílio à pesquisa:</label><p>trabalho não financiado.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn2"><label>Instituição de realização do trabalho:</label><p>Universidade Estácio de Sá, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.</p></fn>
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<sec sec-type="data-availability" specific-use="data-available-upon-request">
<title>Declaração de disponibilidade de dados:</title>
<p>os dados que respaldam as conclusões deste estudo não estão disponíveis abertamente, mas estão disponíveis junto ao autor correspondente, mediante solicitação.</p>
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<title>AGRADECIMENTO</title>
<p>À Comissão de Trabalhos Científicos do Congresso, em especial ao Prof. Dr. Bruno Esporcatte e à Profa. Dra. Louise Pellegrino.</p>
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<title>REFERÊNCIA</title>
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<collab>Departamento de Medicina Preventiva, Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo (USP). Conselho Federal de Medicina (CFM)</collab>
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<source>Demografia médica no Brasil 2020</source>
<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
<publisher-name>Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP/CFM</publisher-name>
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<date-in-citation content-type="access-date">citado 2026 Set 21</date-in-citation>
<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.fm.usp.br/fmusp/conteudo/DemografiaMedica2020_9DEZ.pdf">https://www.fm.usp.br/fmusp/conteudo/DemografiaMedica2020_9DEZ.pdf</ext-link>
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<mixed-citation>Departamento de Medicina Preventiva, Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo (USP). Conselho Federal de Medicina (CFM). Demografia médica no Brasil 2020. São Paulo: Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP/CFM; 2020 [citado 2026 Set 21]. Disponível em: https://www.fm.usp.br/fmusp/conteudo/DemografiaMedica2020_9DEZ.pdf</mixed-citation>
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