Rev Bras Oftalmol.2026;85:e0030

Aplicação da Inteligência Artificial na predição de malformações oftalmológicas congênitas a partir de dados perinatais

Helvécio Neves Feitosa , Rian Vilar , Lucas Macêdo Aurélio , João Filipe Cavalcante Uchoa , Pedro Vianna Caldas , Felipe Cavalcanti , Isabela Diógenes

DOI: 10.37039/1982.8551.20260030

RESUMO

Objetivo:

Avaliar se um modelo de Inteligência Artificial baseado em variáveis perinatais de fácil acesso é capaz de prever malformações oftalmológicas congênitas, sobretudo aquelas cuja detecção tardia pode levar à cegueira evitável.

Métodos:

Estudo retrospectivo de acurácia diagnóstica utilizando o banco de dados do DATASUS. Foram incluídos 6.633 recém-nascidos no Brasil entre 2014 e 2022, sendo 2.211 com malformações oftalmológicas congênitas (CID-10 Q100-Q159) e 4.422 controles. Analisaram-se 14 variáveis maternas, obstétricas e neonatais, excluindo-se registros com dados faltantes. Aplicaram-se modelos de regressão logística e máquina de vetor de suporte, avaliando acurácia, sensibilidade, especificidade e AUC. Subanálises consideraram malformações oftalmológicas congênitas de difícil diagnóstico clínico e condições rastreáveis com impacto terapêutico.

Resultados:

A regressão logística apresentou sensibilidade de 55,05%, especificidade de 91,32% e AUC 0,833; a máquina de vetor de suporte obteve 47,82%, 93,01% e 0,834. Para malformações oftalmológicas congênitas de difícil diagnóstico, a regressão logística alcançou AUC 0,795 e a máquina de vetor de suporte 0,842. Para condições rastreáveis, a regressão logística obteve AUC 0,790 e a máquina de vetor de suporte 0,761.

Conclusão:

Modelos de Inteligência Artificial baseados em dados perinatais mostraram boa acurácia para identificar malformações oftalmológicas congênitas, auxiliando no rastreio inicial em cenários com recursos limitados.

Aplicação da Inteligência Artificial na predição de malformações oftalmológicas congênitas a partir de dados perinatais

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